Sexta-feira, 06 de Dezembro de 2019
AUMENTO

Amazonas desmatou o equivalente a 199 mil campos de futebol em 2019

Relatório do Inpe aponta que entre agosto de 2018 e julho deste ano a área desmatada no Amazonas totalizou 1.421 km. Dados foram divulgados nesta segunda-feira (18)



o-desmatamento-da-amazonia-original_170D2D33-DD2B-4E71-9F25-7A02AFD3C962.jpeg (Foto: Andre Penner/AP/VEJA)
18/11/2019 às 17:46

O Estado do Amazonas registrou 1.421 quilômetros quadrados (km²) de floresta derrubada entre agosto de 2018 e julho deste ano, de acordo com números oficiais divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), nesta segunda-feira (18). A área desmatada corresponde a 199 mil campos de futebol no “padrão fifa” com dimensões de 7.140 m² (105m x 68m), a exemplo do Maracanã e de outras arenas no país.

O aumento do desmatamento no Amazonas foi de 36% em relação ao período anterior, agosto de 2017 a julho de 2018, quando atingiu 1.045 km² de desmatamento. Quatro estados da Amazônia Legal foram responsáveis por 84,13% do desmatamento na região, segundo o Inpe. 



Levantamento do governo federal, a partir de dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), revelou que o desmatamento na Amazônia bateu recorde e cresceu 29,5%, entre agosto do ano passado e julho deste ano, na comparação com os 12 meses anteriores, alcançando um total de 9.762 km².

De acordo com o Inpe, o aumento é o maior da década e é a mais alta taxa desde 2008. Percentualmente, é também o maior salto de um ano para o outro dos últimos 22 anos. Entre agosto de 2017 e julho de 2018 a área desmatada de floresta atingiu o total de 7.536 km².

O desmatamento da Amazônia corresponde a área do município amazonense de Caapiranga, distante a 133 km de Manaus, que possui 9.457 km².

Marca histórica

O aumento percentual desse ano é o terceiro maior da história. Aumentos tão acentuados de desmatamento só foram vistos nos anos de 1995 e 1998. No primeiro, o crescimento foi de 95% e a taxa alcançou o pico histórico: 29.100 km² de área devastada. Já em 1998 o aumento do desmate foi de 31%.

A Amazônia Legal é formada pelos estados Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão. Apenas o Pará responde por 39,5% do desmatamento com 3.862 km² de área vegetal desmatada. 

Seguido pelos estados do Mato Grosso (17,3%), Amazonas (14,5%) e Rondônia (12,7) que Somando os quatro estados respondem por 84,2% do desmatamento na região amazônica. Acre e Roraima também se destaca, com aumento de 55% e 216% na devastação da floresta, respectivamente.

Em entrevista ao jornal O Globo, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse que o  aumento deriva de “motivos já conhecidos”, entre eles garimpo, extração de madeira e ocupação do solo de maneira ilegal.

“Se olharmos aqui, esse aumento de 2012 pra frente é a pressão das atividades econômicas, grande parte delas ilegais, sobre a floresta. E precisamos ter estratégias e alternativa econômica para a região. Algo estruturante precisa ser feito e estamos discutindo nessa linha”, declarou o ministro acrescentando, sem dar detalhes, que medidas serão debatidas e anunciadas na próxima quarta-feira em Brasília. 

Análise

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) divulgou nota informando que o total de área desmatada no Amazonas equivale a 0,09% da área total do estado. “Os dados divulgados pelo Prodes ainda são estimativas, que serão consolidadas em 2020. É importante ainda destacar que 91% do desmatamento no Amazonas está concentrado em municípios do Sul do estado, que vem sofrendo grande pressão da expansão da fronteira agrícola de outros estados da região“, diz trecho da nota.

A análise dos dados do Inpe feita pela pasta demonstra que 40% do desmatamento total do Estado está concentrado em áreas de domínio federal, com maior incidência em áreas de projetos de assentamento do Incra (34%). “As unidades de conservação de gestão exclusiva do Governo do Estado representam 0,32% do desmatamento total”.

Ex-diretor do Inpe diz que o Brasil não cumprirá meta

Em entrevista ao Congresso em Foco, o ex-presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e  físico Ricardo Galvão disse que o crescimento de 30% da área desmatada comprova os alertas emitidos em agosto e indica que o Brasil não vai conseguir cumprir a Política Nacional sobre Mudança do Clima. Instituída pela Lei 12.187 de 2009, essa política estabelece metas de crescimento econômico sustentável como a redução do desmatamento.

"O Brasil tem o compromisso, pela Lei 12.187, de até o ano de 2020 não ter um desmatamento acima de 3,9 mil quilômetros quadrados. Mas esse índice está subindo há três anos e agora chegou a quase 10 mil quilômetros quadrados. É completamente fora do compromisso do governo brasileiro", explicou Ricardo Galvão referindo-se aos dados divulgados pelo Inpe, ontem.  Em agosto, ele foi demitido do instituto após a publicação dos primeiros alertas sobre o aumento do desmatamento na Amazônia.

Galvão explicou que o aumento do desmatamento traz uma série de prejuízos para o meio ambiente e também para a economia brasileira. A redução da área da floresta amazônica pode ter impactos, por exemplo, no nível de chuvas e dos reservatórios de água do país. As queimadas ainda aumentam a emissão dos gases de efeito estufa e, como são frequentemente associadas ao aumento das plantações agrícolas, podem desencadear punições de mercados estrangeiros. Os parceiros comerciais do Brasil podem, por exemplo, reduzir a importação de produtos agrícolas brasileiros em resposta ao aumento do desmatamento.

"As exportações podem ser afetadas porque a competição é grande e vão começar a usar essa imagem de que o Brasil está desmatando para produzir agricultura", avaliou Ricardo Galvão.

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