Segunda-feira, 27 de Setembro de 2021
COVID-19

Empresa adota medidas emergenciais para não deixar Amazonas sem oxigênio

Com alta de internações de 340% em apenas um mês, White Martins, que abastece hospitais públicos e privados, diz que a demanda é 'sem precedentes mesmo no cenário de pandemia'



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06/01/2021 às 17:09

Principal fornecedora de oxigênio para os hospitais privados e públicos do Amazonas, a indústria de gás White Martins está precisando deslocar carregamentos de outros locais para suprir a demanda do Amazonas.  Sem essas medidas, consideradas emergenciais pela empresa, Manaus, em pleno colapso da saúde, poderia ficar sem oxigênio.

Com os hospitais privados completamente lotados e os públicos há mais de duas semanas acima de 90% de ocupação, o oxigênio é o item de socorro imediato para os pacientes que chegam às unidades com dificuldades respiratórias. Pacientes de emergência, de leitos clínicos e das unidades de Terapia Intensiva necessitam desse suporte para evitar a insuficiência respiratória causada pela Covid-19. Justamente por conta disso, a demanda atual é considerada pela empresa como "sem precedentes, mesmo no cenário de pandemia".



De acordo com a White Martins, por meio de sua assessoria de imprensa, o consumo do produto em Manaus mais que dobrou nos últimos dias, "em comparação com o volume que já era extremamente alto em função do avanço da pandemia de Covid-19". Relatos de funcionários de hospitais apontam um consumo de até quatro vezes mais que períodos normais por conta do ápice da Covid.

Os primeiros carregamentos para suprir a necessidade mais imediata da região chegam a Manaus na sexta-feira, segundo a White Martins. "A empresa está deslocando de outros estados uma quantidade expressiva de equipamentos criogênicos de grande porte, entre carretas e isotanques, carregados com toneladas de oxigênio".

O reforço não foi apenas no material. Além da questão logística, a empresa afirmou ter deslocado para Manaus motoristas, supervisores de operação e outros profissionais especializados, com o objetivo de mobilizar todos os esforços para aumentar a capilaridade logística e a produção na região. "Tanto a produção quanto a capacidade logística já haviam sido significativamente ampliadas pela companhia em função da pandemia e uma nova mobilização está sendo feita em função da demanda atual".

Um retrato fiel da demanda atual dos hospitais do Amazonas pode ser vista por meio do boletim diário da Fundação de Vigilância em Saúde.  Dados relativos ao dia 5 de janeiro deste ano indicam 1574 pacientes internados em Manaus, entre casos suspeitos e confirmados de Covid-19, e mais 248 no interior do Estado, totalizando 1822 pessoas hospitalizadas - com uma doença respiratória e com necessidade de suporte de oxigênio. Além disso, mais 204 estão em fila de espera por leitos, 181 na capital e 23 no interior.

Para se ter uma ideia da dimensão, em 5 de dezembro eram 463 pacientes hospitalizados em Manaus - o boletim, até então, não trazia os números de internados no interior. Isso representa um crescimento, em um mês, de assustadores 340% na quantidade de pessoas ocupando leitos hospitalares em Manaus.

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Estado da Saúde (SES-AM) informou, em nota, que as unidades do Estado estão abastecidas e que não há falta de oxigênio. Acrescentou, também, que a empresa não sinalizou qualquer dificuldade no abastecimento.


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