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Manaus
#AnjosdaVidaReal

Com ajuda de familiares, jovem com paralisia se torna modelo contra o preconceito

Estudante fonoaudiologia, Ana Itárico atribui vitórias à mãe e prima. Universitária participa de projeto onde grupo de modelos é composto por quem possui algum tipo de deficiência 01/01/2018 às 18:01 - Atualizado em 02/01/2018 às 08:02
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Foto: Herlam Pechar/Freelancer
Kelly Melo Manaus (AM)

Anjos da guarda são seres espirituais que, segundo as crenças cristãs, são enviados por Deus para proteger a vida de cada pessoa durante toda a sua vida. Mas também existem aqueles anjos de “carne e osso” que se doam por uma causa, pensando no bem do próximo. A finalista do curso de fonoaudiologia Ana Itárica Venâncio, 23, por exemplo, é rodeada por esses seres.

O motivo de estar cercada por anjos é que Itárica possui paralisia cerebral e chegou a ser desenganada pelos médicos. Mas com o apoio da mãe, Maria de Jesus, e das primas, como a Sara Castro, 21, a jovem conseguiu alçar vôos mais altos do que poderia imaginar. Hoje, ela está concluindo a tão sonhada graduação de fonoaudiologia.

“A Itárica é um exemplo de vida e mesmo eu sendo mais nova que ela, sempre tive o extinto para protegê-la e ajudá-la a vencer, principalmente, o preconceito. Ela é uma pessoa muito especial”, comentou Sara, bastante emocionada ao falar da prima deficiente.

Para Ana Itárica, tanto a mãe quanto a prima são apenas dois exemplo de anjos da guarda dos muitos que ela considera ter. “Meus anjos são incontáveis. A começar pela minha mãe que sempre acreditou em mim, no meu potencial, e me ajudou a olhar sempre para frente mesmo eu tendo tantas limitações. Se consegui chegar até aqui foi por causa dela e toda a minha família”, comentou a universitária.

“Quando eu era criança, a Sara cuidava muito de mim, brincava comigo mesmo sabendo que eu não andava, ou que não poderia segurar algum objeto. Era como se eu fosse uma boneca para ela. Ela também sempre me protegeu e isso foi fundamental para a minha vida”, explicou ela.

Exemplo

Devido a paralisia cerebral, Ana Itárica possui dificuldades para se locomover, mas consegue se comunicar normalmente. Para acompanhar a evolução da filha na faculdade, Maria de Jesus também voltou a estudar e cursa Pedagogia. “No começo foi muito difícil porque o preconceito existe e é cruel. Mas no decorrer de cada período, a Itárica mostrou o quanto é forte e isso me deixa muito feliz”, afirmou a mãe.

Além da sala de aula: Ana é exemplo contra o preconceito

A estudante universitária Ana Itárica Venâncio, 23, também é modelo fotográfico. Em abril deste ano, ela e outras pessoas, entre crianças e adultos, participaram do projeto “Arte sem preconceito”, da agência BM Moldes.

A agência realizou uma exposição de fotografias em um shopping na Zona Centro-Sul, onde todos os modelos possuíam alguma deficiência física ou auditiva, ou possuíam autismo e microcefalia. A ideia do projeto também era promover inclusão social, quebrando paradigmas através da beleza de cada personagem. Ao todo, 29 telas foram apresentadas na exposição.

“A proposta surgiu no ano passado e foram três meses de produção até chegarmos na concepção que chegamos hoje. Algumas das nossas crianças já foram convidadas para participar de filmes e propaganda de roupas” , explicou a idealizadora do projeto, Creuza Rodrigues. Ana Itárica participa do projeto até hoje.

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