Sexta-feira, 20 de Setembro de 2019
RELATÓRIO

Mais de 2 mil famílias foram vítimas de conflitos agrários na Amazônia, diz CPT

Relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT) apontou ainda que 482 mulheres sofreram violência em conflitos no campo, durante o ultimo ano



amazonia_EF8CB88E-FABC-497D-8490-9E370D76E722.JPG Foto: Arquivo / AC
17/08/2019 às 09:52

A região amazônica concentra mais de 56% dos conflitos de terra registrados no Brasil. Em todo o País foram registrados 1489 conflitos ano passado, com 28 pessoas assassinadas e 960.342 pessoas envolvidas nos episódios violentos - um aumento de 3,9% em relação a 2017, quando foram registrados 1,431 conflitos. Os dados foram apresentados,  nessa quinta-feira (15), durante o lançamento da 34° edição do Caderno de Conflitos do Campo da Comissão Pastoral da Terra (CPT), no Centro de Formação da Arquidiocese de Manaus (Cefam), Centro de Manaus.

O bispo da prelazia de Itacoatiara e vice-presidente da CPT, dom José Ionilton, declarou que deseja que os dados divulgados no relatório da CPT tragam à luz aos dados dos conflitos no campo para que assim as mãos (da sociedade e do poder público) sejam estendidas em defesa dos camponeses, dos ribeirinhos e dos povos indígenas.

“A situação é agravante. A CPT, através de uma equipe, faz um levantamento rigoroso onde um fato violento aconteceu para consolidar os dados. Muitos episódios violentos nem chegam ao conhecimento do grande público, exceto quando acontece uma tragédia de grandes proporções, por isso a importância do relatório anual da CPT”, disse. 

Outro dado preocupante é que, ano passado, foram registrados 28 assassinatos no campo em todo o território nacional. Dessas mortes, 24 aconteceram na Amazônia Legal (16 no Pará, seis e Rondônia e dois no Mato Grosso). Houve, também, 28 tentativas de homicídio (17 delas na região amazônica) e 165 ameaças de morte (121 delas na região).

Mortes no Amazonas

O Amazonas não registrou nenhum assassinato no campo ano passado. Em contrapartida, só na primeira metade desse ano, quatro mortes já chegaram ao conhecimento da equipe da CPT. Três delas estão em fase de investigação e uma (confirmada) foi motivada por conflito envolvendo um imóvel, adiantou o geógrafo e agente da CPT da Arquidiocese de Manaus, Tiago Maiká.

“Um líder comunitário foi assassinado no município de Lábrea , distante 701 quilômetros de Manaus, no Sul do Amazonas, por conflito fundiário. Nessa região, inclusive, os camponeses estão mais vulneráveis. Na Região Metropolitana de Manaus são as lideranças indígenas os mais atingidos por essa violência. Do ano passado até hoje a gente tem visto uma acentuação na quantidade de conflitos no campo. O que nos preocupa é o crescimento de casos de violência física contra os camponeses”, destacou Maiká.

O caso a qual ele se refere aconteceu em abril desse ano quando pistoleiros invadiram um seringal, atearam fogo às casas e mataram o camponês Nemis Machado de Oliveira, de 50 anos, líder das famílias de posseiros do Seringal São Domingos, que fica na tríplice divisa entre os estados de Acre, Amazonas e Rondônia.

Desde 2016, nessa região, cerca de 140 famílias vivem da extração da borracha e de pequenas lavouras na região, que possui longo histórico de conflitos envolvendo grileiros, fazendeiros e madeireiros.

Expulsos sem decisão

Outro destaque do Caderno de Conflitos do Campo é que, no Brasil, 2.307 famílias foram expulsas de suas terras sem ordem judicial - um aumento de 59% em relação a 2017. Já o número de famílias envolvidas nesses conflitos foi de 118.080, 11,2% maior que em 2017.

Mulheres

Neste ano, o relatório da CPT homenageou a irmã Alberta Girardi, falecida em dezembro de 2018, e a vereadora carioca, Marielle Franco, assassinada em abril de 2018, e apresentou um recorte relacionado à questão da violência contra a mulher.

Segundo levantamento da CPT, foram 482 mulheres que sofreram violência nos conflitos no campo: 36 delas foram ameaçadas de morte, seis sofreram tentativas de assassinato, 15 foram presas, duas torturadas, seis sofreram ferimentos, duas morreram em consequência dos conflitos, uma sofreu aborto e 400 foram detidas.

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Repórter do caderno de Cidades - Jornal A Crítica

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