Segunda-feira, 22 de Julho de 2019
DESAFIO

Falta de energia elétrica atinge 2 milhões de pessoas na Amazônia, aponta instituto

Segundo especialista, questão logística e financeira é obstáculo para que eletricidade chegue às comunidades ribeirinhas



energia_1ACEFE55-34CE-4884-B1FD-069A94266F3D.JPG Foto: Jair Araújo
11/02/2019 às 09:45

Estima-se que mais de dois milhões de pessoas na Amazônia vivem em comunidades isoladas sem acesso à energia elétrica. Os dados do Instituto Socioambiental (ISA) dizem, ainda, que em boa parte dos locais onde há eletricidade, ela só existe por meio de alternativas socioambientais que não são provenientes dos meios convencionais proporcionados pelas grandes distribuidoras de energia.

A maior dificuldade, de acordo com o especialista em energias renováveis Ciro campos, ainda é a questão logística e financeira para a implantação de sistemas com potencial para a geração de energia alternativa, como é o caso da solar, biomassa e off grid (fora da rede), mais viáveis para a nossa região.

“O desafio é grande, não é simples de resolver isso. Não é uma coisa que você resolve somente com vontade. Tem desafios que são técnicos. Precisa entender quais são os equipamentos que funcionam melhor aqui na nossa região. Temos desafios logísticos que empatam a viabilidade e o preço desses sistemas no final das contas. Fora a dificuldade de captar recursos para investir nesses sistemas. Mas a gente acredita que esse desafio pode ser vencido. Só precisa de empenho das partes envolvidas e do poder publico”, afirma.

Na visão de Marivelton Barroso, morador do Município de São Gabriel da Cachoeira e diretor-presidente da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), a maior dificuldade é justamente a falta de interesse do poder público, principalmente para as comunidades indígenas e ribeirinhas, mais isoladas.

Para ele o potencial na região é grande e isso pode sim ser atrelado a preservação do meio ambiente.

“Em muitos locais, onde a distribuição convencional não chega, isso no caso de São Gabriel, os recursos para funcionamento de energias são próprios, mas muitos ainda dependem de energia a combustível fóssil, como os pequenos grupos geradores de médio porte para poder iluminar e gerar energias. Em outros temos pequenas iniciativas alternativas, mas temos potencial grande na região, que precisa ser expandido. São meios e mecanismos que a gente pode desenvolver, discutir, implementar e fazer com que no País também seja um modelo de demonstrações alternativas de energia limpa”, explica.

Seminário vai debater alternativas

Levar energia elétrica às comunidades isoladas do Amazonas de uma forma sustentável é o foco da discussão da Feira e Simpósio de Soluções Energéticas para Comunidades da Amazônia (Energia & Comunidades). A ideia é promover a inclusão energética de comunidades isoladas na Amazônia, que não são atendidas pelo Sistema Interligado Nacional (SIN).

No evento serão debatidas alternativas para substituir os combustíveis fósseis, como gasolina e diesel, por fontes renováveis não poluentes, mais baratas e sustentáveis, além de mostrar as inovações no setor de energia. O encontro acontece entre os dias 25 a 28 de março, no centro de convenções Vasco Vasques, na avenida Constantino Nery.

A escolha de Manaus, como sede do encontro internacional, segundo os organizadores, é pela proximidade dos locais isolados e com a falta desse recurso atualmente mais presentes na região amazônica.

“A proposta do evento é colocar isso em discussão. Colocar esse publico dentro do radar do governo. O governo atingiu mais de 99 % de ligações com o Programa Luz para Todos, a universalização atingiu virtualmente todo o Brasil, mas essa fração que falta esta aqui. A ideia é que a gente possa dar esse passo e apressar esse processo. A gente que colocar essas pessoas o radar dos atores interessados para que em breve a gente já tenha um avanço disso”, explicou Ciro Campos, um dos organizadores do evento.

Projetos alternativos em vista

Em algumas áreas isoladas da Amazônia, ONGs já fazem projetos com o intuito de estudar as possibilidades disponíveis para levar energia elétrica a essa população, como é o caso de um projeto realizado pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), no Xingu.

O programa visa à instalação de painéis solares para gerar eletricidade para comunidades do Parque Indígena do Xingu.

Além disso, o órgão também esta fazendo um estudo sobre os sistemas de eletricidade nessas comunidades.

“Esse tipo de levantamento com populações indígenas é fundamental. Isso porque as soluções dependem do contexto de cada grupo social. As políticas de tarifa social, que subsidiam totalmente a tarifa elétrica para famílias que consomem até 50 Kwh por mês, por exemplo, não funcionam necessariamente num contexto indígena, pois foi pensada para um ambiente urbano”, comenta o Pedro Barra, pesquisador do IEMA.

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