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Manaus
POLÍCIA

Reforço policial é enviado a Borba após jovem ser linchado e queimado pela população

Delegado-geral da Polícia Civil informou que efetivo de 16 policiais civis e militares foi enviado ao município. Homem morto era suspeito de estuprar e matar com 16 facadas uma adolescente de 14 anos 09/07/2018 às 12:41 - Atualizado em 09/07/2018 às 12:50
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Foto: Divulgação
Oswaldo Neto Manaus (AM)

Cerca de 16 policiais civis e militares foram enviados ao município de Borba, a 151 quilômetros de Manaus, após um jovem de 18 anos ser linchado e queimado pela população na cidade, ontem (8). O morto, Gabriel Lima Cardoso, era suspeito de estuprar e matar uma adolescente de 14 anos. Agora, a polícia investiga quantas pessoas participaram dos crimes.

O delegado-geral da Polícia Civil, Mariolino Brito, considerou o ato uma atitude “medieval” e disse que não há previsão para o efetivo retornar da cidade. Segundo ele, o inquérito policial para apurar a identificar os envolvidos no linchamento tem 30 dias para ser concluído. As pessoas que participaram da ação criminosa deverão responder por uma série de delitos como homicídio, dano ao patrimônio público, ameaça, incêndio criminoso e uso de rojão para constranger policiais.

Brito informou ainda que, até o momento, a polícia não possui informações sobre a quantidade de envolvidos. Ele negou que a cidade não tivesse efetivo de segurança para evitar o linchamento. “Vamos utilizar os meios que lá estão e identificar as pessoas que cometeram esses delitos. É um fato atípico e todos serão indiciados na forma da lei”, declarou.

O efetivo de 16 policiais enviados a Borba inclui peritos, escrivães, policiais civis e militares. Mariolino Brito disse também que todos devem permanecer na cidade “pelo tempo que for necessário”. “Normalmente, passada aquela euforia, a cidade entra em calmaria. As pessoas se arrependem e, por isso, polícia tem que ir para não acontecer outra coisa dessa natureza”, disse.

O delegado geral considerou o lichamento do rapaz como uma ação “medieval”. “Justiça com as próprias mãos é medieval, não é atual. Ele já estava preso, com mandado de prisão. Talvez isso seja um feito das redes sociais do local que inflamam as pessoas”.

Entenda o caso

Gabriel Lima Cardoso, de 18 anos, foi linchado e queimado em via pública no início da noite desse domingo (8) no município de Borba, a 151 quilômetros de Manaus. Ele estava preso no quartel da Polícia Militar suspeito de estuprar e matar com 16 facadas uma adolescente de 14 anos. O linchamento aconteceu depois que dezenas de pessoas invadiram o quartel da PM e o tiraram de lá.

De acordo com o secretário de Segurança do Estado, coronel Anésio Paiva, alguns policiais chegaram a ser feridos pela população na invasão ao quartel. Segundo o secretário, a Polícia Civil já havia até solicitado à Justiça para que Gabriel, preso neste domingo (8), fosse transferido para Manaus justamente por questões de segurança. O crime contra a jovem de 14 anos aconteceu no último dia 4.

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