Terça-feira, 31 de Março de 2020
Amor pelo que se faz

Andanças de Ciganos estreia alegorias de Itamar Marinho no Carnaval de Manaus

Criador das alegorias da Andanças de Ciganos fala sobre estreia na escola e preparação do desfile com o tema: “Leite – O Líquido da Vida no Deleite do Carnaval”



itamarmarinhoandancas_0E469B84-1C13-409D-9429-CB965BDB1CB1.JPG O artista plástico Itamar Marinho e parte de uma das esculturas da Andanças de Ciganos que vão para o Sambódromo no sábado / Fotos: Eraldo Lopes
18/02/2020 às 09:25

Aos 42 anos o artista plástico Itamar Marinho é o principal responsável por criar as alegorias da Andanças de Ciganos para este Carnaval. Para o desfile 2020 a escola do bairro da Cachoeirinha, Zona Sul da cidade, vai tratar do “Leite – O Líquido da Vida no Deleite do Carnaval”.

Nascido em Parintins mas há cerca de 20 anos em Manaus, ele conta que trabalhar no Carnaval das grandes da capital amazonense é um serviço que gera visibilidade.



“Nossa expectativa é a melhor possível, como em todos os anos, em relação ao nosso trabalho. Até porquê o que fazemos no Carnaval, hoje, é uma vitrine para projetos futuros, do amanhã. Vamos fazer um bom trabalho”, disse ele, que trabalha com arte desde os 15 anos de idade e que começou com seu cunhado, o também artista plástico parintinense Assis Oliveira.

“Já trabalhamos juntos nos bois Garantido e Caprichoso, já fomos trabalhar no Rio de Janeiro e Brasília. E depois passei a fazer trabalhos sozinho, por conta própria em escolas de acesso como a Balaku Blaku, depois do Grupo Especial como a Unidos do Alvorada, onde fiquei por 4 temporadas até o ano passado. E agora estou na Andanças de Ciganos”, relata.

Trazer para o Sambódromo um enredo que vai tratar sobre o leite e toda a sua importância para a humanidade é um trabalho que está surpreendendo Itamar. “Estou surpreso pois o trabalho está até mais adiantado do que ano passado”, declara o artista plástico, que tem na equipe uma ajuda bastante especial: sua esposa Bel Costa, que é também artista plástica, aderecista e diretora do barracão da Andanças. No total, a equipe, além do casal, tem também mais 14 operários de barracão e dois xodós: dois gatinhos. 

Vida à alegoria

E como é o processo de dar vida às alegorias que vão encantar a todos no Sambódromo no próximo sábado pela Andanças de Ciganos? Com a palavra, o próprio criador Itamar Marinho.

“Nosso trabalho começa desde a ‘planta baixa’ dos carros alegóricos, depois passa para a parte da ferragem, em seguida emoldurar a escultura, pintura e a parte final que é a adereçagem e o acabamento das alegorias que é feito pela minha esposa. Mas o trabalho só acaba mesmo no dia quando o carro entra na avenida”, explica ele, sobre o serviço minucioso que vai durar em torno de cinco semanas.


À esquerda Itamar Marinho, a esposa Bel Costa e a equipe de barracão que vai dar vida às alegorias da Andanças de Ciganos

Para Itamar, além do serviço colocar a comida na mesa da família, trabalhar no Carnaval é um privilégio. “É uma coisa da qual eu gosto de fazer e que se eu trabalhasse em outra coisa não ficaria completo; me sinto um abençoado por fazer o que gostamos e ainda sermos pagos por isso”, conta o artista.

Frase

“Eu gosto do trabalho que faço no Carnaval. Me sinto um abençoado por fazer o que gostamos e ainda sermos pagos por isso”

Itamar Marinho, artista da Andanças de Ciganos

Samba, enredo e convite ao interior

O presidente da  escola de samba Wilson Benayon explica que o samba-enredo da agremiação para este ano foi encomendado para a equipe de músicos conhecida como “Alterados”.

O dirigente, que é advogado, aproveita para falar como vem a Ciganos para o desfile do próximo sábado, quando será a terceira a entrar na pista da Avenida do Samba a partir de 22h40, após a apresentação das co-irmãs Primos da Ilha (que abre o show do Grupo Especial) e Unidos do Alvorada.

“Não resta dúvida  senão acreditar no êxito desse enredo que trouxemos esse ano. A nossa bateria virá com aproximadamente 250 ritmistas, três a quatro carros alegóricos e dois módulos. Iremos desfilar com 19 alas e cerca de 70% do nosso Carnaval já está finalizado”, destaca Benayon.

Ele faz um convite ao povo interiorano para que se faça presente no desfile. “Aproveito para mandar um abraço e convidar que todos os sambistas de Manaus venham prestigiar a escola, em especial os filhos de Autazes, do Careiro-Castanho e do Careiro da Várzea porque eles são extremamente importantes nesse enredo que visa valorizar o setor produtivo de leite e dar mais credibilidade a esse ramo do agronegócio que é o que mais cresce no Amazonas”, conta ele.

Repórter de A Crítica

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