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Manaus
INVESTIGAÇÃO

Condutor de lancha usada pela TV Globo que matou jovem é indiciado por homicídio culposo

Leandro Guimarães de Oliveira, 31, deve responder em liberdade. Lucas Cardoso, 15, morreu após colisão entre duas embarcações no igarapé Tarumã-Açu, na última quinta-feira (13) 19/09/2018 às 19:24 - Atualizado em 20/09/2018 às 08:19
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Foto: Euzivaldo Queiroz
Cecília Siqueira Manaus (AM)

O condutor da lancha utilizada pele TV Globo em gravações em Manaus que se envolveu no acidente que matou um estudante de 15 anos na última quinta-feira (13) foi indiciado por homicídio culposo majorado. A informação foi divulgada pela Polícia Civil nesta quarta-feira (19).

Leandro Guimarães de Oliveira, 31, deve responder em liberdade, visto que não houve flagrante. Segundo o delegado titular do 20° Distrito Integrado de Polícia (DIP), Valdinei Silva, a apuração dos fatos continua em andamento. A pena prevista para o crime de homicídio culposo é majorada em um terço quando a morte é resultante da inobservação de regra técnica de profissão.

O adolescente Lucas Henrique Xavier Cardoso morreu após colisão entre duas embarcações no igarapé Tarumã-Açu, na última quinta-feira. De acordo com o Boletim de Ocorrência (B.O) registrado na unidade policial, o acidente ocorreu por volta das 4h20.

Conforme o B.O, a lancha denominada "Paula", utilizada pela TV Globo nas gravações da minissérie "Aruanas", colidiu na canoa/rabeta na qual estavam Paulo Henrique Xavier Cardoso e o filho dele, Lucas, de 15 anos.

Paulo relata o descaso com as investigações e pede justiça. O pai do adolescente, que conduzia a canoa em que eles estavam no momento do acidente, está organizando uma manifestação, que deve acontecer às 15h, do próximo sábado (22), no trecho em que ocorreu o fato, situado nas proximidades do balneário da Prainha, nas margens do igarapé Tarumã-Açu.

“Quero que a justiça seja feita. Perdi meu filho e agora, também, o meu meio de trazer o pão de cada dia da minha família. Deram assistência no velório e confecção de camisas, mas nenhum posicionamento sobre a canoa”, diz.

O acidente

O choque entre as duas lanchas aconteceu no último no momento em que os ribeirinhos seguiam em uma canoa para a comunidade Jefférson Péres, onde moram. A lancha, de nome “Paula”, havia sido fretada pela TV Globo e levava uma equipe de aproximadamente 15 pessoas para gravações da minissérie “Aruanas”.

Paulo Henrique contou que a lancha navegava em alta velocidade, no escuro, quando pegou de surpresa. “Tinha acabado de deixar minha mãe, de 72 anos, na Prainha. Eu estava conduzindo a canoa, de costas, e meu filho vinha iluminando o caminho com uma lanterna. Só senti o impacto e ouvi a lanterna caindo. Quando olhei para trás, ele tava caído”, relembra.

O agricultor disse ainda que a lancha parou 40 metros depois do ponto de colisão. “Para se ter noção de como foi violento, o motor deles é um 150 HP, a nossa canoa, tinha 5,5 HP. Eles passaram por cima da gente. Além disso, a perícia nem veio no local do acidente, me ligaram para que eu levasse a canoa até a Marina do Davi na última segunda-feira (17)”, relata.


Pai e filho voltavam para a casa na hora do acidente. Foto: Euzivaldo Queiroz

Sobre as únicas palavras que trocou com o condutor da outra embarcação, Paulo se mostrou indignado com o que recebeu: “A única coisa que ele me disse, foi lá no local do acidente ‘O que você está fazendo uma hora dessas no meio do rio?’, depois disso, nem o nome dele consegui obter. Um total descaso conosco", afirma.

De acordo com o delegado Valdinei Silva, policiais do Batalhão Ambiental foram informados do acidente pela própria equipe de filmagem. Também atendeu a ocorrência uma guarnição do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBM-AM).

A autoridade policial informou ainda que o adolescente foi levado à Marina do Davi, onde foi atendido por uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e chegou a ser levado ao Hospital e Pronto Socorro da Criança, mas o pai dele afirma que o Lucas morreu ainda no local do abalroamento.

Descaso

O pai de Lucas relata que a desordem e irregularidades são muito frequentes na área e ele mesmo já escapou de outro acidente. “É tão bagunçado, que sempre podemos ver pessoas navegando em jetskis e lanchas sem nenhuma precaução. Eu mesmo já escapei de ser acidentado em um ‘furo’ por outra embarcação que não reduziu a velocidade”, afirmou.

O problema já é antigo, tanto que Paulo Henrique conta que o filho sofreu um acidente fluvial em 2016, desta vez na lancha que transportava os alunos para outra comunidade. “Temos uma escola aqui na comunidade, mas ela está fechada há um tempo. As crianças vão de barco então. O fluxo de lanchas e Jet Skis não tem nenhum controle por aqui. A Capitania dos Portos quer que a gente utilize a estrada, porém, a estrada do ribeirinho é a água”, pontua.

Em nota, o Comando do 9º Distrito Naval da Marinha do Brasil informou que a Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental (CFAOC) abriu inquérito para apurar as circunstâncias e causas do acidente.

O informe explica, que durante o procedimento de investigação, as documentações, assim como as condições das embarcações envolvidas são analisadas. Depois do inquérito concluído, ele é encaminhado ao Tribunal Marítimo, que emite a sentença final.

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