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Amazônia
ANIMAIS

Peixes-bois resgatados de cativeiros no AM vão para readaptação em habitat natural

Os quatro mamíferos “Iúna”, “Ajuricaba”, “Puraquequara” e “Anibá” terão alimento natural e contato com a temperatura da água e outras espécies como quelônios e peixes 03/10/2018 às 12:00
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Os animais terão que se adaptar às condições naturais e de maneira indepedente (Fotos: Euzivaldo Queiroz)
Karol Rocha Manaus (AM)

Eram 5h quando começou a viagem das quatro peixes-bois fêmeas “Iúna”, “Ajuricaba”, “Puraquequara” e “Anibá” para o semicativeiro Lago do Belarmino, localizado na Fazenda Seringal 25 de Dezembro, área rural de Manacapuru, a 70 quilômetros de Manaus, onde eles vão se preparar para a readaptação ao habitat natural.

Biólogos e especialistas do Instituto de Pesquisa da Amazônia (Inpa) e Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa) acompanharam em comboio a translocação dos animais. A partir de agora, elas terão que se adaptar às condições naturais de maneira independente. No semicativeiro, os peixes-bois ficarão há, pelo menos, um ano e depois serão soltos nos rios da Amazônia.

“Esses animais passaram por um longo período em cativeiro para reabilitação. Elas têm de três a oito anos e agora é uma nova etapa que a gente fica muito feliz em trazê-los para esse lugar de semicativeiro, etapa anterior a soltura definitiva no ambiente natural”, explica o biólogo, Diogo de Souza.

No semicativeiro, os mamíferos terão alimento natural, contato com a temperatura da água e ainda, a presença de outras espécies como quelônios e peixes. “Os candidatos mais aptos que serão escolhidos em breve para serem devolvidos a natureza”, conta ainda o biólogo, que é coordenador do Programa de Reintrodução desenvolvido pelo Projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia do Inpa. “Os peixes-bois passaram por um momento de readaptação, chegaram ainda filhotes ao instituto, foram amamentados há quase dois anos e depois foi ofertado tanto alimento natural como vegetais cultivados e aqui, realmente, é um momento em que eles estarão sozinhos e vão ter que se acostumar com as condições da natureza”, explicou.

Com os quatros peixes-bois introduzidos ontem no semicativeiro, há um total de 25 animais. O Programa de Reintrodução possui dez anos de existência e o biólogo responsável ressalta os bons resultados para a vida dos animais. Segundo ele, 19 peixes-bois já passaram pelo mesmo período de adaptação e já estão soltos no Rio Purus.

“Já tentamos reintroduzir os animais diretamente do cativeiro para a natureza, mas eles tiveram várias dificuldades em se adaptar. E aí revisamos o protocolo e inserimos essa etapa de pré-soltura”, explica. “Depois que a gente inseriu a etapa de semicativeiro, tivemos 100% de sobrevivência dos animais. O cinto de monitoramento dura dois anos e esse tempo é o suficiente para confirmar que os animais se adaptaram novamente ao ambiente natural”, completa.

A ação faz parte do Projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia executado pela Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa),  em parceria com Inpa e Universidade de Kyoto (Japão), patrocinado pela Petrobrás.

Animais monitorados

Para essa nova fase, os peixes-bois são acompanhados semanalmente pela equipe do Associação Amigos do Peixe-boi  (Ampa) no semicativeiro.   Já as capturas acontecem uma vez ao ano para a coleta de sangue e análise de fezes. “A gente espera que eles se adaptem bem a esse novo ambiente. Aqui ele vai ter as mesmas condições da natureza, como uma água mais escura e a possibilidade de comer plantas aquáticas. Isso vai ser avaliado depois, nós vamos recapturar o animal e ver em que condições ele está”,  conta o veterinário Anselmo D´Affonseca, também do Inpa.   Quem caçava peixe-boi era o pescador Madson Fernandes, 48. Hoje em dia ele é um dos cuidadores dos animais. “Todos os dias estou aqui perto do lago para cuidar deles e observar se está tudo bem”, explicou.

Equilíbrio

O peixe-boi da Amazônia (Trichechus Inunguis) é extremamente importante para o equilíbrio dos rios da Amazônia. “Por alimentar-se de plantas aquáticas ele consegue controlar toda a biomassa de macrófitas aquáticas que tem no rio”, afirma o biólogo Diogo de Souza.

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