Sexta-feira, 05 de Junho de 2020
DIA DA MULHER

As poderosas da lei: delegadas de destaque no AM falam da trajetória de vida

Conheça a história de mulheres importantes para sociedade, que mesmo sendo símbolo de força e admiração, passaram por altos e baixos, mas deram a volta por cima e e se transformaram em exemplos.



DELEGADAS_59FDEEB0-0D06-44D3-9469-B68B9A503228.jpg (Foto: Eraldo Lopes)
08/03/2020 às 16:32

Só podia ser mulher! Trabalha, estuda, cuida da casa, lava, passa, cozinha, cuida das crianças, ajuda nos deveres de casa, dirige, faz academia, suporta os dias de ‘TPM’ e ainda tem tempo para olhar para tudo com mais sensibilidade. É, só podia ser mulher! Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, o jornal MANAUS HOJE preparou uma reportagem especial para mostrar a força das mulheres, que são em maioria, as principais personagens das nossas pautas.

Vamos conhecer a história de mulheres importantes para sociedade, que mesmo sendo símbolo de força e admiração, passaram por altos e baixos, mas deram a volta por cima e e se transformaram em exemplos.



Você já deve ter escutado falar o nome Débora Mafra, a delegada titular da Delegacia Especializada em Crimes Contra Mulher (DECCM). Débora Cristina Pereira Mafra, tem 50 anos, é natural de Osasco/SP, está no Amazonas há 27 anos e em 2019 recebeu o título de cidadã amazonense, pelo trabalho que tem feito no combate à violência doméstica e familiar contra as mulheres.

Filha caçula de uma dona de casa e um autônomo, pais separados e uma infância bem simples onde passou por necessidades financeiras, aos 15 anos dava aulas para crianças do maternal, aos 17 anos casou e com 19 teve seu primeiro filho, Henrique e aos 22 deu a luz a Paula. Dizem que quando mulher tem filhos a vida acaba, mas foi aí que começou uma nova fase na vida da delegada.

“Aos 22 anos vim morar em Manaus, devido o emprego do marido na época. Aqui, eu era dona de casa e mãe. Entrei na faculdade de direito e aprendi a dirigir só aos 30 anos, em seguida veio a separação. Mas, não desisti do meu sonho, em 2001, prestei concurso para a Polícia Civil do Estado do Amazonas, no cargo de escrivã onde permaneci até 2011. No exercício do cargo de delegada, fui nomeada para ser delegada adjunta do 1º Dip, delegada adjunta da DEHS, delegada titular do 28º Dip, delegada titular da Delegacia da Mulher da zona norte e atualmente delegada titular da delegacia da Mulher do Parque Dez. Eu amo o meu trabalho, me traz uma realização pessoal ajudar as mulheres a sair do ciclo da violência”, contou.

A vida da delegada passou por muitas fases difíceis, uma delas foi quando perdeu a mãe, mas hoje se considera uma mulher realizada e deseja o mesmo para todas as mulheres do Amazonas. “Me casei novamente em 2009, com Jander Mafra, que também é Delegado de Polícia, amo namorar meu marido, ele é meu principal incentivador. Sou muito normal faço compras e cuido de casa nos finais de semana. Sou guerreira como outras mulheres, e estudei muito para mudar minha vida e consegui. Hoje, olho pra trás e vejo como Deus é bom comigo, tenho uma família e somos muito unidos e consegui viver o sonho de ser delegada, que desde da minha infância queria ser, sempre admirei o serviço policial e desejo que todas as mulheres conquistem seus sonhos e sejam felizes como eu”, completou.

VAIDOSA

Conhecemos também a história da delegada Juliana Tuma, ela é amazonense e nos contou que nunca pensou em ser delegada. “Eu sou engenheira agrônoma e por uma eventualidade do destino, decidi cursar direito e me apaixonei. Fui advogada militante, e em 2009 fiz o concurso para delegada e passei. Minha locação inicial foi para o município de Tefé e lá eu pude ver a realidade da mulher interiorana, com jornada tripla e aprendi muito com isso. Quando voltei fui para o plantão da Depca, na proteção à criança e na delegacia da mulher. Acompanhei de perto toda essa vitimização que as mulheres sofrem e o quanto é necessário ser forte nessa sociedade. Nós mulheres somos muito guerreiras, é necessário ter muita empatia e sororidade para lutar junto com cada uma”, disse.

