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Manaus
CONFUSÃO

Família acusa PM de deixar mototaxista cego em abordagem no Centro de Manaus

No Boletim de Ocorrência consta que o homem pegou a arma de um cabo da PM na ação policial e que o armamento disparou na confusão. Mototaxista diz se lembrar apenas de ser colocado no camburão sangrando 21/08/2018 às 03:00
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Foto: Divulgação
acritica.com Manaus (AM)

A família do mototaxista Isaías Bezerra Brilhante, 32, acusa uma guarnição da 24ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) de atirar contra ele na noite do último sábado (18), na avenida Sete de Setembro, na Praça da Polícia, Centro de Manaus. A vítima foi atingida por uma bala de borracha no rosto, causando cegueira total em um olho e o deixando com apenas 10% de visão no lado direito.
 
As informações são da esposa, a dona de casa Michele Alves, de 36 anos. Segundo ela, o companheiro sustenta toda a família, com cinco filhos, e agora ele está algemado em uma maca no Hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto, na Zona Centro-Sul. De acordo com a esposa, o fato aconteceu por volta das 23h30, após Isaías ir ao Centro para deixar uma passageira. 

Segundo ela, Isaías, morador do bairro Alvorada 3, na Zona Centro-Oeste, saiu da região para levar uma moça até a Praça da Polícia, no Centro da cidade. Porém, após deixá-la no local de destino, a motocicleta usada por ele deu pane mecânica. “Meu marido ficou mexendo na moto e a polícia passou, abordou, e ele disse que estava ali porque estava no ‘prego’, mas mesmo assim os policiais revistaram ele”, explicou.

Impacto e sangue

A esposa relatou que Isaías foi revistado e que nada de ilícito foi encontrado com ele. “Depois que revistaram, pegaram o documento dele e da motocicleta e consultaram, viram que não tinha nada e devolveram. O que o meu marido me fala é que ele só lembra de que do nada houve um impacto nele e que em seguida foi colocado no camburão, sangrando bastante”, contou a companheira.

Isaías foi conduzido para o 28 de Agosto, onde foi socorrido, e levado às pressas para Clínica de Olhos, no Centro, onde foi constatado que ele teve a visão prejudicada. Segundo a esposa, o olho esquerdo ficou completamente destruído e o direito com apenas 10% de visão. “Ele me conta que com o olho direito só enxerga vultos, não consegue ver quase nada. O lado esquerdo estourou com o tiro, o médico disse que o globo ocular espocou e que teve de tirar tudo do lado esquerdo”, relembrou.

Segundo a companheira, Isaías é o único que sustenta a família, tem cinco filhos e sempre foi homem honesto. “Ele não tem passagem na polícia, não tem envolvimento com nada de errado, não usa drogas. É pai de família. O que fizeram com ele foi covardia. Agora, meu marido fica perguntando no hospital o que ele fez de errado”, disse ela, acrescentando que ele segue algemado. “Perguntei de um policial que está no HPS, ele me respondeu que apenas mandaram ele reparar meu marido”, afirmou.

A esposa disse ainda que ela e os familiares devem ir atrás de um advogado para processar o policial que atirou em Isaías.

O que diz a PM

A reportagem teve acesso ao Boletim de Ocorrência registrado no 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP) sobre o caso de Isaías. Segundo o documento, ele foi preso em flagrante por resistência a prisão e desacato. O cabo PM Rai Souza de Jesus informou no BO que fazia patrulhamento pela Av. 7 de Setembro quando avistou um homem mexendo em uma moto. O policial relatou que ao tentar fazer a abordagem inicial, Isaías se mostrou alterado e com sinais de embriaguez.

No entanto, forneceu os documentos necessários e foi consultado via Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops) que não possuía restrições em seu nome. No entanto, segundo o depoimento do cabo Rai Souza, ao entregar os documentos, Isaías disse “Amorzinho” e “Você é tão linda” para uma policial feminina. Ainda de acordo com o BO, em seguida ele teria xingado o PM de “Filho da P*ta” e disse que o policial deveria estar prendendo “vagabundo”.

Após isso, o cabo deu voz de prisão para Isaías, que em seguida agarrou a arma do PM, calibre 12 e com munições de borracha, e que na confusão o armamento disparou no rosto de Isaías. Segundo o BO, o mototaxista só não foi apresentado no DIP porque estava em atendimento médico e internado no HPS 28 de Agosto. Consta no BO que Isaías é o suspeito e que o cabo foi a vítima. 

“Meu marido é trabalhador, não teria porque ele fazer isso.  Quando os policiais me ligaram dizendo que ele estava no hospital, baleado no olho, eu entrei em pânico, ele não é bandido”, disse a esposa.

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