Sábado, 30 de Maio de 2020
Política

Direção do PDT minimiza saída de vereadores: 'Não comungam a cartilha'

O agora presidente do diretório municipal da sigla, Afrânio Barão, disse que “o partido está dando prioridade para pessoas novas”. Glória Carrate e Diego Afonso deixaram a legenda na última semana



vereadores_6568612E-62C3-42D3-AF8F-B634356D5127.JPG Foto: Divulgação/Reprodução
24/03/2020 às 11:40

A nova presidência do diretório municipal do Partido Democrático Trabalhista (PDT) minimizou a recente perda de dois vereadores. O  agora presidente do diretório municipal da sigla, Afrânio Barão, disse que “o partido está dando prioridade para pessoas novas” e que os vereadores Diego Afonso e Glória Carratte “não comungavam a cartilha do partido”.

No dia 17, durante Sessão Plenária na Câmara Municipal de Manaus (CMM), a vereadora Glória Carratte pediu a palavra para anunciar o seu desligamento da sigla. “Desde a semana passada não faço mais parte do PDT. Estou sem partido. Já mandei a carta para a presidência”.

Também na quinta feira (19), o vereador e até então presidente do diretório municipal do PDT, Diego Afonso anunciou a desfiliação do PDT, por de acordo com ele, “não conseguir construir um projeto plausível para Manaus”.

Segundo Afrânio, os diretoriandos do PDT municipal pressionavam o vereador Diego Afonso para que ele esclarecesse na comissão de ética do partido acusações de agressão verbal contra a sua esposa. Ainda conforme o presidente municipal, por causa do episódio, o grupo feminino Ação da Mulher Trabalhista (AMT-AM) “ameaçava inscrever nenhuma mulher nessa eleição de 2020”.

“Na minha visão, ele vendo essa pressão da comissão de ética, foi mais esperto para não sair meio feio, como expulso. Eles iam pedir isso mesmo (Comissão de Ética), o afastamento dele, porque já tinham feito a censura dele, não podia falar na Câmara enquanto não esclarecesse isso”, disse.

Procurado pela reportagem, o vereador Diego Afonso, sem partido, rechaçou a acusação e disse que o Boletim de Ocorrência registrado contra ele por agressão verbal contra mulher foi “arquivado e que “não existe abertura de procedimento de natureza interna”.

Radicalismo de esquerda

Diego Afonso reclama que existe dentro do PDT Amazonas “uma ala muito radical de esquerda” que diverge “um pouco do trabalhismo”. Para ele, a saída do partido não foi por causa de disputa ideológica. Questionado se integrará um partido de esquerda,  Afonso diz defender o trabalhismo e o liberalismo econômico e não menciona siglas que fará parte.

“A gente tem um perfil de sempre defender o liberalismo econômico, o trabalhismo, a geração de emprego e renda. Tenho essa linha na CMM. Então, nessa linha que a gente tem conversado com diversas siglas”, afirmou.

Afrânio Barão responde que o vereador “fazia coisas que iam contra o princípio do partido” e cita exemplos “votava contra o trabalhador, ele e o pai dele (Adjuto Afonso), tava do lado do prefeito na questão das greves, não defendia o trabalhismo”.

“A militância cobrava muito dele, por isso que ele fala que é de extrema esquerda. Ele votava a favor dos empresários, votava a favor da demanda que os empresários queriam e não se identificava com a gente. Não fiscalizava o prefeito, teve aquele problema lá com o afilhado do prefeito, ele não fez nada. Tudo isso tava mancando a bandeira do partido. O nome do partido é Democrático Trabalhista, tem que brigar pelo trabalhador e o cara não faz nada disso. Fica difícil”, criticou.

Glória Carratte

Glória Carrate declarou ao A CRÍTICA no dia 2 que já estudava deixar o PDT por questões ideológicas. Em 2019, a filiação de Carrate causou crise na sigla. A Associação de mulheres do PDT alegava que a admissão da vereadora descumpre acordo interno de que parlamentares desfrutando de mandato não poderiam se filiar à sigla.

“O PDT é um partido mais de esquerda e nunca fui de esquerda. Estou no meu quinto mandato e sou parlamentar de comunidade, sempre fiquei do lado da direita, da prefeitura e do governo para levar os benefícios para comunidade. Provavelmente eu não fique no PDT”, contou Carrate.

Sobre a saída da vereadora do partido, Afrânio disse que no PDT, Carratte não era bem vista porque  “ela nunca foi pelo trabalhismo, não se identificava com o partido”.

“Sempre ia pela direita, pelo lado empresarial, então nunca ia somar com a gente aqui dentro. Se a gente quer reconstruir, lutar pela questão do trabalho, como a gente ia manter uma pessoa que pratica uma política antiga, contra o trabalhador?”, completou.

Até o fechamento desta matéria a vereadora Glória Carrate não retornou os telefonemas da reportagem para comentar as declarações.




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