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Manaus
MULHER DO TRÁFICO

Esposa do narcotraficante ‘Marcos Pará’ ‘toca o terror’ no comando do tráfico no Alvorada

Nem mesmo tornozeleira eletrônica é capaz de parar Luciana Uchoa, a “Estrela”, que cumpre prisão domiciliar desde 2016. Ela vem deixando moradores em pânico e é suspeita de envolvimento na morte da recepcionista Bruna Freitas 24/05/2018 às 12:32
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Luciana Uchoa Cardoso possui processos por tráfico de drogas, cumpre prisão domiciliar e usa tornozeleira eletrônica (Foto: Divulgação)
acritica.com Manaus (AM)

A presidiária Luciana Uchoa Cardoso, a “Estrela”, é apontada como a chefe do tráfico de drogas em grande parte do bairro Alvorada, na Zona Centro-Oeste de Manaus, e tem “tocado o terror” na região, deixando moradores em pânico. “Ninguém aguenta mais, ela é o terror, a população tem medo dela”, disse uma moradora, que manteve o nome em sigilo. Luciana também foi denunciada como a mandante da morte da recepcionista Bruna Freitas 23, executada na segunda-feira (21).

Esposa do narcotraficante Marcos Roberto Miranda da Silva, o “Marcos Pará”, condenado pela morte do delegado Oscar Cardoso e preso em presídio federal no Rio Grande do Norte, Luciana foi apontada no ano de 2015 pela Polícia Federal como a responsável pela contabilidade e lavagem do tráfico comandado pelo marido. Atualmente, ela cumpre prisão domiciliar e usa tornozeleira eletrônica, conforme a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap).

“Mesmo em liberdade, ela continua comandando o tráfico. Dá ordens, manda matar, entre outras coisas”, disse. Em um áudio enviado exclusivamente ao Portal A Crítica, Luciana mandar “quebrar” um homem conhecido como “Cheira”. Ela passa a ordem e outro soldado executa a tarefa. “Passa a visão, pega uns cinco caboco e manda quebrar, é pra afastar ele do corre até o Marcos (Pará) chegar. É pra quebrar ele mesmo entendeu? Quando o Marcos chegar, ele decide o que vai fazer”, diz ela em um áudio.

Em seguida, a mensagem é repassada. “A mulher do nosso chefe pediu para resolver a situação de um soldado meu. Ele está cheirando pó direto, bebendo, quero que você pegue ele, amarre e dê uma ‘pisa’ pra deixar ele de cama, é ordem da chefona”, diz o subordinado de Luciana. A reportagem obteve também o vídeo em que possivelmente o homem chamado “Cheira” é espancado com pedaços de pau e ferro por vários homens. O vídeo foi feito e repassado depois para Luciana, como prova.

Denúncias

Uma moradora da área, que teve o nome preservado, revelou que Luciana costuma ir ao bairro recolher o dinheiro da venda de drogas. “Ela só vem pra pegar o dinheiro das bocas que ela comanda. Alguém tem que prendê-la. Muitas coisas ruins estão acontecendo no bairro e tudo é por causa dela, que é muito perigosa”, disse a moradora.

Policiais do 10º Distrito Integrado de Polícia (DIP) confirmaram para a reportagem que ainda recebem denúncias sobre o envolvimento de Luciana com o tráfico de drogas no Alvorada. Segundo consta no relatório da operação La Muralha, da Polícia Federal, que desarticulou o tráfico de drogas em Manaus, sendo um dos alvos a facção criminosa Família do Norte (FDN), Luciana era responsável por receber, administrar e realizar pagamentos do companheiro, “Marcos Pará”.

Luciana também é irmã de Winchester Uchoa Cardoso, o “Chester”, decapitado na cadeia por ser considerado traidor pela liderança da Família do Norte (FDN).

Morte de Bruna

Além disso, Luciana Uchoa Cardoso também é suspeita, segundo moradores, de ser a mandante da morte da recepcionista Bruna Freitas Rodrigues, 23. As duas, conforme informou a denunciante, eram amigas. Segundo a denúncia, Bruna teria sido executada após se relacionar com o traficante Carlos Alberto Soares dos Reis, o “Carlinhos do Alvorada”, 26, rival de Luciana. O crime pode estar ligado a uma queima de arquivo. “Era para matar os dois, a Bruna era amiga da Luciana e sabia demais. Ela poderia falar tudo o que a Luciana estava fazendo. Estão colocando a culpa no Carlinhos, que não tem nada a ver”, disse a fonte.

Ontem, um vídeo foi publicado nas redes sociais e WhatsApp mostra Bruna e “Carlinhos do Alvorada”, horas antes do crime, fugindo de três homens que atiravam. A situação foi na saída de uma casa de shows de forró no Alvorada. Bruna estava com a roupa que foi encontrada morta. Os dois correram e se separaram, Bruna entrou no próprio carro e “Carlinhos” no dele. No entanto, o traficante conseguiu fugir e Bruna foi encontrada morta na manhã de segunda-feira (21), na Colônia Japonesa, bairro Parque Dez, Zona Centro-Sul.

O Portal A Crítica procurou o delegado Jeff Mac Donald, titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), mas o mesmo não se pronunciou sobre o caso. A assessoria de imprensa da Polícia Civil também não respondeu os questionamentos em relação a investigação em torno da morte de Bruna.

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