Sábado, 22 de Fevereiro de 2020
CONECTIVIDADE

Seminário debate soluções para internet em regiões remotas da Amazônia

Desafios e soluções para levar conectividade digital de qualidade a populações e comunidades afastadas foram compartilhados e apresentados durante evento na FAS



conectividade-amazonia_B28403E3-A106-463D-B924-C7DD9DD8A813.JPG Foto: Divulgação
12/06/2019 às 22:19

Conectar-se ao mundo digital parece uma realidade ainda distante para a população que vive em áreas mais afastadas, no Amazonas. E alternativas como a implantação de satélite em conjunto com a rede rádio foi uma das possibilidades apresentadas durante o “I Seminário sobre conectividade digital em áreas remotas da Amazônia” realizado, nesta quarta-feira (12), na sede da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), localizada no Parque 10 de Novembro, Zona Centro-Sul de Manaus

A iniciativa realizada pela FAS e Banco Mundial, em conjunto com a Secretaria de Estado de Planejamento, Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia e Inovação (SEPLANCTI) e Processamento de Dados Amazonas S/A (Prodam), reuniu outras entidades com o intuito de apresentar resultados preliminares de um estudo de viabilidade técnica, institucional, financeira e social de soluções de conectividade digital para as comunidades ribeirinhas de Unidades de Conservação do Estado do Amazonas.



O superintendente geral da Fundação Amazônia Sustentável, Virgílio Viana, afirma que o desafio é levar internet para mais de 500 comunidades distribuídas pelo Amazonas, em que há a presença dos pólos da fundação. Ele afirmou que o debate teve por finalidade aprofundar e discutir possibilidades e alternativas para o problema.

“A ideia é que a gente possa a partir desse estudo, identificar quais são as opções mais atraentes para diferentes circunstâncias e o produto desse seminário será um relatório”, disse.

“Nós contratamos uma consultoria, e esse consultor vai apresentar a análise que fez. É uma análise técnica de alto nível e vai ser exposto para que as pessoas que estão envolvidas com diferentes iniciativas possam avaliar se essa análise foi apropriada ou não, se precisa passar por uma revisão, mas o produto final será um relatório que será público para que a gente possa subsidiar não apenas estratégias da FAS, mas de outras instituições”, acrescentou.

Para o consultor do projeto, o engenheiro e professor Ademir Lourenço, o déficit de conectividade na Amazônia é “quase total”. De acordo com ele, o estudo aponta tecnologias baseadas em nove Centros de Conservação em que a FAS apóia e estabelece parâmetros do que existe atualmente e do que é possível ser feito.

“O relatório aponta para que em um curto prazo e em um médio prazo, a solução para esses centros comunitários seja satélite em conjunto com a rede rádio. O satélite provém internet e a rede rádio distribui a internet dando conectividade para as comunidades”.

Conforme ele, o satélite apesar de ser uma das formas que solucionará o problema de forma mais rápida, demandará um alto custo.

“Tem os prós e os contras. O satélite ainda é uma solução muito cara então quem vai sustentar esses custos? Essas são questões que a gente precisa debater, mas resolveria o problema quase que de imediata. Temos outras opções como fibra ótica. O Amazônia Conectada é uma solução que já está bem avançada, mas temos problemas, a fibra está quebrada e o tempo de manutenção disso? Será que o ribeirinho consegue esperar seis meses para consertar uma fibra? É muito difícil”, ponderou ele.

O representante da Agência Nacional das Telecomunicações (Anatel), o gerente de Universalização e Ampliação do Acesso da Agência Nacional, Eduardo Jacomassi, afirma falta de infraestrutura na região e pontuou as alternativas que poderiam solucionar o problema, mas a longo prazo.

“Existem algumas iniciativas do Governo Federal. A gente tem novas estruturas de 4G que devem ser implantadas ao longo dos próximos anos em localidades que não são a sede dos municípios, são localidades menores que precisam ter cada vez mais essa conectividade”, afirmou, acrescentando que há recursos no fundo de universalização que precisam ser liberados para o investimento necessário em infraestrutura.  

“Basicamente é isso, ampliar a infraestrutura, ampliar os cabos de fibra óptica que interligam os municípios, ampliar a cobertura móvel do 3G para 4G em todas as localidades para que as pessoas a partir da infraestrutura que é o básico, possam aí sim, desenvolver os seus negócios, a educação, enfim sem infraestrutura não dá nem para a gente começar”, finalizou.

Possíveis soluções

Por parte do Governo do Amazonas, o diretor-presidente do Processamento de Dados Amazonas S/A (Prodam), João Guilherme Moraes, apresentou a situação atual da conectividade digital no Estado. Ele destacou projetos como Amazônia Conectada, idealizada ainda em 2015, mas que foi desativado em 2017, o Gasoduto Coari-Manaus e Linhão de Tucuruí.

“Nós colocamos inclusive no programa do atual governo, o Amazônia Conectada. O governo está empenhado em implantar o projeto e em conjunto com o Exército Brasileiro, a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e a Telebrás assim que o Exercito definir quem vai comandar o departamento de ciência e tecnologia deles, a partir daí, vamos reativar as negociações e vamos começar a implantação”.

Conforme dados da Prodam, o custo, ate o momento, do Programa Amazônia Conectada foi de R$ 40 milhões com aproximadamente 900 Km de cabos lançados. Seis cidades foram atendidas como Manaus, Iranduba, Manacapuru, Coari e Tefé (infovia do Solimões), Novo Airão (infovia do Rio Negro) e aproximadamente 2.400.000 pessoas beneficiadas.  A princípio, a expectativa era de beneficiar cerca de 7 milhões de pessoas e que projeto chegasse a 52 municípios amazonenses

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Repórter de Cidades
Jornalista formada pela Uninorte. Apaixonada pela linguagem radiofônica, na qual teve suas primeiras experiências, foi no impresso que encarou o desafio da prática jornalística e o amor pela escrita.

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