Domingo, 21 de Julho de 2019
CRISE

Com dois professores, alunos da UEA temem fim do curso de engenharia naval

Alunos lamentam os percalços da graduação considerada estratégica para região amazônica, que tem a maior bacia fluvial do mundo e uma extensa malha hidroviária



1495440_55480097-E2CD-40C4-9456-3A3316832A68.JPG (Foto: Divulgação)
12/07/2019 às 09:37

Alunos de Engenharia Naval da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) temem que o curso seja extinto devido à falta de recursos para a área. Não há estrutura laboratorial específica para a graduação e apenas dois professores dando aulas. “Não consigo entender como o nosso curso tem apenas dois professores, quando o curso de medicina tem mais de 140”, afirma José Gonzala,19, que é aluno do 6º período.

Ele lamenta os percalços da graduação considerada estratégica para região amazônica, que tem a maior bacia fluvial do mundo e uma extensa malha hidroviária,cuja a regulamentação, inclusive, começou a ser discutida nesta semana na Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM). 

O coordenador do curso, José Luiz Sansone, confirmou o fato e explicou que, apesar do déficit de R$1,6 bilhão no orçamento do Estado– constatado este ano pela Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), que impede maiores investimentos com o teto de pessoal, que chega a 51%das despesas estaduais e coloca a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) no limite prudencial – existe um termo de ajustamento e gestão entre a universidade e o Tribunal de Contas do Estado(TCE-AM), que já foi aprovado e possibilita novas contratações por meio de Processo Seletivo Simplificado (PSS). “Estimamos que cinco novos profissionais venham cobrir este desfalque por meio do PSS, mas para isto precisamos de um posicionamento do governo. 

“Estamos trabalhando em conjunto com a reitoria, porém, se este edital não sair dentro de um mês, teremos que paralisar as aulas por trinta dias para que ocorra divulgação, o que dificulta mais ainda a vida dos alunos, pois o calendário está tremendamente apertado”, explica o coordenador, acrescentando que o edital tramita na Casa Civil desde abril deste ano. 

O coordenador confirma que não existe um laboratório específico para a engenharia naval, pois os que a universidade têm são voltados para engenharia mecânica e materiais. “Com a falta destes recursos, os alunos tendem a sofrer dificuldades na compreensão de como determinados materiais funcionam e como operá-los para montar uma equipe. Uma embarcação tem vários equipamentos que fazem com que ela esteja de acordo com as Normas da Autoridade Marítima (Norman) para proporcionar segurança aos passageiros ,cargas e a própria embarcação. Tudo isto deverá dispor de laboratórios, MEC Flu, hidrodinâmica, testes de estabilidade, motores de propulsão, hélice e motores azimutais, por exemplo”, acrescenta Sansone. 

Ele também afirma que a situação já está sendo discutida entre a ALE-AM, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (Crea-AM), o Sindicato da Indústria da Construção Naval, Náutica, Offshoree Reparos do Amazonas (Sindnaval) e a Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam). 

“Já ocorreram várias reuniões desde o início do ano e aguardamos que isto se resolva logo, pois daqui a um mês teremos início do período letivo”, finaliza o coordenador.

UEA nega fim do curso

Em nota, a UEA afirmou que "em nenhum momento a instituição sinalizou a hipótese de extinção do curso, por entender a relevância dele e da necessidade da formação de mais profissionais na área para o Estado. Informou que, como medida para fortalecer a graduação, será realizado um concurso público e títulos para provimento de cargos de professor da carreira do magistério superior oferecendo, de imediato, 14 professores para a Escola Superior de Tecnologia (EST), onde sete são especificamente para a Engenharia Naval".  

A universidade ressaltou que, no vestibular deste ano com acesso no ano que vem, não serão ofertadas vagas para o curso em função de decisão do Conselho Acadêmico da EST, que entende ser necessário este espaço de tempo para que os aprovados no concurso sejam nomeados e assumam seus componentes curriculares, “pois, dessa forma, a universidade poderá garantir a seus estudante são oferta de ensino de qualidade que se propõem enquanto formadora de capital intelectual”, conclui a nota.

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Repórter do Caderno A do Jornal A Crítica

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