Sexta-feira, 03 de Abril de 2020
Efeito coronavírus

Estoque de insumos da ZFM só dura mais 15 dias, diz Sindmetal

Sindicato informa que, se até o dia 15 de março, a indústria de eletroeletrônicos não conseguir repor o estoque de componentes oriundos da China, uma das medidas que serão adotadas é liberação de férias coletivas ou licença remunerada



componentes_ZFM_DD9984DD-7D3A-4F76-BF24-955952394A78.JPG Foto: Arquivo/A Crítica
29/02/2020 às 07:13

As indústrias de eletroeletrônicos da Zona Franca de Manaus (ZFM) tem estoque de componentes para até o dia 15 de março. A informação é do presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas do Amazonas (Sindmetal-AM), Waldemir Santana. A epidemia de coronavírus pode comprometer o fornecimento de insumos da Ásia e põe em risco a produção industrial do Amazonas.

“Várias empresas devido o vírus estão entrando em contacto com o sindicato, levantando o estoque, a produção e, provavelmente, se não chegar material até o dia 15 de março vão solicitar novamente férias coletivas ou licença remunerada. Cerca de quase 50 empresas do polo industrial estudam essa possibilidade. Grande maioria das empresas são do setor de eletroeletrônico”, afirmou Waldemir Santana.



Empresas brasileiras começam a ser afetadas pela falta de componentes. Levantamento da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) mostrou que 57% das fabricantes de eletroeletrônicos e de tecnologia da informação já apresentam problemas no recebimento de componentes e  a produção de celulares e computadores despontam como os segmentos mais afetados pela redução na produção de insumos na China. 

Sem peças, fábricas começam a parar. Em nota, enviada ao sindicato dos metalúrgicos, a fábrica da LG, em Taubaté (SP), informou que, a partir do dia 2 de março, 330 trabalhadores vão ficar em casa por dez dias.

Santana afirmou que neste mês de fevereiro, em virtude do feriado do Carnaval, fábricas interromperam atividades e concederam férias coletivas, de 10 a 15 dias, que estavam programadas desde o ano passado.

Segundo o presidente do SindMetal-AM, a situação é diferente no setor de duas rodas em que mais de 70% dos componentes para fabricação de motocicletas e bicicletas detém uma cadeia de fornecedores entre Manaus e São Paulo. “São empresas que investiram em tecnologia e produzem aqui no Brasil mesmo. Alguns componentes vêm de fora”, disse.

O presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco ponderou que mais de 90% dos insumos de eletrônicos e de outros produtos que utilizam componentes eletrônicos são produzidos na China. “Já existe diferenças de níveis de estoque das empresas. Quanto mais tempo demorar para normalizar a situação na China, a produção e o abastecimento do mercado mundial maior é o risco de paralisação das empresas do PIM. A maioria das fábricas tem o estoque em torno de um mês e as empresas da China já estão a quatro semanas paradas”, afirmou.

Alternativas

Em entrevista ao Agência Estado, Périco declarou que reuniões entre indústrias e sindicatos de trabalhadores buscam encontrar uma solução sem custos extras, caso seja preciso interromper a produção. “Estamos tentando negociar a parada da produção sem custo maior para as empresas”, disse.

Waldemir Santana disse ainda que empresários estudam alternativas para viabilizar a chegada desses materiais ao Estado, por exemplo, por transporte aéreo. O sindicalista citou entre as empresas do PIM com situação mais crítica no abastecimento de componentes são a Cal-Comp Indústria de Semicondutores, LG e Flextronics, que fabrica os aparelhos da Motorola e que já deu férias coletivas a parte dos funcionários, segundo a Abinee.

O presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Eletroeletrônicos (Eletros), José Jorge do Nascimento Junior, disse, em nota, que o maior foco do problema neste momento está concentrado nos insumos que chegam ao Brasil por via aérea, considerados de maior valor agregado, e que já se encontram perto de volumes críticos.

Blog: Nelson Azevedo, vice-presidente da FIEAM

“Não tem nenhuma empresa do Polo Industrial de Manaus paralisada por conta disso. As empresas estão preocupadas e estão se  programando, planejando  para eventual necessidade de  paralisação. As empresas da Zona Franca pela distância e dificuldades de logística normalmente se preparam e fazem pedidos de insumos para o primeiro semestre. A empresa mantém três estoques: um do fabricante seja do exterior ou fora da Zona Franca de Manaus, um estoque em trânsito e o terceiro dentro da fábrica para suportar pelo menos 60 dias de produção. Algumas empresas, principalmente, montadoras, têm falado que o estoque (atual) e insumos que estão em trânsito permitem a produção durante o mês de março e abril. Se alguma coisa tiver que acontecer é provável que seja no final de abril e início de maio“.

Em números

R$ 5,9 bilhões foi o faturamento do polo de eletroeletrônicos de janeiro a outubro de 2019, segundo levantamento da Suframa. O valor corresponde a 26,7% da receita total do PIM, de R$ 86,7 bilhões. Em segundo lugar, vem os bens de informática com 22,9% de participação, R$ 5 bilhões.

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Repórter de A Crítica

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