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Interior
ARQUEOLOGIA

Moradores da zona rural de Parintins acham urna funerária de mil anos no quintal de casa

Material arqueológico foi encontrado enquanto comunitários estavam fazendo uma obra. Urna indígena remonta a período que antecede a chegada dos europeus à América, segundo pesquisadores 06/08/2018 às 19:37 - Atualizado em 15/08/2018 às 12:57
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Foto: Divulgação
Vitor Gavirati Manaus (AM)

Uma urna funerária indígena a qual pesquisadores estimam ter entre 1 e 1,3 mil anos foi encontrada por moradores da comunidade rural Santa Rita, localizada a 52 km da sede do município de Parintins, na última semana. A identificação do material arqueológico encontrado pelos comunitários foi divulgada, nesta segunda-feira (6), por um grupo de pesquisadores do Centro de Estudos Superiores da Universidade do Estado do Amazonas (Cesp/UEA).

O material foi encontrado na região da Valéria, ponto turístico de Parintins (a 369 km de Manaus), foi achado pelos moradores enquanto trabalhavam em uma obra no quintal de uma casa. A região é reconhecida pelo Instituto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como sítio arqueológico.

Em nota enviada à imprensa, o Grupo de Pesquisas em Educação, Patrimônio, Arqueometria e Ambiente na Amazônia (Gepia), formado por professores e alunos do curso de História do Cesp/UEA, explicou que a urna era utilizada para o sepultamento de entes indígenas que residiram na região por volta do ano 1.000.

“Desta forma, o que foi encontrado é um vasilhame cerâmico capaz de abrigar uma pessoa adulta em posição fetal, contudo conforme observamos o achado, o crânio foi colocado abaixo e as demais partes acima, sendo que hoje observa-se os ossos sobrepostos ao crânio, um dos modos que muitos indígenas no passado sepultavam seus mortos”, diz trecho do comunicado.

Para a professora do Cesp/UEA Clarice Bianchezzi, que é doutoranda em Antropologia/Arqueologia na Universidade Federal do Pará, a descoberta dos comunitários é de extrema importância pelas condições em que estão o material.

“Os ossos estão intactos. A datação vai nos dar precisão, mas a urna é de uma ocupação que remonta a antes do contato do europeu com a América e dos portugueses na Amazônia. O material é muito importante historicamente e arqueologicamente para Parintins. Eu conheço outros achados no município, mas esse é o único em condições de se fazer a datação”, explicou Bianchezzi em entrevista.

De acordo com a professora, a base da urna funerária foi encontrada enterrada a cerca de 85 cm da superfície, algo que, segundo pesquisas, remonta ao costume de sepultamento indígena. Os pesquisadores visitaram a comunidade de Santa Rita após um morador da região procurar o Cesp/UEA para ser orientado sobre o que fazer com o achado.

“Eles sabiam que era um material de valor arqueológico e precisavam de uma orientação sobre o que fazer. No último sábado, nós visitamos o local. O material estava sobre uma mesa, desprotegido do ponto de vista arqueológico, mas nós embalamos ele para protegê-lo da desfragmentação e da contaminação, que pode prejudicar a datação”, contou Clarice.

Apesar da formação, os pesquisadores não possuem autorização para retirar a urna funerária da comunidade e ela permanece no local sendo guardada pela família que a encontrou.

O Iphan já foi comunicado do encontro de material arqueológico. Os pesquisadores de Parintins buscam apoio financeiro para junto com o Museu Amazônico (Musa) realizar projeto de pesquisa e a datação da urna funerária.

Recomendação

Diante do encontro da urna funerária no quintal de uma casa, na nota enviada à imprensa, o Gepia orientou os moradores sobre como proceder ao localizar materiais arqueológicos.

“A recomendação que deixamos à sociedade parintinense é que ao localizar materiais arqueológicos (cerâmica, ossos, moedas, etc.) que os moradores não retirem o mesmo do solo, pois o solo mantém o material protegido e em condições para futuras pesquisas. Que ao localizar estes materiais nos procurem na UEA/CESP ou comunique ao Instituto de Patrimônio Histórico Nacional – IPHAN, em Manaus, para um arqueólogo possa retirar o material do solo de forma segura evitando que o mesmo quebre ou esfarele”, recomendou o grupo.

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