Quarta-feira, 24 de Abril de 2019
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CRIME DO HILÉIA

Assassino de tia e sobrinho diz que matou por não conseguir fazer ‘programa’

Ângelo Ricardo da Silva Júnior, 18, disse à reportagem que tentou quatro vezes manter relações sexuais com Alexsandro Mateus Araújo de Lima, 31, e em todas ele não conseguiu ter ereção


19/12/2018 às 03:07

O duplo homicídio da bioquímica Arlete Pinheiro de Araújo, 70, e do sobrinho dela Alexsandro Mateus Araújo de Lima, 31, que ficou conhecido como o “Crime do Hiléia”, colocou fim no sonho de ser médico do  estudante de enfermagem de Ângelo Ricardo da Silva Júnior, 18, que confessou ter matado os dois. O universitário falou com exclusividade para a reportagem do Portal A Crítica. “Eu acabei com a minha vida, com a vida deles (das vítimas) e com a da minha família”, resumiu o assassino confesso.

Ângelo Ricardo disse que, no dia do crime, faltou à aula para ir à casa de Mateus Araújo, que havia conhecido por meio da rede social Facebook havia uma semana. “Ele pediu para me adicionar e eu aceitei. Nós passamos a conversar e o Mateus me disse que tinham muito dinheiro, que era fotógrafo de moda e precisava de modelo. Disse que eu era bonito e tinha jeito de modelo”, contou.

De acordo com Ângelo, a vítima prometeu lhe dar R$ 100 para que ele fosse a sua casa e deixasse ser fotografado.  “Quando eu cheguei na casa dele, fui convidado para entrar, tomamos café juntos e depois fomos para o quarto dele jogar videogame”, revelou o universitário.

Conforme o suspeito, em determinado momento, Alexsandro propôs para que eles tivessem relações sexuais e prometeu que lhe daria R$ 300 pelo sexo.  Ângelo disse que inicialmente não aceitou, mas acabou cedendo, porém  tentaram quatro vezes e em todas ele não conseguiu ter ereção. 

Irritado, Alexsandro passou debochar de Ângelo, o que o deixou irado e, em determinado momento, os dois começaram a se agredir fisicamente. “Eu perdi a cabeça e apliquei um golpe (de artes marciais) e o joguei ao chão. Ele ficou caído agonizando e eu entrei em desespero”, revelou.

O jovem disse que arrastou a vítima para o banheiro e começou a desarrumar o quarto, tirando as gavetas do lugar e espalhando roupas pelo chão para simular um assalto. “Nesse momento, a tia dele bateu na porta perguntando o que  estava acontecendo e eu respondi que não estava acontecendo nada e que estava tudo bem”, disse ele.

O universitário contou que vestiu a roupa da vítima e colocou seus acessórios, pois pretendia sair da casa sem levantar suspeita e ser identificado pelas imagens das câmeras de segurança das casas da rua e quando tentava sair de casa se deparou com Arlete que estava indo para a cozinha.  O relato de Ângelo termina aí. Ele se negou a contar para reportagem como matou Arlete.

Para a polícia, o universitário disse  que encontrou a bioquímica no corredor e ela ficou desesperada quando viu o que tinha acontecido e, para contê-la, fez com ela o mesmo que havia feito com Alexsandro.  A mulher foi arrastada para o banheiro porque na roupa dela havia sangue do assassino e ele a colocou debaixo do chuveiro.

Depois do crime, Ângelo disse que foi para casa de um colega e só voltou para a casa dos pais, no conjunto Santos Dumont, Zona Oeste, perto da meia-noite. “Eu contei para os meus pais. Disse para ele que tinha feito uma grande besteira. O meu pai disse que não vai compartilhar com o que eu fiz e que eu vou pagar pelos meus atos, mas vão estar ao meu lado, vão me ajudar”, disse.
 

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Família quer  justiça por  crime brutal

Arlete e Alexsandro foram achados mortos com as cabeças esmagadas no dia 4 de dezembro deste ano dentro da casa onde moravam, no conjunto Hiléia, redenção, Zona Centro-Oeste. As duas vítimas estavam despidas e com violentas marcas de agressão no chão dos banheiros da residência. 

Um relatório do Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops) que o Portal A CRÍTICA teve acesso mostrou que Arlete, além de ter tido a cabeça esmagada e esfaqueada várias vezes, levou uma tesourada na testa.

Ângelo acabou preso no último sábado por policiais da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros no município de Presidente Figueiredo, a 117 quilômetros de Manaus, após ter sido reconhecido por moradores através da imagem dele, que foi registrada por câmeras de segurança do Hiléia e divulgada pela polícia. 

Familiares das vítimas que foram ontem a Delegacia Geral (DG) onde Ângelo foi apresentado à imprensa, demonstraram revolta e pediram Justiça para o assassino. 

 Jovem disse estar arrependido​

Ângelo Ricardo disse   que está arrependido e ontem chegou a se ajoelhar  diante da família das vítimas e pediu perdão. Durante a entrevista ao A CRÍTICA, por várias vezes, ele se emocionou e disse que tem consciência da gravidade dos seus atos.

Ângelo é o filho mais velho de três irmãos. Filho de uma pedagoga e de um professor de educação física, sempre estudou em escola particular, cursava faculdade particular e o principal sonho dele era ser médico como o avô. De acordo com ele, todos os anos a família se reúne e viaja para passar o Natal e Ano Novo no Rio de Janeiro (RJ); a viagem deste ano, inclusive, já estaria  programada.

“Eu não sou um marginal, entrei nessa por um acaso”, afirmou. O rapaz disse que nunca se relacionou como homossexual, que é hétero e tem uma namorada adolescente que está grávida dele. 

“Eu queria muito constituir família e ter filhos. Agora não sei mais o que vou fazer”, disse o rapaz. Ângelo disse ainda  que vai sentir falta da liberdade, de ficar em casa jogando videogame e da companhia da família.

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