Publicidade
Manaus
AUXÍLIO

Ferramentas digitais viram aliadas de pessoas com deficiência visual e baixa visão

Tecnologias tanto no smartphone quanto no computador estimulam o acesso de quem precisa para melhorar a comunicação e ter qualidade de vida 20/01/2019 às 06:40
Show ferramentas 1e78df19 bf91 458b a8a7 e99a9cd6aae3
O gerente da Biblioteca Braille, Gilson Mauro: 75% dos cegos usa celulares antigos (Foto: Jair Araújo)
Karol Rocha Manaus (AM)

A tecnologia tornou-se grande aliada na inclusão das pessoas com deficiência visual com a criação de ferramentas existentes nos smartphones como a audiodescrição, por exemplo. Como forma de estimular o acesso de quem precisa aprender o recurso digital para melhorar a comunicação e consequentemente ter qualidade de vida, a Biblioteca Braille do Amazonas desenvolveu dois cursos de férias voltados à tecnologia assistiva.

Um é o curso de “Sistema Operacional para Android e iOS” e outro trata-se da “Informática Básica e Avançada”; ambos são exclusivos para a pessoa com deficiência visual e com baixa visão. O objetivo é mostrar aos alunos que é possível utilizar ferramentas digitais - tanto o smartphone quanto o computador.

“A metodologia consiste na utilização dos leitores de tela para celular Android com o Talkback e o Iphone com o VoiceOver. Com isso, a didática é a orientação de como utilizar essas ferramentas”, explicou o professor de Tecnologia Assistiva há 22 anos, Ricardo Souza. Ele fez uma comparação de anos anteriores com os recursos atuais existentes, e acrescenta que a tecnologia tem um papel importante na inclusão.

“Se formos parar e analisar, era utilizado muito o sistema braille e o volume de livros para ler era impressionante. Com o uso das tecnologias, a gente busca viabilizar e encurtar mais o processo de agilidade na leitura e até no carregamento de peso, conseguimos carregar apenas o celular e não vários livros” disse ainda.

Outro curso disponível é a “Informática Básica e Avançada” que utiliza os sistemas DOS VOX e NVDA, ambos leitores de tela que facilitam o acesso de pessoas com deficiência visual a microcomputadores. “Com o uso das tecnologias, eu pude perceber que a vida tem mais qualidade, desempenho e conseguimos acompanhar o ritmo das pessoas que tem visão”, acrescentou o professor.

Tecnologia assistiva

A formanda de psicologia, Ingrid Mendonça, de 24 anos, possui baixa visão. Ela nasceu com catarata congênita e fez algumas cirurgias ainda quando bebê. Ela perdeu a visão por conta do glaucoma, passou a fazer o controle da doença e conseguiu recuperar parte da visão, apenas 30% do lado esquerdo. Atualmente, ela é presidente da Associação dos Deficientes Visuais do Amazonas (Advam) e iniciou o curso de Sistema Operacional para Android e iOS.

“A tecnologia, hoje, está em todo o lugar e não é diferente para a pessoa com deficiência. Acredito que as pessoas que tem esse tipo de deficiência e não tem acesso a tecnologia assistiva acaba ficando de fora do convívio social como navegar nas redes sociais, utilizar um computador, fazer um trabalho operacional mesmo. Esse curso é fundamental para a inclusão social acontecer”, disse ela.

Desejo de conhecer

Arison Leite de 29 anos tem baixa visão. Ele já se adaptou com o sistema DOS Vox e agora deseja conhecer mais os recursos do smartphone.

“Geralmente, a gente usa muito programa de voz para acessar qualquer ferramenta. A tecnologia serve para todos e hoje em dia, é muito necessário independente da deficiência”, contou ele.

Publicidade
Publicidade