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Manaus
MANAUS AMBIENTAL

Executivos da Aegea respondem na Justiça por corrupção; CMM condena venda

Dirigentes do grupo que assumiu o comando da Manaus Ambiental respondem processo por fraude em licitação, peculato e corrupção. Bancada de oposição na Câmara Municipal de Manaus teme prejuízos 19/06/2018 às 14:20
Show manaus ambiental
Venda da Manaus Ambiental, responsável pela distribuição de água em Manaus, para a Aegea está avaliada em cerca de R$ 800 milhões, dos quais a metade será paga este ano
Larissa Cavalcante Manaus (AM)

A bancada de oposição na Câmara Municipal de Manaus (CMM) condenou, ontem, a venda da Manaus Ambiental, integrante da Companhia de Saneamento do Norte para a Aegea Saneamento e Participações S.A. Dirigentes da Aegea respondem ação penal por corrupção passiva que tramita na 4º Vara Criminal do Foro de Ribeirão Preto, São Paulo. Vereadores temem que a venda da concessionária, em processo marcado pela falta de transparência, possa trazer prejuízos à população. 

De acordo com informações do Ministério Público do Estado do São Paulo (MP-SP), a ação criminal, de nº 0028365-45.2016.8.26.0506, em que dirigentes da Aegea respondem por organização criminosa, fraude em licitação, peculato e corrupção segue em curso sob o controle do juiz Lúcio Alberto Eneas da Silva Ferreira. Na época, o engenheiro Jorge Carlos Amin, executivo da Aegea, foi preso acusado de negociar o pagamento da propina. 

Em março de 2017, a Justiça bloqueou R$ 18 milhões do grupo Aegea S/A, alvo de investigação da força-tarefa da Operação Sevandija por suspeita de pagamentos de propina e fraude em licitação de obras do Departamento de Água e Esgoto (Daerp) de Ribeirão Preto (SP).

Cobranças

A manifestação da bancada de oposição por esclarecimentos acontece três dias após a Aegea anunciar a conclusão da aquisição e a gestão dos serviços de serviços de tratamento e distribuição de água em Manaus.  

Para vereadora Joana D’arc, o envolvimento de diretores da Aegea em escândalo deixa parlamentares e a população receosa. “Sempre tem que ficar com o pé atrás. Se não existe nada de errado e de forma transparente por que os vereadores não foram informados da venda e a empresa não veio até a Câmara para explicar situação da concessionária”, indagou.

O vereador Sassá da Construção Civil (PT) afirmou que causa estranheza a venda da concessionária meses após 12 vereadores assinarem a proposta de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os serviços prestados pela Manaus Ambiental. 

“Passa a impressão que tem alguma coisa errada porque senão teria aberto a CPI. Deveríamos ter sido acionados sobre a venda para analisar se a empresa possui estrutura no mercado e o seu histórico. Queremos que seja transparente e, sobretudo com uma serviço de qualidade tendo em vista o histórico da concessionária de cobrar pelo fornecimento de água e tratamento de esgoto mesmo sem ter”, afirmou.

Na avaliação do vereador Rosivaldo Cordovil (PODE), a empresa possui condições de melhorar o serviço na cidade. “É uma empresa que vem dando resultados positivos. Estamos no melhor abastecimento, distribuição de água e uma resposta mais rápida quando se tem uma situação de rompimento de adutora”, destacou.

Compra

O valor da compra  da Manaus Ambiental foi de R$ 800 milhões. Segundo a Aegea,  R$ 400 milhões serão pagos este ano e o restante será quitado em parcelas anuais até o ano de 2020. A aquisição é de 100% das ações da Companhia de Saneamento do Norte.

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