Sábado, 18 de Janeiro de 2020
DOM SÉRGIO

'Deixo o legado de uma Igreja de Manaus viva’, diz ex-arcebispo

Religioso que desde 2013 estava à frente da Arquidiocese fala do seu momento atual, planos futuros, da fé e da luta contra o Mal de Parkinson, que lhe fez pedir o afastamento do cargo no arcebispado de Manaus



domsergio2_4DF19BD4-C81C-4E06-B1E5-22D6DC5871A4.JPG Aos 65 anos de idade, dom Sérgio Castriani passará a ser arcebispo emérito; são seis anos de trabalho e de uma brava luta contra o Mal de Parkinson / Foto: Euzivaldo Queiroz
30/11/2019 às 15:30

A serenidade e o sentido de liderança sempre permearam a vida religiosa de dom Sérgio Eduardo Castriani, 65, que na semana passada repassou o bastão de arcebispo metropolitano de Manaus para dom Leonardo Ulrich Steiner, 69, após seis anos no cargo ordenado pelo papa Francisco. Em março deste ano o sumo pontífice da Igreja Católica aceitou sua saída por conta do Mal de Parkinson.

Castriani permanecerá como administrador apostólico até o dia da posse de Steiner, em 31 de janeiro de 2020, às 18h, na Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Conceição, no Centro Histórico. Com a posse, ele passará a ser arcebispo emérito do Amazonas.



Num balanço de sua gestão, o religioso disse que ajudou a “elevar a auto-estima dos católicos, que aumentou muito ultimamente”. E foi assim, sereno, que ele respondeu às perguntas de A CRÍTICA, em uma entrevista emocionada na Residência Episcopal.

Qual o balanço que o senhor faz da sua gestão à frente da Arquidiocese de Manaus?

“Ajudei a elevar a auto-estima dos católicos, que aumentou muito ultimamente, bem como a participação da Igreja na vida da sociedade e com muitos leigos assumindo a sua responsabilidade. Há também nossa atuação nas comunidades. Um balanço, assim, é difícil de fazer porque só tempo dirá, mas acho que a participação aumentou nas procissões, atos litúrgicos, mas sobre tudo a auto-estima dos católicos. Acho que aumentou muito nestes últimos tempos, não é mesmo. Temos uma posição dentro da sociedade bem importante. A Igreja tem que ocupar seu espaço normalmente na sociedade.

O senhor vai se manter em Manaus e prosseguir o tratamento contra o Mal de Parkinson aqui na capital?

Vou continuar morando em Manaus, fazendo o tratamento do Parkinson aqui mesmo na cidade, onde há ótimos médicos e aqui é o meu lugar, agora. Ficarei em Manaus mesmo. Eu gosto muito de Manaus, acho que Manaus gosta de mim também.  

Como está o seu tratamento contra o Parkinson?

Está normal, tudo o que se pode fazer tem sido feito. Os médicos que estão comigo são ótimos.

Qual o legado, a grande contribuição que o senhor deixa para todos os fiéis da Igreja Católica?

Acho que foi a atenção que nós da Arquidiocese Metropolitana demos para o interior do Estado do Amazonas. A atenção para as populações ribeirinhas e indígenas. Os índios foram mais valorizados, mais vistos e bem vistos pela Igreja Católica. Eles estavam muito ocultos. Ajudamos para que eles tivessem mais visibilidade. É o que esperamos que ocorra. 

O senhor sai com o sentimento de missão cumprida do cargo?

Sim, pois eu acho que fiz o que poderia ter feito, com a colaboração de todos. Sempre fui muito bem ajudado em Manaus. Deixo a dom Leonardo o legado de uma Igreja viva, atuante, concreta, cheia de gente, pessoas maravilhosas que eu amo. Esta é a Igreja de Manaus. 

Em um momento como esse de dificuldade pela qual o senhor passa, como foi ser saudado pelo papa Francisco durante o Sínodo? Ele lhe enviou uma mensagem de carinho em vídeo direto do Vaticano.

É fundamental sabermos que nesse tempo todo tivemos a  confiança do papa e dos colegas bispos, e também do regional com o povo. Apesar da doença eu fui até onde deu.

O senhor ficou feliz de, no Sínodo recente terem sido discutidas questões tão importantes para a Amazônia? Qual foi seu sentimento durante o evento?

Foi o sentimento de que nós estamos em um bom caminho. As discussões de lá são as discussões da nossa Igreja. E a Igreja de Manaus vive um processo sinodal. O caminho do Sínodo é o nosso caminho e não é grande novidade para Manaus.

Como define a sua fé nesse momento da sua vida?

Seguimento de Jesus. A fé é seguimento de Jesus Cristo, que tem que ser nosso único objetivo, nossa única finalidade aqui na terra. Seguimento d’Ele, completando a própria carne no sofrimento sem volta a Ele.

Qual a mensagem de Natal e Ano Novo que o senhor deixa para os fiéis da Igreja Católica e de todas as religiões do Amazonas?

Que gastem tempo uns com os outros!


Dom Sérgio Castriani e dom Leonardo Steiner, que o substitue no cargo de novo arcebispo de Manaus / Foto: Euzivaldo Queiroz

Repórter de A Crítica

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