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Manaus
BACIA AMAZÔNICA

Seca dos rios já ameaça 124 mil pessoas no interior do Amazonas, aponta Defesa Civil

Processo de vazante na região já começa a colocar os municípios e autoridades em estado de alerta 25/09/2018 às 02:49 - Atualizado em 25/09/2018 às 09:20
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Bancos de areia já começam a se formar ao longo do rio Madeira (Foto: Clóvis Miranda)
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Pelo menos 28 mil famílias devem ser afetadas pela seca dos rios no interior do Estado, segundo levantamento feito pela Defesa Civil do Amazonas. Levando em consideração que cada unidade familiar (casa) do Estado tem em média 4,43 indivíduos, isso representa cerca de 124 mil pessoas, que vivem nas regiões do Estado que sofrerão o primeiro impacto da vazante: Oeste e Sudoeste.  Vinte e um municípios já estão sendo atingidos e gradativamente entrando em Estado de Alerta por conta do período de vazante.

Na calha do rio Madeira, por exemplo, estão em Estado de Alerta os municípios de Humaitá, Apúí, Manicoré e Novo Aripuanã, com chuvas abaixo do normal na região, inclusive com indicativo dos órgãos de monitoramento que as chuvas serão abaixo do normal nos próximos 15 dias.  A maior vazante nessa calha ocorreu em 11 de outubro de 1969, atingindo oito metros e 33 centímetros. No último dia 21, segundo dados fornecidos pela Defesa Civil estadual, a cota foi de 10 metros e 32 centímetros, portanto está apenas a dois metros da marca histórica.

No rio Juruá, estão em alerta os municípios de Guajará, Envira, Ipixuna, Eirunepé, Itamarati e Carauari. Na calha do rio Purus estão Boca do Acre, Pauiní, Lábrea e Canutama, e no Alto Solimões, Atalaia do Norte, Benjamin Constant, São Paulo de Olivença, Tonantins, Amaturá, Tabatinga e Santo Antônio do Içá.

A bacia do rio Negro, no Alto Rio Negro, após um longo período de cheia, já está em processo de vazante, mas ainda com nível acima da média para o atual período do ano. No Porto de Manaus, o rio está com nível reduzindo em média 11 cm por dia desde a última semana. Ontem, a cota era de 23m33.

A mínima histórica registrada ocorreu em 24 de outubro de 2010, quando o rio Negro atingiu a cota de 13m63. Já a máxima de 29m97 foi alcançada em 29 de abril de 2012, quando ocorreu a grande cheia.

“A calha do rio Negro está normal e a anomalia identificada na parte Oeste e Sudoeste do Estado. Em função da dimensão territorial, as primeiras regiões afetada são a Oeste e a Sudoeste, depois vem a parte central em terceiro o Baixo Amazonas, no Leste”, explicou o subsecretário de Defesa Civil do Amazonas, Hermógenes Rabelo.

Ele ressaltou que os eventos de larga escala causam estiagem nas regiões Oeste e Sudoeste, e que foram emitidos alertas na sexta passada para 21 municípios. “Provavelmente cerca de 28 mil famílias podem ser afetadas neste primeiro impacto. Nesta região o pico poderá ser alcançado na segunda quinzena de outubro ou na primeira quinzena de novembro”, destacou.

A Defesa Civil informou ainda que está monitorando os municípios e que um plano de contingência está ativado. “Nosso objetivo é a garantia da saúde e segurança nutricional neste momento agudo, onde precisamos da mobilização de todo o Estado. A última grande estiagem ocorreu em 2010, causando uma vazante significativa e atingindo comunidades rurais e ribeirinhas”, disse Hermógenes Rabelo.

Prejuízo à logística e à saúde

A última grande estiagem na região amazônica, ocorrida em 2010, causou vazante significativa em comunidades rurais e ribeirinhas, afetando o dia a dia da população. Um dos setores prejudicados foi o de transporte e navegabilidade, notadamente o escolar. A portabilidade da água e a produção agrícola também ficaram comprometidos.

“Poderá haver danos e prejuízos. Com esse Estado de Alerta, as Defesas Civis dos municípios podem se preparar para possíveis emergências e, se (a seca) chegar a níveis que poderão causar transtornos ou adversidades, poderá mobilizar ajuda”, comentou o subsecretário Hermógenes Rebelo.

A Defesa Civil do Amazonas monitora a situação dos municípios contando com as informações repassadas pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Agência Nacional de Águas (ANA), Capitania dos Portos, Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) e Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet); depois, analisa o quadro de cada cidade e, quando necessário, emite alertas aos municípios, que já devem estar preparados para as providências. “Estamos atentos para receber as informações dos municípios e relatar as suas necessidades”, disse Hermógenes Rebelo.

Situação monitorada

Em Apuí (a 1.097 quilômetros de Manaus), município banhado pelo rio Madeira e que está em Estado de Alerta, a situação hoje é tranquila, bem diferente do ano passado, de acordo com as autoridades do município.

No mesmo período em 2017, houve estiagem que atrapalhou as travessias, informou Gilso Almeida Pimentel, coordenador de Defesa Civil de Apuí. “Deu estiagem no mesmo período em setembro e atrapalhou a travessia”, comentou ele.

“Neste momento nós estamos tranquilos, e não há comprometimento para a travessia do rio. O nível do rio não está nos atrapalhando”,  relatou  Gilso Almeida Pimentel.

“Choveu muito em agosto, e eu nunca tinha visto isso. Já para outubro esperamos uma estiagem forte. Estamos monitorando com nossa régua gráfica”, acrescentou  o coordenador da Defesa Civil local de Apuí.

Situação por bacia

Bacia do rio Branco:  O rio Branco encontra-se em processo de vazante, apresentando variações denível nas estações de Boa Vista e Caracaraí.

Bacia do rio Negro:  No alto rio Negro, após um longo período apresentando cotas altas, o rioencontra-se em processo de vazante, mas ainda com cotas altas para o atual período do ano. NoPorto de Manaus, o rio encontra-se em processo de vazante, com seu nível reduzindo em média 11cm por dia na última semana.

Bacia do rio Solimões:  O rio Solimões encontra-se em processo de vazante ao longo de suaextensão. Em Tabatinga, o nível do rio desceu expressivamente nos últimos dias, descendo em médiade 24 cm por dia na última semana.

Bacia do rio Purus:  Na região do alto rio Purus, na cidade de Rio Branco (Acre), o rio encontra-se emprocesso crítico de vazante, com níveis expressivamente baixos para o período. A cota de do último dia 21/09/2018 (2,05 m), encontrava-se apenas 75 cm mais alta do que a mínima observada na série histórica (1,30 m), no ano de 2016.

Bacia do rio Madeira:  Em Humaitá, o rio Madeira encontra-se em processo regular de vazante.

Bacia do rio Amazonas:  No rio Amazonas, as estações encontram-se em processo de vazante, comníveis dentro da normalidade para o período.

Fonte:  Boletim de Monitoramento Hidrometeorológico da Amazônia Ocidental divulgado pelo CPRM

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