Quinta-feira, 02 de Abril de 2020
SOLIDARIEDADE

Em evento, auditores de Manaus relembram 16 anos de chacina em MG

Manifesto 'Justiça que tarda, falha' foi realizado por auditores ficais do Amazonas nesta terça-feira (28). Evento relembrou o assassinato de colegas no município de Unaí, Minas Gerais, vítimas de emboscada



WhatsApp_Image_2020-01-28_at_12.03.26_916E4CA8-8690-4F91-92FA-CDD0B55D875A.jpeg Foto: Divulgação / Sinait
28/01/2020 às 13:06

Em celebração ao Dia Nacional do Auditor Fiscal do Trabalho, os servidores da Superintendência Regional do Trabalho no Amazonas realizaram o ato público “Justiça que tarda, falha”, nesta terça-feira (28). O manifesto relembrou os 16 anos da chacina de auditores fiscais no município de Unaí, em Minas Gerais. Evento ocorreu na sede do órgão, localizado no bairro Aleixo, Zona Centro-Sul de Manaus.

De acordo com Manuel Hélio de Souza, que atua como chefe de fiscalização, a mobilização é importante para chamar a atenção das autoridades em relação à impunidade de crimes hediondos. Manuel afirmou que reivindica a prisão dos responsáveis pela morte dos auditores-fiscais do Trabalho Eratóstenes de Almeida Gonsalves; João Batista Soares Lage; e Nelson José da Silva, além do motorista Ailton Pereira de Oliveira, mortos a tiros em 2004, na cidade de Unaí, Minas Gerais.



 “A nossa função social é importantíssima, pois defende os direitos dos trabalhadores, mas às vezes não temos essa proteção. Só em 2019, o nosso grupo de fiscalização móvel, recebeu cinco ameaças de morte. Ficamos muito tristes, porque a gente celebra 16 anos, sem a justiça cumprir o que deveria ter feito há muito tempo”, disse o chefe de fiscalização.

Edson Rebouças, que também é chefe de fiscalização, disse ao A CRÍTICA que os auditores fiscais no Amazonas atuam no combate ao trabalho informal, além dos trabalhos escravo e infantil e acrescentou que, por conta das atividades de regulação, ocorrem reações negativas por parte da classe econômica. Ele disse, ainda, que no Estado o trabalho rural não é tão expressivo como em outras regiões do país, mas se depara com objeções durante as fiscalizações.

“Às vezes encontramos um ambiente hostil durante as fiscalizações. Queremos reivindicar ações do poder judiciário, no sentido de punir não apenas os executores da chacina, mas também os mandantes, que são poderosos e estão soltos. Sempre que fiscalizamos, a tensão é muito grande, por isso temos que nos resguardar e ter todos os cuidados”, disse o servidor.

Segundo o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (SINAIT), a pena dos mandantes do crime foi reduzida e houve, também, anulação do julgamento do júri que condenou Antério Mânica, ex-prefeito de Unaí, a 100 anos de prisão.

O Sindicato também informou que Norberto Mânica, empresário e irmão de Antério, também é suspeito de ser mandante das mortes. Além dele, Hugo Alves Pimenta e José Alberto de Castro, intermediários, tiveram a condenação confirmada em segunda instância em 19 novembro de 2018, pelo TRF1. 

O Tribunal, no entanto, reduziu as penas. Além disso, na mesma data, o TRF1 anulou o julgamento de Antério Mânica, que foi condenado pelo Tribunal do Júri como mandante. A anulação foi motivada por confissão do irmão Norberto Mânica, em que assume ser o mandante do crime. 

Após serem rejeitados os recursos de embargos de declaração impetrados pelos condenados, em julho de 2019, e publicado o acórdão, no mês seguinte, eles ingressaram com novos recursos de embargos de declaração no TRF1 para protelar a prisão.


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