Quarta-feira, 03 de Junho de 2020
DIA DA MULHER

Longe do país de origem, mulheres representam a força do futebol feminino no 3B

Seis jogadoras e uma profissional de comunicação falam sobre a receptividade dos amazonenses, o duro desafio de trabalhar longe de 'casa' e até mesmo de familiares



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08/03/2020 às 20:40

Conhecido por exportar craques há anos, o futebol brasileiro precisou encontrar outra ‘rota’ para formar times de qualidade. Se na elite do futebol masculino já vemos muitos estrangeiros aterrissando em solo brasileiro para uma ‘aventura’ em outro país, no futebol feminino vemos o processo se repetir. E em alguns casos, as bagagens chegam acompanhadas.

No 3B Sport, atual campeão amazonense de futebol feminino e representante do estado na segunda divisão do Campeonato Brasileiro das mulheres, seis venezuelanas e uma colombiana fazem parte do corpo de trabalho do clube. Enquanto da Venezuela vieram as atletas, Lecsy, que faz parte da comunicação do clube, é do ‘País do Café’.



Em matéria especial do Dia Internacional da Mulher, as estrangeiras falam sobre o desafio de viver longe do país de origem, a superação do preconceito contra mulheres no futebol e a receptividade dos amazonenses. Enquanto as jogadoras Hilary e Cinthia e a profissional de comunicação Lecsy estão em Manaus, quatro atletas estão integrando a delegação da Seleção Venezuelana - três na principal e uma na equipe Sub-20. 


Junto da goleira Yessica, Petra e Natasha estão na seleção principal da Venezuela. Foto: Divulgação

Contra o preconceito

No caso das atletas estrangeiras, além do preconceito contra mulheres no futebol, a xenofobia - desconfiança com quem vem de fora do país - também é um problema que pode se fazer presente. É bom lembrar que com a crise política vivida na Venezuela, o Amazonas é um dos estados que mais recebe pessoas do país vizinho. Porém, as estrangeiras fazem questão de falar da boa recepção que tiveram em solo amazonense. “A chegada foi fácil. Graças a Deus, não foi apresentada nenhuma circunstância adversa para nós. Nos receberam muito bem aqui no 3B Sport”, afirmou Hilary, zagueira que está na Fera da Amazônia desde a última temporada.

Diferente do Brasil, porém, a Venezuela é mais restritiva com mulheres no futebol, segundo a zagueira. “Na Venezuela descriminam muito as mulheres que praticam futebol, dizem que é só para homens. Agora que o futebol feminino atingiu um nível internacional, já veem um pouco diferente”, completou.

Para Cinthia, conterrânea de Hilary, é possível olhar tanto para o lado negativo quanto o positivo. “Em referência aos homens que têm preconceito com mulheres no futebol, existe um grupo negativo e outro que apoia. É respeitável, cada um tem sua opinião, mas pensamos que isso não nos afeta em nada”, destacou a atacante da Fera.

O sacrifício da saudade

Distante do país de origem, as estrangeiras precisaram se acostumar a viver longe dos familiares. Tudo para que o caminho no futebol fosse trilhado. Afinal, com as conquistas daqui, ganham os parentes lá. “Minha família está na Venezuela, fico distante, mas ajudando com o que posso. Eles fazem muita falta, mas é um sacrifício que preciso fazer para ter êxito”, contou Hilary, jogadora que é uma parte do processo de crescimento do futebol feminino. A opinião é endossada por Cinthia. “Penso que o futebol feminino tem crescido, com o tempo, atletas e as conquistas da modalidade. Tudo isso tem contribuído para a melhora”, apontou a atacante. 


Em 2019, a zagueira Hilary foi campeã do Campeonato Amazonense com o 3B. Foto: Eraldo Lopes/Freelancer

De acordo com Lecsy, foi preciso superar olhares contrários e preconceitos para fazer com que a modalidade crescesse. “Quando jogava futebol recebia alguns comentários maldosos, até pelo fato do futebol feminino não ser bem aceito. Mas foi parte do processo. As mulheres do início precisaram assimilar para fazer com que a modalidade crescesse. O processo tem sido lento, com pontos positivos e negativos, mas o crescimento não só das jogadoras, mas do futebol feminino, é o que me importa”, concluiu a profissional de comunicação do clube.

 

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Repórter do Craque
Jornalista em formação na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e repórter do caderno de esportes Craque, de A Crítica. Manauara fã da informação e que procura aproximar o leitor de histórias – do futebol ao badminton.

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