Novo cacique da Invasão dos Índios, no Nova Cidade, disse que líder da facção criminosa, por meio de uma videochamada, gravada de dentro de um presídio da capital, teria o ameaçado
(Foto: Jair Araújo)
O cacique da etnia Apurinã Adnael Farias de Souza contou, na manhã desta sexta-feira (14), que está sendo ameaçado por um líder da facção criminosa Família do Norte (FDN). Ele foi testemunha ocular da execução do cacique Mura William Machado Alencar, o Cacique Onça Preta, de 42, morto com 7 tiros na tarde de quinta-feira (13), na área conhecida como Invasão dos Índios, no bairro Nova Cidade, na Zona Norte de Manaus.
Na manhã de hoje, famílias de 17 etnias que ocupam o local realizaram uma manifestação para que os órgãos judiciários legalizem a área para a construção de moradias.
Major Marcelo Matos, da 15° Companhia Interativa Comunitária (Cicom), disse que a Invasão dos Índios se trata de uma área de preservação tombada pela União, e que vem sendo ocupada de forma irregular até pelos próprios índios há cerca de 3 anos. Membros de facções criminosas têm tentado se infiltrar para tomar a área para o tráfico de drogas, possível motivo da morte do Cacique Onça Preta, que não permitia qualquer ação criminosa na região.
O cacique Adnael, que assumiu a liderança da comunidade, afirmou que ontem um dos líderes da FDN pediu que um de seus membros levasse um celular e, por meio de chamada de vídeo, o criminoso de dentro da cadeia o ameaçou de morte e lhe deu um prazo para a retirada dos índios.
“A terra é nossa, vamos sair por quê? Pode avisar pra esse João Branco aí que eu não tenho medo e não vou sair daqui não, ele não vai me matar não, vai matar minha carne, mas eu volto como espírito”, finalizou o cacique Adnael, afirmando temer apenas pela vida dos filhos, que presenciaram também a morte do Onça Preta, e que ainda estão em estado de choque.
O índio afirmou também que deseja proteção da Justiça e, se houver demora, várias etnias irão se deslocar para ocupar as rodovias que ligam Manaus a outros municípios.