Sábado, 07 de Dezembro de 2019
DIREITOS

UEA recebe 3º Congresso de Saúde LGBTI+ do AM e debate políticas públicas

Evento inicia amanhã (12) e discute a inexistência de uma política estadual de saúde LGBTI+. Congresso acontece na Escola Superior de Ciências da Saúde, na Cachoeirinha



show_LGBT_78AACF99-B085-4E1F-8C84-D82337EB60C6.jpg Foto: Reprodução
11/11/2019 às 10:19

Apesar de há muito tempo a comunidade LGBT ser tratada de forma jocosa em vários setores da sociedade, aos poucos ela ganha espaço e valorização, com os movimentos sociais e políticos dessas comunidades se fortalecendo em Manaus. É o caso da bandeira da saúde. Durante esta semana por exemplo, de terça-feira (12) até  quinta-feira (14), acontece o 3º  Congresso de Saúde LGBTI+, tendo como local a Escola Superior de Ciências da Saúde da Universidade do Estado do Amazonas (ESA/UEA), na avenida Carvalho Leal, Cachoeirinha, Zona Sul.

O ingresso ao evento é mediante a doação de 1 quilo de alimento não-perecível ou materiais de limpeza e higiene pessoal que será repassado para a instituição Casa Miga e, durante os três dias serão realizados minicursos, mesas-redondas e atividades que visam a capacitação do profissional de saúde, desde o atendimento até acolhimento e identificação de especificidades. O evento também traz à tona a discussão sobre a inexistência de uma política estadual de saúde LGBTI+ no Amazonas. 



O evento traz como um dos convidados o coordenador estadual de Atenção Integral à Saúde da população LGBT de Pernambuco, Luiz Valério Soares da Cunha Júnior, que ministrará o minicurso de Políticas de Saúde LGBT. O professor e psiquiatra Saulo Ciasca ministrará o Curso de Extensão sobre o Processo Transexualizador do SUS e Especificidades de Saúde da População LGBT.
O congresso terá transmissão para os 62 municípios do Estado e cinco comunidades indígenas por meio do programa Telessaúde Amazonas, isso através de uma parceria com a Universidade do Estado do Amazonas. O Governo do Estado informou que, no primeiro dia de congresso será lançado o Comitê Técnico Interinstitucional de Saúde LGBTI+, uma parceria entre Susam, Semsa-Manaus e UEA, para tratar sobre as políticas de atenção a esse público. 

Criado a partir da Portaria federal nº 2.836, de 1º de dezembro de 2011, ele terá como atribuições discutir, planejar e pactuar as ações de promoção, prevenção, controle, recuperação e reabilitação em saúde das pessoas LGBT, garantido o atendimento humanizado e livre de discriminação por orientação sexual e identidade de gênero.

Além disso, o Comitê deverá elaborar e submeter propostas, para validação do Complexo Regulador, do fluxo de acesso e protocolo clínico de atenção à saúde de usuários com demanda para a realização do processo transexualizador no SUS.

O coordenador de Política Estadual de Saúde LGBT, Jefferson Pereira, afirmou que a adesão ao congresso é muito boa, tanto por profissionais de saúde quanto por estudantes, ou seja, o segmento correspondeu ao chamado para o evento que deve receber em torno de 180 participantes. Jefferson Pereira frisa que, neste ano, o foco do Congresso é a formação dos profissionais de saúde das secretarias de Saúde do Estado (Susam) e Município (Semsa). 


Coordenador Jefferson Pereira (sentado, à dir.) com equipe que formulou Comitê / Foto: Reprodução

Ele destaca que a população LGBT do Estado teve duas grandes conquistas este ano. A primeira foi a criação da própria coordenação de Saúde LGBT, que trabalha especificamente com essa parcela da sociedade. “A segunda conquista será o lançamento, no 3º Congresso de Saúde LGBT, do Comitê Técnico Interinstitucional que funcionará como um colegiado gestor visando a implementação da política de saúde LGBT em todo o Estado do Amazonas”, afirma ele, que lisotu algumas demandas específicas dos LGBTs.

“Existem demandas gerais para a comunidade LGBT, mas outras específicas, como ter profissionais capacitados para atendimentos como em hormônioterapia (tratamento médico feito a partir de medicamentos com a função de inibir a atividade dos hormônios que tenham alguma influência no crescimento de um tumor), cirurgias de adaptação sexual, ginecologistas para a população lésbica e proctologistas para gays, entre outras. Há desconhecimento sobre a política de saúde para LGBTs e os profissionais de saúde devem ser abertos às inovações e acolhimento”, disse ele. Muitas vezes, acrescenta o coordenador, “o acesso aos serviços é prejudicado pelo preconceito e discriminação”.

Ambulatório

Manaus conta há dois anos com um local para atendimento específico para a comunidade LGBT. Trata-se do Ambulatório de Diversidade Sexual e Gênero - Processo Transexualizador, que funciona na Policlínica PAM Codajás, na Cachoeirinha, uma iniciativa de pessoas como a médica ginecologista Dária Neves. Mas poderia ser bem mais.


Equipe do Ambulatório de Diversidade Sexual e Gênero durante curso em SP / Foto: Reprodução

“Temos duas médicas, duas psicólogas, duas enfermeiras, uma assistente social e equipe técnica capacitada. O ambulatório é reconhecido pelo Ministério da Saúde, mas não é habilitado em recursos. Estamos lá, mas não existimos. Daí a importância de termos uma portaria estadual de saúde LGBT. Já existe uma cobrança dos movimentos sociais e do Ministério Público do Estado (MPE) para aprovação”, sintetiza ela.

Frase

“Existem demandas gerais para a comunidade LGBT, mas outras específicas, como ter profissionais capacitados”

Jefferson Pereira, coordenador de Política Estadual de Saúde LGBT

Trabalho de ‘formiguinhas’

Os militantes dos movimentos sociais LGBTs   fazem seu trabalho de “formiguinhas” mobilizando e esclarecendo a sociedade para a saúde e outros temas.
A assistente social Vanessa Monteiro, voluntária dos movimentos Manifesta LGBT+ e Coletivo Difusão, explica algumas iniciativas: “Estamos tentando parcerias com líderes comunitários de bairros como o São José e a Seduc, oficinas de eventos e queremos incluir na abordagem do 3º Congresso de Saúde LGBT a necessidade de capacitação das pessoas que atuam nesse meio”. 


Os ativistas LGBTs Vanessa Monteiro e Bruno Onipotente: trabalho árduo / Foto: Reprodução

Ela lamenta que a população LGBT tenha tido poucos avanços. “Tivemos avanços apenas na cidadania, com a possibilidade de transexuais e travestis já poderem usar o nome social nos órgãos da administração pública estadual após a provação da lei de direito a identidade de gênero. Mas, na saúde, perdemos alguams demandas no tratamento a HIV Aids e incentivos para capacitar as pessoas e que iam em municípios fazer a divulgação”.

Repórter de A Crítica

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