Vice-presidente da República e presidente do Conselho Nacional da Amazônia Legal, Hamilton Mourão (PRTB) declarou nesta quarta-feira (4) que levar a comitiva de representantes de nações estrangeiras a regiões da Amazônia com maior concentração de focos de queimadas e desmatamento não é necessário
(Foto: Junio Matos )
O vice-presidente da República e presidente do Conselho Nacional da Amazônia Legal, Hamilton Mourão (PRTB) declarou nesta quarta-feira (4) que levar a comitiva de representantes de nações estrangeiras a regiões da Amazônia com maior concentração de focos de queimadas e desmatamento não é necessário.
“Já expusemos para os nossos embaixadores essas questões da Amazônia onde temos maior problema com desmatamento e queimada. No caso específico da região de Apuí e Lábrea (AM). Buscamos sobrevoar a região da BR-163 que sofre do mesmo problema, não conseguimos porque havia uma cobertura de nuvem apesar voando baixo, mas o importante é deixar claro que a questão de levar in loco não é algo tão necessário assim”, declarou o vice-presidente após visita ao Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).
Mourão lidera a comitiva internacional que desembarcou nesta quarta-feira em Manaus e seguirá até sexta-feira. A viagem é uma tentativa do governo Jair Bolsonaro de reverter a imagem negativa da política ambiental no exterior. Após a divulgação do roteiro da viagem, Mourão foi alvo de críticas por não incluir visitação a áreas com registro de desmatamento. O Greenpeace enviou aos diplomatas proposta de rota alternativa de visitação nos estados do Pará e do Amazonas.
De acordo com o vice-presidente, a comitiva irá constatar que a Amazônia mantém 84% de sua cobertura vegetal original e a amplitude dos rios que segundo Mourão, são totalmente diferentes dos europeus. “O tamanho da Amazônia não nos permite descer em Lábrea e ver que parte dela não está preservada, mas em outros lugares há preservação. Não há como abranger a área toda numa viagem dessa natureza. Teríamos de ter umas duas semanas aqui de modo que conseguisse mostrar todos os detalhes”, disse, acrescentando que o avião da comitiva sobrevoou um trecho da BR-163 com áreas desmatadas.
Indagado sobre as prioridades do orçamento de 2021 para Amazônia e de que forma esses países, dos representantes da comitiva, podem contribuir, Mourão afirmou que o espaço fiscal do governo é pequeno e que busca atrair empresas para investir em projetos na Amazônia.
O vice-presidente disse que esse recurso não pode ingressar pelo governo federal, pois esbarra no teto de gastos e demanda remanejamento de recursos. “Tenho que tirar recurso de outra área e hoje não posso fazer isso. Atrair um parceiro privado para junto ao governo do estado, que sabe quais são os projetos prioritários, invista naquilo que vai melhorar a infraestrutura, oferecer maneiras de explorar a biodiversidade e, consequentemente, gerar emprego e renda para população da região”, conclui.
Mourão disse que acompanhou a eleição presidencial nos Estados Unidos e disse que independente de quem for eleito a relação com o país será de Estado para Estado. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem defendido a reeleição do republicano Donald Trump.
“Pode haver simpatia de um governante com o outro, mas os dois Estados permanecem no tempo. É uma questão dos americanos e vamos aguardar como vai terminar isso”, afirmou o vice-presidente.
Programação
A viagem da comitiva em Manaus iniciou no zoológico do Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs), do Exército, e no Centro Gestor e Operacional do zoológico do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).
Na quinta-feira visitarão o laboratório modelo de investigação de crime ambiental da Polícia Federal, o Encontro das Águas e o projeto integrado de colonização Bela Vista, em Iranduba, e participarão de recepção no Comando Militar da Amazônia. A agenda de sexta-feira será em São Gabriel da Cachoeira e inclui visitação ao pelotão de fronteira em Maturacá, formatura na 2ª Brigada de Infantaria de Selva e ida a Casa de Apoio à Saúde Indígena, em seguida retornarão a Brasília.
Opinião
Wilson Lima, governador do Amazonas pelo PSC
“A vinda dos embaixadores, ministros e do vice-presidente é muito importante para que possam ter uma visão do que é a Amazônia, o que é especificamente o estado do Amazonas. Com relação ao que foi falado do tamanho da nossa área temos em torno de 97% da nossa área preservada, intacta. Temos algumas dificuldades, comuns aos outros governadores da Amazônia. A questão não é somente da fiscalização e também de como punir as pessoas que efetivamente praticam essa agressão ao meio ambiente. É necessário que se diferencie aquele que destrói ou faz a supressão vegetal de forma criminal e aquele que está irregular e tem a necessidade de produção. Temos alguns gargalos que precisam ser superados: regularização fundiária, zoneamento econômico ecológico, bioeconomia que é o caminho seguro para, efetivamente, encontrar o equilíbrio entre a proteção da floresta e a garantia de sobrevivência do nosso povo. É um discurso do qual não abro mão e tenho colocado para o vice-presidente que nós precisamos proteger a floresta, os recursos naturais e primeiro temos que proteger o cidadão. Protegemos no momento em que levamos serviços essenciais, básicos, por exemplo, comunicação. A vinda é importante pra gente mostrar o que tem sido feito no Amazonas com o apoio, sobretudo, da Alemanha com a ajuda na construção da nova sede da Secretaria de Meio Ambiente, o aporte para aumentar o monitoramento e o controle, o apoio do Peru, Colômbia e União Europeia e para construir outras parcerias seja no repasse de recursos ou na transferência de tecnologias para encontrar o caminho do desenvolvimento sustentável”.