Segunda-feira, 20 de Janeiro de 2020
MUDANÇA FORÇADA

Preços do frango e da carne suína devem aumentar em Manaus, apontam especialistas

A alta no preço da carne vermelha ocorreu por conta do aumento no volume de compras do produto pelo China



FRANGO_E884A7F0-5336-4D61-9C91-B535B1890397.JPG Foto: Junio Matos
05/12/2019 às 09:09

Com o aumento de 22% no preço da carne vermelha, os produtos mais procurados pelos manauaras, nas feiras e redes de supermercados, passaram a ser o frango e o peixe. A CRÍTICA esteve em alguns comércios de Manaus e constatou que, até o momento, os valores ainda não acompanharam a alta da carne. Mas de acordo com especialistas, a tendência é que as carnes de porco e do frango fiquem mais caras nos próximos dias.

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas (FAEA), Muni Lourenço, disse ao A CRÍTICA que a carne suína, vendida no atacado brasileiro, teve uma alta de 14% e a carne de frango aumentou 12%, no período entre 4 de novembro e 4 de dezembro de 2019. Muni Lourenço acrescentou que, na região, os preços devem acompanhar a média nacional. “Os preços de frango e suíno no mercado interno também tem sido influenciados pela alta da carne bovina, todavia já está se verificando uma tendência de reversão dessa subida que deverá se refletir nos preços do atacado e varejo”, disse o presidente.



Muni Lourenço acrescentou que no período entres os meses de novembro e dezembro, normalmente, em todos anos apresenta-se a alta entre 6% a 7% dos produtos, principalmente na carne suína. “A elevação de preções é explicada pela proximidade das festas de final de ano, ocasião em que há aumento de consumo de carne suína”, concluiu.

No entanto, a população ainda encontra o frango por valores acessíveis. Em uma unidade na rede de supermercado DB, situada no bairro Cachoeirinha, Zona Sul de Manaus, a reportagem constatou que o quilo (kg) do frango é vendido a R$ 5,69. Vários consumidores optaram pela compra do produto e consideram o preço aceitável, comparado à carne.

A dona de casa Alana Diene disse ao A CRÍTICA que se sente prejudicada com o aumento do preço da carne e afirmou que consome o frango porque considera o preço dentro dos padrões de normalidade. “Está exportando a carne vermelha pra China? Porque não dão prioridade para o nosso país, mas sempre para o país ‘dos outros’? Nós, os mais pobres, ficamos prejudicados”, reclama a dona de casa.

Juarez Ramos, que é aposentado, afirmou que além dos frangos o consumo de ovos pelos familiares dele também aumentou nos últimos meses. “A carne está muito cara. A gente compra as coxas e sobre-coxas das aves e, além disso, existem os ovos. Nesse momento, precisamos apelar e comprar o que é mais acessível e o que cabe no orçamento”, concluiu Juarez.

Elane Medeiros, que é diretora do DB, afirmou que as políticas comerciais estão em momento de negociação e, por conta disso, ainda existem muitas incertezas quanto aos valores e o cenário quanto às proteínas tradicionais ainda não está delineado. “Nesse momento, as empresas estão buscando equalizar os preços e estoques. E a área comercial está em um momento de planejamento, para as compras do final do ano. Vamos manter sempre a política de oferecer sortimento como os peixes”, frisou a executiva.

Impacto nos preços ainda é pequeno

Em um supermercado situado no bairro Japiim, Zona Sul de Manaus, nas proximidades da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), os clientes disseram que o quilo (kg) do frango também custa R$ 5,69.

“Não temos condições de comprar a carne. Talvez, no fim do ano, a gente faz uma cota entre a família e compre carnes para churrasco. Mas no momento estamos comendo frango e peixe’’, afirmou Ermano Rocha, que é comerciante.

Segundo o economista Marcus Evangelista, a população ainda não sentiu os impactos do aumento de preço dos frangos, porque as aves que são comercializadas em Manaus são, na verdade, importadas de outros estados brasileiros.

“O frango comercializado aqui, vem de fora. Com toda a certeza, no momento em que o empresário repor o estoque dele, ele vai comprar mais caro e vai transferir o preço para o consumidor também”, frisou o economista. Marcus evangelista disse, ainda, que outros fatores podem contribuir para que os valores das proteínas substitutas aumentem e um deles é a alta procura do produto. “Quem está ofertando pode observar a alta demanda e aumentar os preços para obter o lucro maior, e aproveitar o momento”.

Feirantes sofrem os efeitos

O A CRÍTICA esteve na Feira Municipal do Coroado, situada na Avenida Cosme Ferreira, Zona Leste de Manaus, e constatou o baixo fluxo de clientes nos açougues do local. O permissionário José Chaves afirmou que deixou de vender com o receio de ter prejuízos devido à baixa demanda pelo produto.

O feirante acrescentou que no estabelecimento dele investe nas vendas de peixe e frango. Ele acrescentou que pretende adiar as vendas da carne de porco para as proximidades da semana em que se comemora o natal.

“A carne que custaria R$ 23,00 o quilo (kg) foi para R$ 33,00. O consumo diminuiu. E para não ter prejuízos, com a carne estragando no freezer, a gente não investe. Estou vendendo peixe e frango”, frisou o homem.

Outra permissionária, Lene Alves, ressaltou que também passou a vender somente os frangos.

A feirante afirmou que vende o quilo (kg) do produto por R$ 7,00. “Nem todo o mundo tem condições de comprar a carne. Com os frangos, a venda está melhorando e procuro vendê-lo cortado”, explicou a permissionária.

 Arrecadação

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) disse que o faturamento na agropecuária, tem previsão de crescimento de 14,1%, equivalente a R$ 265,8 bilhões. No caso da carne bovina, a expectativa do órgão é de expansão de 22,2% no VBP, atingindo receita de R$ 129,1 bilhões. Já para os suínos, espera-se aumento de 9,8% do VPB.


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