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Manaus
MISTÉRIOS DESENTERRADOS

Manaus e suas lendas urbanas: capital tem antigos relatos que assustam até hoje

De crianças virando monstros à "Rasga Mortalha", vários "causos" foram esquecidos na poeira do tempo, mas o Portal A Crítica faz questão de resgatar algumas delas que, para muitos, são desconhecidas, mas assombram e deixam uma pulga atrás da orelha até os dias atuais 04/10/2018 às 16:40
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Arte: Héli
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Manaus tem lendas urbanas que estão mais vivas do que nunca integrando o imaginário da população. Algumas dessas lendas foram esquecidas na poeira do tempo, mas A Crítica faz questão de resgatar algumas delas que, para muitos, são desconhecidas, mas assombram e deixam uma pulga atrás da orelha até hoje.

Nossa primeira lenda é tenebrosa e mais do que centenária. Conta-se que na década de 1910, um guarda noturno conhecido como Zezito, que trabalhava na desativada Santa Casa de Misericórdia de Manaus, estava fazendo a ronda por volta da meia-noite, quando viu um garoto de aproximadamente 8 anos, com uma bolinha parecida a uma de tênis. Ele tacava a bolinha no chão e a aparava. Ia caminhando na calçada do Hospital, pela rua Dez de Julho, em direção à avenida Eduardo Ribeiro.

O guarda o interpelou dizendo: “Menino, o que você faz a essa hora na rua? Onde você mora?”. O garoto olhou fixamente nos olhos de Zezito e respondeu: “Bem ali!”, apontando na direção da Praça da Saudade, onde, àquela época, se localizava o Cemitério Municipal. O guarda virou-se para olhar, e, quando voltou para o menino, viu seu corpo crescer e passar da altura das frondosas mangueiras que ficavam em frente à Casa de Caridade, com enormes dentes para fora, ameaçadores e terríveis, e supostamente provocando o desmaio no pobre guarda, que acordou mais tarde, jurando que nunca mais iria trabalhar à noite e, principalmente, naquele local!.

Porco e chifre

Os mais antigos falavam em porcos com velas sobre o dorso que eram vistos nas ruas e que, segundo eles, teriam se transformado em pessoas.

Em casas de festas como no Morro da Liberdade, há relatos de um homem que usava chapéu e que, por descuido, teria mostrado que tinha chifres, horrorizando quem estava no recinto!

E outros falavam ter visto romarias de almas penadas. Por via das dúvidas, ninguém abria as portas pra tirar a dúvida.

Estranha passageira

Outro relato é conhecido até hoje e envolve um motorista de táxi. O fato ocorreu na década de 1950, quando o taxista Sebastião, que tinha o apelido de “Tambaqui”, chegou em casa uma noite se tremendo todo, com as calças urinadas e defecadas, gaguejando palavras ininteligíveis para sua esposa, que sem saber o que acontecera, colocou-o sentado numa cadeira de balanço e perguntou ao “Sabá” o que havia ocorrido.

E ele, ainda trêmulo respondeu: “Eu saí da Garagem Central, era 19h30h, já com o pensamento de vir embora para casa. Na altura da Dez de julho, uma moça acenou e eu parei. Ela entrou e pediu para que eu a deixasse no Boulevard Amazonas, próximo ao Cemitério de São João Batista. Quando chegou ao destino, bem em frente ao portão principal, eu parei. Ela pagou a corrida e, àquela hora da noite, como ela estava sozinha e naquele local, eu perguntei se ela não tinha medo de estar naquele lugar, sozinha. Ela sorrindo, com aqueles dentões pavorosos, respondeu: ‘Quando eu era viva, sim!’”.

Chico Cobra

Há alguns anos na rua Comendador Clementino havia um senhor apelidado de “Chico Cobra”. “Eu o conheci, pois era meu vizinho. Dizem, que em noite de lua cheia, perto da meia-noite, ele se transformava em cobra. Verdade ou não, ele era assim conhecido: Chico Cobra. Um amigo, recentemente falecido, afirmava e jurava de “pés juntos”, que viu uma noite, o Chico Cobra entrando num camburão, deslizando que nem o réptil e saindo pela outra borda. Esse mito, era de todos conhecido e ninguém se atrevia a desmentir, ou ao menos duvidar, porque diziam, que numa próxima mutação, se essa pessoa estivesse por perto, pegaria uma ‘surra’ do Chico Cobra, que se arrependeria de seu atrevimento!”, explica o professor e historiador Almir Barros Carlos.

Mãe-D´Água

Já nas antigas cacimbas da Comendador Clementino, antigo Campo Grande, alguns amigos diziam, que após às 18h, depois do anoitecer, quem estivesse na beira do igarapé, estaria descumprindo ordens da Mãe D’Água e, assim,  sujeito a uma “pisa”, que jamais esqueceria, relembra o professor.

“Contam que uma vez, o Pauleta, amigo nosso, foi, depois das 18h, até o fundo do quintal da casa dele tomar banho. Pegou uma lata e desceu. Após o banho, encheu a lata, colocou na cabeça e, estava voltando para casa. No meio do caminho, tinha um cipoal. Diz que o Pauleta começou a receber ‘lambadas’ de cipó, tapas e chutes. Largou a lata e correu, mesmo embaixo de muita porrada. Entrou em casa aos berros e esbaforido, o lombo todo vermelho e arranhado de tanta ‘cipoada’, o rosto enrubescido, apavorado, dizendo que nunca mais iria aquela hora a cacimba, por dinheiro nenhum desse mundo!”, contou o historiador Almir Carlos.

Vampira?

Outra história ocorreu na antiga avenida João Coelho, hoje Constantino Nery, próximo à Matinha, onde sempre se via tarde da noite, uma moça caminhando, descendo a ladeira. Numa noite de lua cheia, um rapaz com jeito de conquistador e sedutor, conhecido como Zazá, resolveu abordar a passante. Encostou sua bicicleta e perguntou se ela não queria uma carona. Ela respondeu, sem olhá-lo, com um fio de voz, que estava com dor de dente. Ele, já pensando em roubar um beijo da bela moça, com a voz de locutor de FM, retrucou: “Me mostre qual é! Abra sua boquinha”.

E, segurando no queixo dela, aproximou sua boca, quase encostando nos lábios da moça. Ela então vira-se para ele, abre a boca, de onde teriam saído dois dentões pavorosos e disse: “É este aqui!” Ele saiu que nem um bólido, pedalando sua bicicleta com tanto desespero, que passou da rua Japurá, onde morava e foi parar na sede do Atlético Rio Negro Clube, na Praça da Saudade. Desde esse dia ele ficou conhecido como “Zazá do Dentão”.

Rasga Mortalha

Uma das mais intrigantes lendas urbanas amazonenses é a da “Rasga Mortalha”, que consiste em mortes atribuídas a uma coruja que passa sobre as casas de pessoas doentes. O som emitido pela ave, segundo alguns, lembra o de um tecido (mortalha) se rasgando.

Polvo, cobra e fantasmas

Uma das lendas urbanas   mais conhecidas é de que haveria uma aranha ou polvo gigante debaixo do Porto de Manaus. A lenda do Boto também encontra eco em Manaus, bem como a uma loira, de mini-saia e meias pretas que seria uma vampira. Há relatos de pessoas que viram fantasmas no Teatro Amazonas.

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