Terça-feira, 17 de Setembro de 2019
MAUS CAMINHOS

Ex-primeira dama mandou arrombar boxes e levou objetos alvos da PF em operação

Câmeras de segurança registraram momento em que a esposa do ex-governador José Melo escondeu documentos. Dados são de relatório da Polícia Federal



1515077687502596.JPG Foto: Reprodução
04/01/2018 às 10:55

A ex-primeira dama do Amazonas, Edilene Oliveira, esposa do ex-governador José Melo, escondeu objetos alvos da Polícia Federal durante as investigações da Operação Maus Caminhos, que apura um esquema de propina e desvios milionários nas verbas da Saúde do Amazonas. A informação consta em um relatório assinado pelo delegado da PF Caio César Cordeiro e direcionado ao delegado federal Alexandre Teixeira, cujo conteúdo a reportagem teve acesso.

Presa preventivamente na manhã de hoje na Superintendência da PF em Manaus – juntamente com o esposo José Melo, Edilene ordenou o arrombamento de boxes alugados por ela e pelo ex-governador na sede da empresa Paraguardar, na avenida Torquato Tapajós, na capital amazonense. Segundo a PF, a ex-primeira dama foi à sede da empresa no dia 23 de dezembro, um dia antes da Polícia Federal, com o propósito de levar e esconder objetos suspeitos.

“Ao iniciar as buscas, pela manhã, formos informados pelo representante da empresa (Paraguardar), bem como, por funcionários da empresa, que a senhora Edilene Gomes de Oliveira, esposa do investigado José Melo de Oliveira, esteve no local, no dia anterior, 23/12/17, por volta das 12:00h, acompanhada de dois parentes, permanecendo por cerca de duas horas, ocasião em que solicitou abertura dos boxes 1106 e 1108, ora objetos de busca (da Polícia Federal)”.

Conforme documento da PF, a ex-primeira dama se mostrou “bastante abalada e chorosa” na sede da empresa Paraguardar pedindo acesso aos boxes dela e do esposo mesmo sem apresentar as chaves para abrir os depósitos. “Os boxes tiveram de ser arrombados pelo funcionário da própria empresa, pois a senhora Edilene informou que as chaves haviam sido levadas pela Polícia Federal no dia da Operação Estado de Emergência”.

Ainda segundo a Polícia Federal, Edilene Oliveira retirou algumas caixas semelhantes às caixas de cera encontradas pelas equipes de investigação em outro boxe no local. Para conseguir levar as caixas, a ex-primeira dama contou com a ajuda de um parente dela, um homem que não teve a identidade confirmada e que carregou uma caixa no ombro. Toda a ação deles foi registrada pelas câmeras de segurança da empresa Paraguardar.

Presos preventivos

Edilene Oliveira foi levada à sede da PF na manhã desta quinta-feira (4) após ter a prisão preventiva decretada pela juíza federal Jaiza Maria Pinto Fraxe, atendendo a um pedido do Ministério Público Federal (MPF). Segundo a juíza, tanto Edilene quanto José Melo estavam ameaçando testemunhas da Operação Custo Político, a segunda fase da Maus Caminhos, e escondendo documentos suspeitos.

José Melo, que já estava preso na sede da PF desde domingo (31), teve a prisão temporária convertida em preventiva também em decisão da juíza federal Jaiza Fraxe. O governador cassado por compra de votos foi preso pela primeira vez durante a terceira fase da Maus Caminhos, a Estado de Emergência, deflagrada em 21 de dezembro com objetivo de investigar crimes de corrupção ativa, passiva, lavagem de capitais e organização criminosa envolvendo o ex-governador.

Custo Político

No último 13 de dezembro, foram presos ex-secretário do governo Melo, durante a segunda fase da Maus Caminhos, nomeada de “Custo Político”: dois ex-secretários de Saúde, Wilson Alecrim e Pedro Elias, o ex-secretário de Administração e Gestão Evandro Melo – irmão de José Melo, o ex-secretário de Fazenda Afonso Lobo e o ex-secretário de Casa Civil Raul Zaidan, entre outros. Também foi preso, novamente, o médico e empresário Mouhamad Moustafa, principal alvo da primeira fase da Maus Caminhos.

Maus Caminhos

A operação Maus Caminhos foi deflagrada pela primeira vez em setembro de 2016 com foco em desmantelar uma quadrilha especializada em desviar recursos públicos do Fundo Estadual de Saúde do Amazonas através de contratos com empresas terceirizadas, sendo a principal operadora do esquema o Instituto Novos Caminhos (INC), de propriedade de Mouhamad Moustafa e que inspirou o nome da operação. Na época, a PF afirmou que mais de R$ 110 milhões foram desviados.


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