Terça-feira, 10 de Dezembro de 2019
BMX

Fabrício Melo, ciclista de BMX, revela dificuldades na carreira

O ciclista de BMX, referência nacional, Fabrício Melo, o maior nome da modalidade no Amazonas, revela momentos difíceis na carreira incluindo grave lesão e falta de estrutura no Amazonas.



WhatsApp_Image_2019-10-25_at_19.53.43_B8F0895C-8C1E-4DDE-99DE-9F0AC998C45A.jpeg Foto: Acervo Pessoal
26/10/2019 às 10:41

O Bicycle Moto Cross (BMX) ou Bicicross como também é chamada, desde 1958 mistura bicicletas adaptadas e pistas de motocross. Combinação que só poderia resultar em muita diversão e campeonatos de tirar o fôlego. O que pouca gente sabe é que o solo baré produziu um atleta referência no esporte. Trata-se do manauara Fabrício Melo que, aos 28 anos, é multicampeão amazonense e sagrou-se campeão brasileiro em 2016. Tudo isso com a ressalva de que o Amazonas hoje conta apenas com uma pista dedicada à modalidade (localizada no bairro Nova Cidade, Zona Norte de Manaus). 

“Conseguimos um local pra construirmos uma pista no final de 2014 no bairro Nova Cidade. Não conseguimos mais novos atletas, acredito que por causa da falta de segurança no local”, declarou o atleta sobre a pouca visibilidade do BMX também devido à falta de opções de pistas para a prática.



O ciclista baré pratica o esporte desde os quatro anos de idade, ele revelou que recentemente superou um dos momentos mais difíceis em toda sua carreira. 

“Em maio, estava treinando para o Pan-americano de BMX, já era a última atividade antes da competição mesmo. Ocorreu que sofri um acidente que não só me deixou fora do torneio, mas do restante da temporada. Ao longo da carreira já sofri alguns pequenos acidentes, mas nada que me deixasse tanto tempo sem competir. Foram três meses parado por conta de uma fratura no braço esquerdo”, disse a respeito da lesão que o afastou das pistas até este mês (outubro), quando ele recebeu a liberação médica para voltar a praticar sua paixão.

“Nas competições desse nível sempre temos equipes preparadas pra atender os atletas e minha cirurgia foi feita rapidamente. Me sinto pronto pra voltar aos treinos e competir em grande nível”, ressaltou sobre seu processo de recuperação.

Os treinos de Fabrício acontecem pela parte da noite, pois o atleta concilia o esporte com sua profissão no ramo de vendas. No momento a pista de BMX, única do estado, está sem iluminação o que impossibilita o atleta de fazer sua preparação para campeonatos futuros.

“Treinava nas terças, quintas e sábados pela parte da noite. Agora tentamos fazer alguns treinos no domingo de manhã por conta da iluminação que basicamente não existe. Meu retorno está mais difícil do que eu imaginei que seria”, desabafou sobre a falta de cuidado com as condições de treino dos ciclistas. 

O sonho de Fabrício, mesmo sendo o maior nome do esporte na região, é que outros atletas também possam evoluir e que as novas gerações se interessem pelo BMX. Porém, ele teme que com o atual estado da pista manauara isso seja quase impossível. 

“O ciclismo BMX é muito importante na minha vida. É um esporte que me abriu muitas portas e quero isso para outras gerações também. A falta de estrutura pra suportar a chuva, o local que no momento está sem iluminação, a falta de segurança, e também tem a questão do pipeiros (papagaios) dificultam muito tudo para nós”, apontou ao relatar os diversos obstáculos “no meio da pista”.

Ainda sobre a falta de segurança e a presença de soltadores de pipa próximos à pista, Fabrício faz um relato assustador que reflete a situação do esporte na cidade. 
“Já tivemos muitos acidentes com linhas de papagaio. Meu próprio filho que já estava indo bem no esporte, com dois títulos de campeão amazonense, ficou traumatizado depois de sofrer um corte no pescoço, onde levou três pontos minutos antes de uma competição. Desde aí, ele não quis mais ir naquele local”, contou o ciclista lamentando o episódio. 

Fabrício confessa que pela falta de condições apropriadas para treinos de alto nível, já considerou sair da capital amazonense em busca de melhores locais de treino.

“Quando ganhei o Campeonato Brasileiro em 2016 eu até pensei eu ficar em algum clube de São Paulo, pela falta de apoio”, afirmou Fabrício sobre a vontade de uma mudança de ares. 

Além disso, Fabrício também precisa desembolsar dinheiro para viajar até o local dos torneios de BMX.

“A grande maioria das competições eu tirei do meu bolso para viajar. Em 2017, mesmo sendo o ano seguinte à conquista do Campeonato Brasileiro, eu não pude participar de nenhuma competição a nível nacional por falta de ajuda nesses custos”, destacou o maior expoente da modalidade no estado.  

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Repórter de A CRÍTICA

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