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Manaus
CASO BALBINA

Após afastar médico, Instituto cobra que autor do vídeo de agressão seja punido

Ausência da filmagem, no entanto, fez com que vítima do obstetra levasse nove meses para denunciar o caso à Polícia Civil 21/02/2019 às 19:49 - Atualizado em 21/02/2019 às 20:33
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Foto: Reprodução/Internet
Rafael Seixas e Vitor Gavirati Manaus (AM)

O Instituto de Ginecologia e Obstetrícia do Amazonas (Igoam) afirmou esperar que órgãos competentes investiguem os responsáveis pelo vídeo em que um médico, associado da cooperativa, aparece agredindo uma adolescente de 16 anos em trabalho de parto na Maternidade Balbina Mestrinho, na Zona Sul de Manaus. Em nota, o Igoam diz que a gravação sem autorização causou “constrangimento” e “dano irreparável aos envolvidos”, o que aparentemente, pela declaração, incluiria o agressor, identificado como Armando Andrade Araújo; enfermeiros, a parturiente e seus familiares. 

O comunicado foi enviado, nesta quinta-feira (21), após reunião do Igoam com a Secretaria de Estado de Saúde (Susam). “O Igoam se solidariza a parturiente e seus familiares e espera que os órgãos competentes investiguem e denunciem os responsáveis pela filmagem e divulgação nas redes sociais e imprensa, sem autorização dos presentes, causando constrangimento e dano irreparável aos envolvidos, ao invés do devido encaminhamento à ouvidoria da maternidade, onde seria evitada a desnecessária exposição da parturiente”, diz trecho da nota.

Pela nota, a divulgação da filmagem não seria necessária para denunciar o médico. A reportagem questionou a assessoria de imprensa do Igoam sobre quem seriam de fato os outros constrangidos com o registro (além da parturiente); o porquê de a filmagem de um médico agredindo uma paciente ser considerada errada, tendo em vista que Instituto espera que os responsáveis pelo vídeo sejam denunciados; e se a ausência do vídeo não fragilizaria a denúncia junto à ouvidoria da maternidade. Até a publicação desta matéria, o Igoam não retornou nossa solicitação.

Ausência de vídeo atrasou denúncia

Ontem, após prestar depoimento na Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), a jovem afirmou que não denunciou o obstetra antes por não ter a filmagem. 

“Eu não tinha o vídeo. A mulher que gravou não quis enviar, por medo, eu acho. Aí quando foi a criança e a mãe que morreu (caso ocorrido no último final de semana), ela colocou o vídeo na internet e eu nem sabia. Agora com o vídeo dá pra provar. Espero que a justiça seja feita, que isso não aconteça com outras mulheres e outras mães. Ele é muito violento, ele é um monstro”, destacou a garota.

Médico foi afastado, mas segue com registro profissional

Na reunião realizada nesta manhã com a Susam, o diretor-presidente do Igoam, Anderson Gonçalves, comunicou a suspensão das atividades de Armando Andrade Araújo. O Conselho Regional de Medicina do Estado do Amazonas (Cremam), no entanto, mantém o registro profissional do obstetra, mesmo com ele sendo alvo de três denúncias formais na Justiça do Amazonas.

Armando foi preso em 2015 acusado de integrar uma quadrilha especializada em cobrar dinheiro para fazer partos, laqueaduras e outros procedimentos ginecológicos em maternidades públicas de Manaus. A denúncia feita pela vítima que aparece no vídeo viral foi a sexta de violência obstétrica contra o profissional registrada pela Polícia Civil desde 2013.

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