Sábado, 05 de Dezembro de 2020
REPRESENTAÇÃO

Conhecido como 'Homem Peixe', atleta parintinense Onildo Filho deixou legado

O triatleta, que morreu aos 57 anos na semana passada na cidade de Parintins, realizou grandes desafios pelas águas barrentas do Rio Amazonas



agora_agorinha_peixe_482F8E19-BF78-44E5-B201-1D54407E4453.JPG Foto: Ataíde Tenório/Divulgação
07/07/2019 às 15:03

Apelidado de Homem Peixe pelo saudoso radialista parintinense Mário Silva, Onildo Filho deixou marcado o próprio nome na história do esporte amazonense. Aos 57 anos, o triatleta deu o último suspiro, mas todo legado permanece vivo. A carreira dele iniciou no ano de 1972, aos 11 anos de idade, por meio do incentivo do pai e professor de educação física, Aderaldo Prestes, o Coalhada, que o levou para os jogos estudantis de Manacapuru (distante a 99 km de Manaus). 

“Comecei com corrida pedestre, e na minha primeira corrida, que foi lá em Manacapuru, eu tinha 11 anos. No meio de atletas que eram maiores, ganhei, e assim começou minha carreira de atleta”, declarou Onildo Filho, que dois anos depois, em 1974, iniciou a vida de corredor ciclista. Ele foi campeão em 1978 do circuito Amazonas em solo baré, e posteriormente conquistou três vezes corridas de rua disputadas em Manaus.



Em Parintins, o triatleta passou a dominar a corrida ciclística e pedestre do Sistema Alvorada de Comunicação, sendo até hoje o recordista com 14 vitórias no total. Em 1982, Onildo Filho adoeceu e ficou afastado por cerca de 14 anos das atividades esportivas por uma pneumonia. A superação do momento mais difícil de sua vida veio através de um milagre, que segundo o atleta, foi realizado por Nossa Senhora do Carmo, o qual era devoto. Em 1996, Onildo voltou a competir e venceu uma corrida pedestre no município de Barreirinha. 

Bastante emocionado, o atleta parintinense recordou em entrevista dada à A CRÍTICA sobre o milagre concedido através da padroeira da Ilha Tupinambarana.

“Depois da corrida fui ao médico fazer uma bateria de exames e no resultados a conclusão foi que eu não tinha nada. Era um milagre o que tinha acontecido comigo. No dia que ganhei a corrida, acabei dando entrevista, e no dia seguinte, saiu nos jornais sobre a história”, contou Onildo Filho.

O Sonho do Homem Peixe

“Tive um sonho lá praça do São Benedito, e lá no rio iam passando sete nadadores no Rio Amazonas descendo o Rio Amazonas”. Literalmente de um sonho, em 1996, Onildo Filho inspirou-se para realizar o primeiro desafio nas águas barrentas no maior rio de água doce do mundo. Com percurso de 53 km, o Homem Peixe realizou a prova incluindo também corrida pedestre e ciclismo.

“Imaginei na minha cabeça uma prova da comunidade do Boto, atravessar o Rio Amazonas para chegar aqui em Parintins e fazer umas cinco voltas ao redor da cidade. Mas o pessoal que me ajudava com patrocínio não gostou e disse: Se você vir da Boca do Limão pra cá, eu te ajudo, mas de lá não te ajudo, porque tu podes morrer. E aí, consegui um barco, levei a imprensa comigo e aí nós atravessamos pra outra margem, e vim descendo. E quando fiz a prova, as pessoas iam pra orla da cidade para ver o que eu estava fazendo, e muitos não acreditavam”, relatou Onildo Filho.

Na segunda prova o percurso foi de 126 km, saindo do Caburi (comunidade do interior de Parintins) e concluindo em Parintins, incluindo mais uma vez o circuito de ciclismo. Em 2000, o Homem Peixe com um tempo de 36h realizou a prova de Itacoatiara à Parintins nos moldes do triathlon com distância percorrida de 198 km.

Em 2015, aos 54 anos, o Homem Peixe decidiu pendurar as suas ‘barbatanas’. E como ‘gran finale’ da longa carreira, Onildo Filho realizou a prova de Urucará a Parintins sem intervalos com percurso de mais de 200 km. O triatleta nadou mais 25 de horas sem parar, encerrando o último desafio assim como começou aos 11 anos de idade, correndo pelas ruas da pequena Ilha chamada Parintins.

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Repórter do Craque
Jornalista formado na Ufam, campus de Parintins. Estudante de pós-graduação em jornalismo esportivo na Universidade Estácio de Sá. Repórter do Caderno de Esporte ‘Craque’ de A Crítica desde novembro de 2018.

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