Manifestação

‘Eu perdi uma grande amiga e confidente’, disse mãe de mulher trans assassinada

O suspeito do crime, um Policial Militar, foi preso na quinta-feira (18)

Filipe Távora
19/02/2021 às 14:44.
Atualizado em 09/03/2022 às 09:06

(Foto: Phill Limma)

“Eu perdi uma grande amiga e confidente”. A declaração é de Hylma de Souza Silva, 41, mãe de Manuella Otto, 25, que foi morta com um tiro nas costas. Hylma se juntou à uma manifestação feita em frente à Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), situada no bairro Jorge Teixeira, na Zona Leste da cidade, na manhã desta sexta-feira (19).

O principal suspeito de ter matado Manuella é o policial militar Jeremias da Costa Silva, segundo o delegado Charles Araújo, titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS).

Hylma afirmou que o sorriso de Manuella é o que deixa mais saudade. “Sinto falta de ligar para ela, brigar, escutar o ‘mãezinha’ que ela falava”, disse.

A mãe da vítima morava junto dela, no bairro Nova Cidade, na Zona Norte de Manaus. Manuella nunca havia comentado a respeito do policial à mãe, segundo Hylma. “Espero que ela não seja mais uma na estatística”, afirmou.

Conforme Charles Araújo, Jeremias permaneceu em silêncio durante primeiro depoimento à polícia. O homem foi preso na tarde de quinta-feira (18). “Conseguimos provas que apontam o suspeito como autor desse fato”, afirmou o delegado.

As equipes de investigações levantaram hipóteses sobre a existência de um relacionamento passado entre Jeremias e Manuella, mas nada nesse sentido foi confirmado, ainda. As investigações seguem e devem terminar no decorrer da próxima semana, segundo Araújo.

Luta

O diretor presidente do Instituto de Articulação de Juventude da Amazônia (Iaja), Marcos Rodrigues, que trabalhou com Manuella, afirmou que teve acesso a informações que levantam a suspeita de que a atriz teve um relacionamento amoroso com Jeremias, durante a adolescência, em um colégio da capital. “Essa questão da homofobia da parte do Jeremias não é de agora”, afirmou Rodrigues.

O diretor presidente do Iaja conheceu Manuella em 2014. Segundo Rodrigues, ela integrou a equipe de educadores sociais da instituição, que desenvolve projetos voltados a adolescentes da Amazônia.

“Ela sentia a necessidade de militar a partir da luta social pelas trans. Ela era uma pessoa muito expressiva. Viajou pelo Partido dos Trabalhadores (PT), representando as mulheres trans da Amazônia”, contou.

Manuella sofreu preconceito durante a fase de transição para mulher trans, de acordo com Hylma. “Ela não gostava de estar em tabernas, porque não gostava que mexessem com ela. Às vezes falavam palavras pejorativas, o que a deixava triste”, relatou.

Hylma espera que Jeremias permaneça preso. O caso segue em investigação pela Polícia Civil (PC).

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