A delegada Juliana é titular da 22° DIP e divide suas atividades de trabalho com as responsabilidades de cuidar da filha. “Eu tenho minha jornada de trabalho, mas tenho também minha jornada como mãe e como mulher, vou para academia, para o salão, tenho que cuidar da minha filha, levar para escola, buscar e a noite quando chego ajudo nas tarefas. Essa é apenas a nossa essência de mulher, que consegue fazer muitas coisas durante o dia e se pudesse fazia mais ainda”, ressaltou a delegada que além disso relatou sua paixão pela vida.

“Amo me cuidar, sou muito vaidosa, gosto muito de sair com as amigas, viajar e comer comida amazonense. Sou muito inquieta quanto a minha vida profissional, estou sempre fazendo muitos planos. Desejo A todas as mulheres amazonenses muita força e amor para vencer os problemas do dia-a-dia”, completou.

EM DEFESA DOS PEQUENOS

A próxima delegada que vamos conhecer é a titular da Delegacia especializada em proteção à criança e ao adolescente, a Joyce Viana. Amazonense, nascida em Benjamin Constant, é virginiana, tem 45 anos e contou um pouco da sua história.

“Minha mãe sempre foi dona de casa, hoje tem 81 anos, somos uma família do interior e ela sempre viveu pra cuidar dos filhos. Estudei o ensino fundamental e médio em escola pública do interior, depois cursei Direito em Manaus na UFAM. Hoje tenho 4 filhos e antes de ser policial era servidora do Ministério Público do Estado do Amazonas, exercendo um cargo de nível superior”, relatou Joyce.

Mesmo com as dificuldades da vida, Joyce acredita que nenhuma mulher deve desistir dos seus sonhos. “O que eu desejo para as mulheres de Manaus é que nunca desistam dos seus sonhos e que cada vez mais, possam conquistar seus espaços. Infelizmente existem muitas mulheres “machistas” que derrubam umas as outras , nesse ponto precisamos evoluir e entender que as conquistas de hoje vieram da luta de muitas mulheres que como nós tinham sonhos numa época bem mais complicada. Que sejamos o braço que levanta a outra e não o dedo que aponta”, finalizou.

Ex-bancária virou Delegada de Polícia

Em 2001, Márcia Chagas Maciel de Araújo trocou o expediente bancário pelo ambiente policial. Com 54 anos e quase 20 de carreira como policial civil, a delegada abriu as portas da sua residência e revelou a intimidade por trás da autoridade.

Antes de ingressar nas fileiras da Polícia Civil do Estado do Amazonas, Chagas chegou a cursar Letras, pois tinha desejo e sonhos de ensinar e ser autoridade dentro das salas de aulas, entretanto o destino foi diferente.

“Cheguei a cursar Letras, mas na época vi que iria ganhar muito pouco como professora, era um sonho meu, mas financeiramente não era bom, então fiz concursos e trilhei outros caminhos”, relembra.

Perfil Membro da diretoria da Associação dos Delegados de Polícia do Estado do Amazonas (ADEPOL-AM), delegada Márcia Maciel, tem um perfil tranquilo, é casada, mãe de dois filhos, um é artista, outro advogado, gosta de ouvir música, ler em sua biblioteca dentro e “maratonar” séries de televisão.

“Eu sou uma pessoa tranquila, gosto de tomar um vinho, correr, sou uma pessoa que tem vários interesses, a vida é uma dádiva e temos que aproveitar o máximo, preciso estar no meu melhor para poder usufruir tudo isso. Estou muito feliz com a pessoa que me tornei. A vida foi muito boa, tive que trabalhar muito pra ter essa vida”, finaliza.

 

Repórter

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