Segunda-feira, 18 de Novembro de 2019
MEIO AMBIENTE

ALE-AM discute criação de Área de Proteção Ambiental para sauim

Órgãos dão início às consultas para a criação da área de preservação da espécie símbolo de Manaus, ameaçada de extinção



sauim_BED0F48C-76AB-45E3-92CE-0477A566CFC2.JPG Foto: Arquivo/Ac
19/10/2019 às 07:26

O sauim-de-coleira (Saguinus bicolor), primata símbolo de Manaus, tem mobilizado diversos setores da sociedade como órgãos estaduais e municipais, ativistas ambientais, e toda a comunidade no sentido de colaborar para a preservação dele.

A consulta pública para discutir a criação da Área de Proteção Ambiental (APA) do Sauim foi aberta ontem.  O evento ocorreu em homenagem ao Dia do Sauim-de-coleira (24 de outubro), na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM), na avenida Mario Ypiranga, bairro Flores, Zona Centro-Sul da capital amazonense.



Hoje, serão realizadas outras consultas públicas em Itacoatiara e Rio Preto da Eva com a mesma finalidade: conscientizar a população sobre a importância da espécie e esclarecer dúvidas sobre a proposta da APA.

A APA do Sauim terá uma extensão de 211 mil hectares, que abrange áreas dos municípios de Manaus, Rio Preto da Eva e Itacoatiara, no médio e baixo interflúvio das bacias dos rios Preto da Eva e Urubu.

Segundo o secretário estadual do Meio Ambiente (Sema), Eduardo Taveira, a APA consiste na ordenação territorial da área, para que se possa garantir a conservação da espécie, sem que haja impactos econômicos e de vida para as populações locais.

“Toda a construção de uma unidade de conservação passa primeiro por uma demanda popular, que foi o que nós tivemos e agora tem toda a questão de abertura da consulta pública”, disse Eduardo Taveira, durante a audiência na ALE-AM.

“A criação da área tem a finalidade de garantir a conservação do hábitat dessa espécie, e  ao mesmo tempo estimular que produtores rurais, empresas, ou moradores dessas áreas sejam parceiros e cooperadores dessa ação, para que de fato o desenvolvimento sustentável não seja só uma palavra solta, mas uma meta para esses municípios”, afirmou.

Além de conscientizar e esclarecer aquela população sobre a importância da preservação do sauim, moradores e trabalhadores dessas áreas poderão expor suas opiniões acerca da APA, que não afetará moradias e muito menos as atividades econômicas daquele local.

“A população tem a preocupação em achar que a APA vai dificultar o avanço econômico das práticas agrícolas, por isso é preciso que as pessoas se aproximem, participem das discussões e audiências públicas para que eles possam entender que a APA não só é uma forma de preservação, mas de ordenamento para que o desenvolvimento seja de maneira sustentável e econômico”, destacou o secretário municipal de Meio Ambiente de Itacoatiara, Lúcio Barros.

Efeitos da fragmentação florestal

Segundo estimativas citadas pelo biólogo Maurício Noronha, diretor-executivo do Instituto Sauim-de-Coleira, existem cerca de 30 mil a 35 mil exemplares do  primata em toda a região. Conforme o especialista, que também fez parte do movimento “Salve o Sauim”, o animal está incluído na lista dos 25 primatas mais ameaçados de extinção no planeta.

Em entrevista para a equipe de A CRÍTICA, Maurício Noronha ressaltou que a principal perda populacional da espécie ocorre devido o desmatamento e a fragmentação florestal.  “O maior problema é que esses exemplares não estão em um local só, essa população está pulverizada em microfragmentos espalhados por toda área de distribuição do sauim e muitas vezes nesses fragmentos não se têm fluxo gênico entre eles”, explicou o biólogo.

“Ou seja, o sauim não sai de um fragmento e consegue ir para o outro, então se tem um problema muito grande de consanguinidade e isso acarreta uma coisa chamada ‘perda de variabilidade genética’, que é o princípio da extinção daquele grupo. É um problemão que a gente precisa equacionar isso”, disse.

Quanto à necessidade de implantação de uma APA no local escolhido – o interflúvio das bacias do rio Preto da Eva e rio Urubu, ele acrescentou que “é exatamente neste local que sobraram os três maciços florestais mais importantes para a conservação da espécie, só que essa área é ocupada por projetos de assentamento e propriedade particular”. “Então, a única categoria que a gente poderia compatibilizar a conservação para ocupação humana seria uma APA”, argumentou Maurício Noronha.

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Repórter de Cidades
Jornalista formada pela Uninorte. Apaixonada pela linguagem radiofônica, na qual teve suas primeiras experiências, foi no impresso que encarou o desafio da prática jornalística e o amor pela escrita.

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