Sábado, 24 de Agosto de 2019
CRIME ORGANIZADO

Crise na Venezuela torna fronteira do AM em comércio de fuzis com PCC, diz polícia

Polícia Civil tem registros de que milicianos do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, estariam vendendo armas para a facção Primeiro Comando da Capital (PCC), comprometendo a segurança do Estado



guilherme_torres.JPG Foto: Gilson Melo/Freelancer
13/03/2018 às 15:52

O contrabando de armas de grosso calibre, como o fuzil AK-47 da Venezuela, pela facção criminosa paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) preocupa delegados da Polícia Civil do Amazonas que atuam na repressão ao crime organizado e ao tráfico de drogas no Estado. Há registro e informações confirmadas de que milicianos do presidente venezuelano, Nícolás Maduro, estão vendendo armas para o crime organizado, especialmente para o PCC.

Conforme o diretor do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), delegado Guilherme Torres, não era esperado que a crise na Venezuela atingisse o Amazonas no quesito segurança pública. Mas o que se vê neste momento é um cenário diferente: a polícia amazonense tem o conhecimento de que o presidente do país vizinho treinou 500 mil milicianos com a justificativa de proteger a soberania da Venezuela contra os Estado Unidos da América (EUA), e deu para eles fuzis AK-47. Segundo a polícia, Maduro tem a pretensão de treinar mais 500 mil milicianos.

De acordo com Torres, a maioria dos milicianos de Maduro são pessoas muito pobres que, para não passarem fome, preferem vender essas armas para o crime organizado por um bom preço. O delegado não descarta a possibilidade de que o Amazonas se torne rota para o contrabando de armas, já que elas podem chegar ao Estado por via terrestre pela BR 174, que liga Manaus a Boa Vista (RR).

Guilherme Torres explicou que a Venezuela tem o trânsito aberto por Roraima e que não só elas podem passar por aqui como também podem ficar no Amazonas.

Artilharia pesada das Farc

A preocupação, segundo o delegado Guilherme Torres, é porque dessa forma as facções vão ficar mais armadas. De acordo com a polícia, os fuzis apreendidos nos últimos meses no Amazonas serviam para fazer a segurança de remessas de droga que entram pela tríplice fronteira. A maioria deles eram de guerrilheiros das Forças revolucionárias da Colômbia (Farc), que ao invés de entregá-las ao governo colombiano, conforme acordo firmado, preferem vender para os narcotraficantes.

“O PCC atua com artilharia pesada, armas de grosso calibre, com explosivo, e fazem roubos a bancos”, afirmou Torres, destacando que os fuzis usados pelas milícias venezuelanas são novos e modernos. Na semana passada, dois homens foram presos com um fuzil AK-47 no bairro Jorge Teixeira, na Zona Leste. Mas conforme o delegado, a arma é antiga e não pertenceria à Venezuela.

PCC sem ‘expressão’ no AM

Conforme Guilherme Torres, no Amazonas os membros da facção Primeiro Comando da Capital (PCC) ainda são poucos e diminuiu mais depois do massacre no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) em janeiro do ano passado, quando 56 detentos foram mortos, grande parte do PCC.

Ainda conforme o delegado, a facção tem uma liderança sem expressão já que o líder Ismale Reis de Sena, 29, foi preso no mês passado em cumprimento a mandado de prisão por tráfico de drogas. De acordo com investigações, ele comanda uma área de tráfico no bairro Nossa Senhora de Fátima, na Zona Norte.

O delegado do Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc), Paulo Mavignier disse que o PCC não tem força no Amazonas. Mas de acordo com ele, há informações confirmadas de que o PCC quer se firmar no tráfico recrutando os “piratas” que atuam no rio Solimões, entre os municípios de Coari e Tefé.  “Isso é preocupante. Não podemos deixar que a facção tome conta das nossas fronteiras”, afirmou o delegado do Denarc.

O delegado Paulo Mavignier disse que a polícia tem conhecimento de que o PCC tem interesse em crescer na região, semelhante ao que está fazendo hoje na fronteira com o Paraguai, dominando a entrada de armas e de maconha, mas que o tráfico está sendo combatido.

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