Domingo, 22 de Setembro de 2019
E AGORA?

Diário Oficial desmente Arthur sobre parada de ônibus na Ponta Negra

Prefeito diz que obra não é uma 'parada de ônibus' e sim uma 'estação de embarque e desembarque', o que justificaria os mais de R$ 207 mil investidos na construção



njcxjkcnjknjnc_DC901399-F7D4-482E-A4D2-12D876A0570A.jpg Foto: Arquivo AC
16/08/2019 às 13:58

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio (PSDB), declarou na tarde dessa quinta-feira (15), que a construção de uma parada de ônibus no complexo turístico da Ponta Negra, na Zona Oeste de Manaus, se trata de uma “estação de embarque e desembarque”.  No entanto, de acordo com o Diário Oficial do município, publicado no dia 14 de maio deste ano, o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) nomeou a obra como uma “parada de ônibus”.

Após a reportagem de A Crítica revelar que a obra orçada em R$ 207,3 mil, é quase cinco vezes o valor de uma parada de ônibus convencional, que custa em média R$ 44 mil, o prefeito convocou uma coletiva de imprensa para esclarecer os motivos que levaram a Prefeitura de Manaus a autorizar a construção.

“Primeiro uma pessoa tem que ser muito maldosa. Se for deficiente visual a gente tem que compreender. Comparar isso aqui com uma parada de ônibus é desrespeitoso. Uma leviandade”, afirmou Arthur.                                        
                                                                         Foto: Diário Oficial de Manaus, 14 de maio de 2019

Ao defender o orçamento de alto custo da obra, Arthur aponta que ela possuiu diferencial das outras paradas de ônibus em Manaus. “Não é uma parada comum, trivial, que fica em cada esquina. Essa é uma parada diferente”. E complementou: “É uma enorme falta do que fazer. Quem critica isso aqui é quem não usa isso aqui, ou  quem está com raiva de estarmos asfaltando a cidade”, criticou.

Inspirada em palafitas

A parada de ônibus faz parte de um pacote de intenções da Prefeitura de Manaus para a área turística da orla do Rio Negro, e é inspirada nas palafitas encontradas em Manaus, de acordo com Arthur.

“Aqui nós temos aço planado, temos esse negócio aqui... porcelanato, tem uma iluminação que fecha e abre com o parque. Olha a qualidade dos bancos. Aqui tem quase 100 metros quadrados”, declarou Arthur ao defender o empreendimento.

Autorizada no início de maio deste ano, a obra atualmente se encontra com atraso de onze dias do período estipulado para entrega à população.

Críticas

A obra vem gerando críticas entre usuários do transporte em Manaus. “Acho um absurdo tanto gasto com uma parada simples dessa. Poderiam fazer mais coisas pela cidade. Esse dinheiro poderia ser investido em hospitais, escolas, por exemplo”, destacou Lucas Bastos, que trabalha na orla da Ponta Negra.

Nas redes sociais, usuários do transporte coletivo também criticaram o alto custo do investimento. “Com esse dinheiro, é possível recuperar várias paradas de ônibus nas periferias de Manaus", diz Carla Batista, moradora do bairro Santo Antônio, Zona Oeste, que complementa: “Nós pegamos sol e chuva, e a prefeitura esquece de investir, ao menos, na cobertura das paradas de ônibus”, disse.

Repórter

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