Sábado, 15 de Agosto de 2020
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Rede formada por comunicadores indígenas é eleita herói da informação mundial

Rede Wayuri se distinguiu por sua luta pela liberdade de imprensa em um momento de crise excepcional



ind_gena_06B23220-FEAC-4489-A09B-45C89F9BE282.jpg Foto: Divulgação
22/06/2020 às 19:54

A Rede Wayuri, formada por comunicadores indígenas, foi eleita pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) como um dos 30 heróis da informação em nível mundial. A lista, divulgada semana passada, contemplou pessoas e meios de comunicação que contribuíram para salvar vidas durante a pandemia do novo coronavírus. Segundo a nota divulgada pela organização, os comunicadores da Rede Wayuri não mediram esforços para manter 750 comunidades indígenas da Região Amazônica informados durante a crise mundial de saúde.

A Rede Wayuri, que conta com a assessoria do Instituto Socioambiental (ISA), foi criada em novembro de 2017 e é composta por 20 comunicadores indígenas de 10 etnias - Baré, Baniwa, Desana, Tariana, Tukano, Tuyuka, Wanano, Yanomami, Piratapuia e Hupdah. Uma das frentes de trabalho do grupo é o boletim de áudio Wayuri que leva informação sobre os territórios indígenas do rio Negro para 750 comunidades. O material é distribuído mensalmente por meio da radiofonia, transmissão de arquivo por bluetooth ou aplicativos como o “ShareIT” e o “WhatsAPP”.



Assim como os outros veículos e comunicadores eleitos pela lista, a Rede Wayuri se distinguiu por sua luta pela liberdade de imprensa em um momento de crise excepcional. "Os jornalistas [escolhidos] publicaram informações confiáveis sobre a gravidade da pandemia, denunciando falhas na gestão das autoridades de seus países, contribuindo, assim, para resistir à censura e lutar contra a desinformação galopante que põe a saúde das populações em risco", ressaltou a organização Repórteres Sem Fronteiras, com sede em Paris, na França.

Uma das principais missões da Rede Wayuri de Comunicação Indígena é, justamente, circular informações pelas redes sociais em forma de vídeos, fotos, lives, áudios e textos, visando fortalecer a autonomia dos povos indígenas a partir da produção de suas próprias narrativas.

“A eleição da Rede Wayuri entre os 30 heróis da informação durante a pandemia da Covid-19 em todo o mundo é um reconhecimento ao jornalismo de base comunitária que tem sido feita na Amazônia por 23 povos indígenas do Rio Negro. Foi uma surpresa boa o reconhecimento da organização ao trabalho que vem sendo feito, por exemplo, em carros de som nas ruas, podcasts e áudios levando informações sobre a Covid-19 na língua indígena”, destacou a jornalista do ISA Juliana Radler, que orienta os trabalhos da Rede Wayuri.

De acordo com uma das comunicadoras da rede, Cláudia Ferraz, da etnia Wanano, estar na lista de heróis da informação da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) é uma prova de que o trabalho da Rede Wayuri está sendo valorizado em nível mundial.

“Levar informação às populações indígenas durante a pandemia não tem sido fácil, mas nós continuamos na luta, sabendo que podemos salvar vidas com as informações corretas, orientando os povos a se prevenirem contra essa doença”, disse.

Carro de som

Durante a pandemia, as ações de prevenção ao novo coronavírus foram reforçadas em São Gabriel da Cachoeira, distante 850 quilômetros de Manaus, com a circulação de um carro de som nas ruas da cidade veiculando com mensagens de alerta contra a doença e orientando sobre as medidas de prevenção.

O carro de som percorreu diariamente vários circuitos de São Gabriel na área urbana e periurbana até meados do mês de maio a fim de alertar a população sobre as medidas de prevenção, inclusive por meio de áudios nas línguas indígenas da região - gravadas por Cláudia Ferraz, do povo Wanano, e Lucas Matos (Tariano), ambos da Rede Wayuri.

“Muita gente não tem como se informar pela internet. Então, o carro de som levou informação de acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde", disse Edneia Teles, da etnia Arapaso, membro do Departamento de Comunicação da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn).

Podcast

A Rede Wayuri também tem como uma de suas missões combater as notícias falsas produzidas contra os indígenas, lutando contra os estereótipos e preconceitos produzidos com o intuito de distorcer a realidade e ferir a imagem dos povos indígenas visando interesses econômicos e políticos. É possível seguir o canal do áudio Wayuri no Soundcloud (https://soundcloud.com/wayuri-audio).

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Repórter do caderno Cidades do jornal A Crítica. Jornalista por formação acadêmica. Já foi revisor de texto de A Crítica por quatro anos e atuou como repórter em diversas assessorias de imprensa e publicações independentes. Também é licenciado em Letras (Língua e Literatura Portuguesa) pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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