Mimo especial

Presentes de Natal que motivaram missões de vida

Artistas do Amazonas relembram itens que ganharam na data e que os inspiraram a seguir pela carreira artística

Gabrielly Gentil
24/12/2021 às 20:05.
Atualizado em 08/03/2022 às 19:04

(Ítalo Rui se apaixonou pelo teatro em peça da família (Foto: Iago Albuquerque))

Uma lembrança de Natal pode fazer toda a diferença na vida de alguém, inclusive, concretizar sonhos. Mas, nem sempre é o “bom velhinho” quem rouba a cena com os presentes nessa época do ano. Nas histórias que você vai conhecer a seguir, três artistas do Amazonas foram inspirados a seguir pela arte de um modo especial. E sabe como tudo isso começou? Com simples presentes natalinos vindos de suas famílias, e que, para esse trio, tiveram muito valor e significado.

Queimação da palhinha

O lado artístico do ator amazonense Ítalo Rui aflorou a partir de uma peça teatral sobre o nascimento de Jesus, a qual ele encenou pela primeira vez, aos oito anos de idade. Esse foi o melhor presente de Natal que ele poderia ter ganhado por acaso. O ano era 2002, o pai de Ítalo, Rui Cesário, precisou pagar uma promessa: ele havia pedido a Deus que o filho caçula – que estava passando por uma crise de convulsão - fosse curado. Rui havia prometido que, se sua prece fosse atendida, todo fim de ano construiria um presépio de palha e faria a comemoração do Dia de Santo Reis a partir de uma tradição católica chamada “Queimação da Palhinha”.

“Depois desse dia, o meu irmão se curou. Meu pai ficou tão feliz com isso que só fazer o presépio e a ‘Queimação da Palhinha’ não era suficiente. Ele decidiu fazer uma peça sobre o nascimento de Jesus e falou que eu iria ser o José”, relembra Ítalo. A peça, realizada na garagem da casa, foi o pontapé inicial para que Ítalo se enxergasse como ator. “Quando eu fiz a peça, lembro bem da situação e de me sentir especial ali”, complementa.

Depois da apresentação, os pais de Ítalo concordaram que ele levava jeito para o ofício. Hoje, aos 27 anos de idade, Ítalo é formado em Teatro pela Universidade Estadual do Amazonas (UEA). “Com 13 anos eu me matriculei no curso de teatro do Centro de Convivência da Família na Cidade Nova, sendo aluno da Ednelza Sahdo. Aí pronto, ali eu me encontrei”.

Filmes inspiradores

Os clássicos “Dirty Dancing – Ritmo Quente”, “Jurassic Park” e “As Panteras” foram filmes que, por acaso, inspiraram a professora de yoga, pesquisadora e artista Ariel Kuma, a seguir as profissões que exerce atualmente. Ainda na infância, Ariel ganhou os três DVDs de presente de Natal dos pais, e anos depois, ao reassistí-los, percebeu a forte influência que esses filmes tiveram sobre sua carreira profissional.

Ariel tem um espaço cultural chamado “Kuma Espaço de Criação: Arte & Yoga”, criado após ela ter começado a estudar teatro. Com a pandemia, as aulas passaram a ser online, e quando voltou ao presencial, ela resolveu abrir o espaço de criação e institucionalizou o projeto “Incubades”, para as amigas do teatro e da dança ensaiarem no espaço. “Isso tem a ver com o filme que ganhei quando era criança, que é o Ritmo Quente (Dirty Dancing), e é uma história parecida com a minha: a menina é filha de médico, meu pai é médico também; hoje, professor de yoga. A menina ajuda os artistas a serem reconhecidos no espaço deles. Eu achei muito interessante, o pulso por justiça social, e o apoio que ela dá aos artistas do filme pra continuar trabalhando”, relembra.

Ariel é uma mulher trans travesti que acredita ser muito importante a representatividade e presença em todas as áreas artísticas e profissionais. Ela é monitora do Nupramta (Núcleo de Práticas Meditativas no Treinamento de Artiste na UEA) e Pesquisadora IC CNPq na ESAT (Escola de Artes e Turismo da UEA) em que pesquisa a presença das transgenereidades nas artes da cena no Amazonas e realiza seu registro autobiográfico.

Capacitação

Essa é mais uma história com o teatro que começou no Natal, e segue fazendo a diferença na vida do artista Dyego M., o personagem da vez, que queria muito ganhar um curso de teatro como presente na infância. O sonho foi realizado: Dyego é ator, diretor, artista da dança, performer, produtor e gestor cultural.

“Desde criança, quando a minha mãe me perguntava o que eu queria ganhar de presente, eu sempre falava pra ela: ‘Eu queria fazer um curso de teatro’. Quando foi no Natal, a minha mãe me deu um presente, que era um jogo de videogame, e disse que tinha me matriculado no curso de teatro, que eu começaria em janeiro. Eu fiquei muito feliz. Era um curso não profissional, para criança, mas já foi uma das experiências que me transformou. Eu, hoje, sempre falo pra todo mundo que o teatro é transformador na minha vida. Hoje, eu sou um profissional da área, um trabalhador da cultura, trabalho com teatro, dança, e performance”, menciona.

Assuntos
Compartilhar
Sobre o Portal A Crítica
No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.
© Copyright 2022Portal A Crítica.Todos os direitos reservados.
Desenvolvido por
Distribuído por