Terça-feira, 11 de Agosto de 2020
Crise

Novos detalhes do caso Iranduba/Vegan Nation são revelados em 'dossiê'

De forma exclusiva, reportagem teve acesso a partes de contratos firmados entre o Hulk da Amazônia e patrocinador máster



7e530bdf-16a4-4632-9385-1a0aee82fccc_A667E67C-3D3F-46D4-8AAC-952DB3A27BBC.jpg Foto: Gabriel Seixas/Iranduba
19/06/2020 às 07:26

Os desdobramentos do desgaste entre Iranduba e Vegan Nation têm se alastrado nas últimas semanas. Desde a primeira matéria publicada pelo CRAQUE, em abril, sobre a falta de valor no mercado das moedas pagas ao clube pela startup israelense, pessoas supostamente envolvidas no imbróglio se manifestaram a respeito dos detalhes do negócio, falas de entrevistados e medidas judiciais do imbróglio.

Ontem (18), a equipe de reportagem obteve acesso exclusivo à parte do contrato inicial firmado em fevereiro de 2019 e ao aditivo de renovação firmado em dezembro do mesmo ano. Porém, antes de entrar na ‘papelada’, o CEO da Vegan Nation, Isaac Thomas, faz sua defesa a respeito das declarações sobre a falta de pagamento ao Verdão. 

“Eu, sinceramente, pensei em não me manifestar, mas possuo um compromisso com meus investidores. Se eles estão infelizes com o contrato desde o início, por que renovar no final de 2019? Todos os nossos parceiros sabem que tudo que pagamos é em Vegancoins (cryptomoedas citadas no contrato). Todos que fazem parceria conosco sabem que não é um investimento a curto prazo. O presidente do time sabia disso, no final do ano passado, ele assinou a mesma coisa. Quando falam que não cumprimos nossa parte, é uma absoluta mentira. Estarei entrando com uma ação contra o clube”, destacou Isaac, em chamada de vídeo exclusiva com a reportagem, sobre as acusações feitas por dirigentes do clube amazonense, ressaltando que enviará todos os documentos à CBF.



Acumulando um ano e quatro meses de vínculo, o Iranduba não pôde converter nada do recebido para quaisquer moedas ativas e passa por extremas dificuldades para ‘sobreviver’. De acordo com Lauro Tentardini, diretor de futebol feminino do clube, somando todas as dívidas com funcionários, o montante chega na casa dos R$ 600 mil em débito. A principal justificativa de Isaac Thomas é de que, em nenhum momento, o contrato trata de conversão efetiva das Vegancoins e que os prazos para a cryptomoeda ter valor de mercado foram afetados diretamente pela pandemia do novo coronavírus. 

“Nós cumprimos nossa parte de acordo com as leis brasileiras e internacionais. Todos sabem que leva tempo para construir um novo câmbio, ninguém começa a usar do dia para a noite. O contrato é o mais claro que ele poderia ser. O vírus nos colocou dentro da pior crise econômica dos últimos tempos. Pelos últimos 10 meses nós estivemos cuidando do lançamento das moedas, nunca houve uma data sólida. Em janeiro, o mercado chinês, onde nós iríamos lançar, entrou em colapso”, disse, ressaltando que o único compromisso que a empresa possui com o clube era o pagamento em Vegancoins. 

Palavra do ‘Presida’

Com o acesso à parte do contrato inicial, o CRAQUE apurou que de fato, o pagamento acordado é no formato de cryptomoedas, porém, a reclamação do presidente do Iranduba, Amarildo Dutra, é de que houve cotação a valor de meio dólar (atualmente valendo R$ 2,69)  - no site da startup, é possível verificar que tal cotação existe -, e que um dos empresários supostamente envolvidos, teria afirmado que as moedas estariam no mercado em maio. 

“Vamos usar as Vegancoins de enfeite? Quando assinamos o contrato, o representante deles na época, repassou para mim que seria em maio (entrada das moedas no mercado). Não adianta me passar moedas sem valor. Eles fizeram a cotação em meio dólar, na hora que fizemos o contrato, tanto com a gente como com Nacional, Paysandu e Remo. Ninguém é bobo de fazer um contrato sem essas garantias. Além disso, no aditivo de renovação, parte da indenização pela não validação das moedas, é uma quantia de 150 mil Vegancoins que ainda não foi depositado”, disse o mandatário do clube. 

Sobre as afirmações de Roberto Rosemberg, vice de negócios da startup israelense, onde o mesmo afirma que empresários seriam os culpados pelo imbróglio, o presidente Amarildo rechaça qualquer tipo de responsabilidade de terceiros sobre o cenário atual. 

“Assinei um contrato com a Vegan Nation, não foi com qualquer outra pessoa. Não vou comprar uma briga pessoal dele (Roberto Rosemberg) de culpar outros por uma promessa. Eu tenho como provar juridicamente que houve negociação de meio dólar. O Rosemberg vai ter de provar o que fala”, comentou a respeito do embate entre clube e empresa que se prolonga há mais de um ano. 

Contradições

A versão sustentada pelo vice de negócios da Vegan Nation, Roberto Rosemberg, também dono da RSR Licenciamento e Participações, é de que não houve nenhuma participação dele no contrato inicial firmado em 2019, apenas no aditivo - que trata de mais 750 mil Vegancoins para o ano de 2020, fora a indenização de 150 mil na mesma moeda -, assinado em Dezembro do mesmo ano. 

“Eu não conhecia nada de moeda, eu não fiz o contrato inicial com o Iranduba. Esse foi assinado com promessa para conversão em maio (de 2019), só que isso era uma fraude. Eu não sabia, fui na boa fé de outra pessoa. A evidência da participação dessas outras pessoas (dois empresários) são os presidentes que sabem da presença deles. Usaram o nome da minha empresa como quiseram e me fizeram pagar os impostos, saindo com os lucros do contrato. Depois, eu fiz realmente o aditivo (em dezembro do ano passado), para tentar ajudar. Dei um bônus de 50%, pelo fato do inicial não ter sido pago”, explicou o vice de negócios paulista que atualmente está em Israel. 

Terceira Parte

A ‘novela’ certamente terá outros capítulos visto que, todos as partes citaram medidas judiciais para tentar dar um fim ao caos do imbróglio. O dirigente Lauro Tentardini, por exemplo, não se conforma com as justificativas dadas pelo CEO da Vegan Nation, Isaac Thomas, e por Rosemberg. 

“Quando foi feito o aditivo, foi imposta a data limite do dia 30 de março deste ano para que essas moedas entrassem no mercado. Eles sempre nos passam prazos e não cumprem. Na justiça a gente ganha. O que importa são as informações que estão no contrato de renovação e lá está a data”, concluiu Tentardini sobre os pagamentos.

News whatsapp image 2019 06 21 at 16.12.51 7cbfadd4 8d2b 47cf a09e 336b83276e71
Repórter de A CRÍTICA

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.