Sábado, 31 de Outubro de 2020
EM TERRAS CARIOCAS

Indígenas levam arte produzida no AM para mega exposição no Rio de Janeiro

Símbolo de consagração aos grandes nomes das artes nacionais, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), do Rio de Janeiro recebe a partir,da próxima terça-feira, 26, obras de artistas amazonenses



artistas_amazonas_1D0C1CDB-C981-4385-A53C-D9CEE9577BEC.JPG Foto: Divulgação
25/11/2019 às 12:27

Símbolo de consagração aos grandes nomes das artes nacionais, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), do Rio de Janeiro recebe a partir da próxima terça-feira, 26, obras de arte de 3 artistas amazonenses: Duhigó, da etnia Tukano, Dhiani Pa’saro, da etnia Wanano e Füãreicü, da etnia Ticuna, na exposição “VaiVém”, que apresenta obras de arte inspiradas nas redes de dormir brasileiras. 

Os três artistas indígenas amazonenses terão suas obras de arte expostas junto com outros 141 artistas brasileiros, entre eles renomados como: Bené Fonteles, Bispo do Rosário, Claudia Andujar, Djanira, Ernesto Neto, Luiz Braga, Mestre Vitalino, Tarsila do Amaral e Tunga, somando mais de 350 obras datadas do século 16 ao 21, que apresentam em seus trabalhos as redes de dormir como símbolo da identidade cultural brasileira.



Com curadoria de Raphael Fonseca, crítico, historiador da arte e curador do MAC-Niterói, a VaiVém ocupa todo o edifício do CCBB-RJ e destaca também a participação de 32 artistas contemporâneos indígenas, como Arissana Pataxó, Denilson Baniwa, Gustavo Caboco, Jaider Esbell e o coletivo MAHKU. Duhigó e Dhiani Pa’saro expõem trabalhos criados especialmente para o projeto, sob a coordenação da Manaus Amazônia Galeria de Arte, segmentada no mercado de arte contemporânea amazônica, com sede em Manaus. 

Duhigó apresenta a inédita acrílica sobre madeira Nepu Arquepu (Rede Macaco, na língua Tukano), que narra o ritual de nascimento de um bebê Tukano e a rede como “testemunha ocular” desta cena da memória afetiva da artista. Dhiani Pa’saro, artista da pintura e da marchetaria faz sua estreia em cenário nacional com a marchetaria Wunu Phunõ (Rede Preguiça, na língua Wanano), composta por 40 tipos de madeiras e inspirada em duas variações de grafismos indígenas: o “casco de besouro” (da etnia Wanano) e o “asa de borboleta” (da etnia Ticuna). A exposição fica em cartaz de 27 de novembro de 2019 à 17 de fevereiro de 2020.

Entre estes renomados das artes visuais brasileiras um outro artista indígena amazonense, Füãreicü, da etnia Ticuna, apresenta sua obra “Repouso de Koch-Grünberg–Alto Rio Negro/Amazonas”, da coleção “Theodor Koch Grünberg – Um viajante na Amazônia”, do Instituto Dirson Costa de Arte e Cultura da Amazônia (IDC) e que irá compor o acervo do Museu de Arte e Imaginário da Amazônia (MAIA).

“Longe de reforçar os estereótipos da tropicalidade, esta exposição investiga as origens das redes e suas representações iconográficas: ao revisitar o passado conseguimos compreender como um fazer ancestral criado pelos povos ameríndios foi apropriado pelos europeus e, mais de cinco séculos após a invasão das Américas, ocupa um lugar de destaque no panteão que constitui a noção de uma identidade brasileira”, afirma o curador, que pesquisou o tema por mais de quatro anos para sua tese de doutorado em uma universidade pública.

Com pinturas, esculturas, instalações, fotografias, vídeos, documentos, intervenções e performances, além de objetos de cultura visual, como HQs e selos, Vaivém ocupa todos os espaços expositivos do CCBB Rio e está estruturada em seis núcleos temáticos e transhistóricos.

Para o artista Dhinia Pa’saro, da etnia Wanano, estar na Vaivém é um privilégio, mas também uma conquista, pois são 15 anos de carreira apostando em suas criações de pintura e marchetaria. “Passei quase 3 meses produzindo essa obra que está na exposição e se sinto valorizado através da minha cultura que apresentei nesta obra. Gostaria muito que a obra ficasse em um Museu, para daqui alguns anos meus bisnetos e tataranetos possam fazer pesquisa sobre nossa cultura e ver nos livros de artes”, disse Dhiani.

Já a artista Duhigó, que soma mais uma exposição nacional em seu currículo está feliz e satisfeita com mais este espaço aberto para sua arte no cenário nacional. “Para mim isso é uma porta aberta para a arte feita pelos indígenas que antes não tinham esse espaço. Além de disso estamos junto com os gênios da arte do nosso país. Isso é uma honra”, destacou Duhigó.

Segundo Carlysson Sena, diretor da Manaus Amazônia Galeria de Arte, que representa os artistas Dhiani Pa’saro e Duhigó, a presença destes artistas na VaiVém é um fato para ser comemorado pela classe artística do Amazonas. “É um marco na carreira destes artistas e uma possibilidade positiva que se abre para a arte com tema amazônico, no país e no mundo. O Centro Cultural Banco do Brasil é uma instituição de renome e as pessoas que estão a frente da curadoria e produção da exposição também, o que valida ainda mais o trabalho de qualidade dos nossos artistas”, destacou o galerista de arte.

Exposição em Manaus

Para quem quer conhecer, apreciar e adquirir obras de Dhiani Pa’saro e Duhigó, em Manaus os artistas estão em exposição permanente na Manaus Amazônia Galeria de Arte, com atendimento com hora marcada e na Galeria do Largo, na exposição Nipetirã – Todos, com entrada gratuita e em cartaz até março de 2020. A primeira edição da Feira de Sustentabilidade do Polo Industrial de Manaus (fesPIM), que acontecerá na próxima semana, de 27 a 29 de novembro também contará com obras dos artistas no espaço da Suframa.

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