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Manaus
FUMAÇA NA CIDADE

Focos de queimadas mudam do eixo sul para o leste do AM e Manaus ‘paga a conta’

Incêndios florestais das últimas semanas, principalmente nas proximidades da capital e na porção Leste do Estado, têm empurrado o Amazonas para os primeiros lugares do ranking de queimadas na Amazônia Legal 09/10/2018 às 01:11 - Atualizado em 09/10/2018 às 08:16
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Queima de lixo avança para trechos de mato na Colônia Antônio Aleixo. Foto: Euzivaldo Queiroz
Izabel Guedes Manaus (AM)

O Amazonas registrou de janeiro até a primeira semana de outubro 9.242 focos de queimadas. Os números, ainda que abaixo do mesmo período do ano passado, quando foram registrados 9.792 casos, deixaram o Estado em terceiro lugar no ranking de queimadas ocorridas nos estados da Amazônia Legal.

Os dados preocupam os órgãos ligados ao tema, uma vez que tem ocorrido um crescimento dos índices na Região Metropolitana de Manaus, o que tem ocasionado o cenário de fumaça na capital nos últimos dias. Para se ter uma ideia, em apenas uma semana, os órgãos fiscalizadores registram mais de 330 focos de calor. O município com a maior incidência até agora de ocorrências é Manacapuru.

Os números foram divulgados pelo Grupo de Trabalho de Prevenção e Combate às Queimadas da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), na tarde de ontem, durante reunião para definir as estratégias de prevenção e combate às queimadas nesses municípios. O encontro aconteceu no Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas, Zona Centro-Sul de Manaus.

O superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), José Barroso, explicou que houve um deslocamento dos casos de queimadas do eixo Sul para  o eixo Leste do Estado, principalmente na região entre Maués e Manacapuru.

“Hoje o que preocupa não é mais o Sul do Amazonas, não é mais a pressão sobre o arco do desflorestamento. Ali, nós temos o ano inteiro equipes fiscalizando. O que me preocupa são os 56 municípios que restam. Temos que ajudar o Estado e estamos com eles nessa questão da Região Metropolitana e Leste do Amazonas, que é uma tendência a receber uma pressão sobre o desmatamento. Eu me preocupo muito com isso, mas a maior dificuldade é que o Ibama sofre um processo de desmobilização. Nós tínhamos 14 unidades e hoje só temos duas.  Hoje tudo remete para Manaus”, disse.

Sobre a situação o secretário de Estado do Meio Ambiente, Marcelo Dutra, disse que boa parte das queimadas é proveniente de desmatamento, o que tem aumentando nessas regiões e por isso estão intensificando as ações. “Para amenizar isso, nós temos feito o sensoriamento remoto. Nós temos hoje como saber quem são os desmatadores, quais são as áreas. Hoje nos temos controle sobre todo o Estado a partir do sensoriamento remoto, a partir do uso de satélite”, afirmou.

“A fumaça do desmatamento ilegal aumenta a quantidade de idosos e crianças atingidos com problemas respiratórios, contribui para o aquecimento local, aumenta mais o desconforto. É uma série de acontecimentos promovidos por isso e traz prejuízos a todos. Por conta disso vamos intensificar mais ainda o  combate ao desmatamento nesses próximos dias. Nós vamos, a partir de imagens, emitir notificações nos casos de menor monta, multas e embargos nos casos maiores”, completou.

Prejuízos à saúde

Para a empregada doméstica Edilene Ferreira, 45, as pessoas precisam ter mais consciência. “Esses dias tem sido bem ruins. A gente fica com a respiração seca. Muita fumaça. Eu moro ali na Terra Nova e a gente tem sofrido bastante com o forte cheiro, principalmente quem tem criança. A gente sente e isso é muito triste. Nesse calor então fica bem pior”, comentou.

‘Queimar o  lixo ainda é uma cultura’

Entre os municípios da Região Metropolitana de Manaus,  Manacapuru registrou somente na última semana 52 focos de queimadas, tanto na região urbana como na zona rural da cidade.

“Nós passamos os seis primeiros meses do ano trabalhando a prevenção, falando sobre as questões do período de queimadas do mês de agosto, mas infelizmente isso é cultural. Temos recebido varias denúncias e quando chegamos lá para verificar são pessoas idosas, que tem essa cultura de atear fogo no mato para limpar. Por mais que você diga que é proibido, é  uma cultura difícil de se trabalhar, mas nós estamos atuando e inclusive vamos intensificar junto com a defesa civil”, disse a secretaria de Meio Ambiente do município, Gilmara Maciel.   

Ação humana e natural provocam os incêndios

Bitucas de cigarros, pôr fogo em lixo doméstico, pedaços de vidro, latas de alumínio e até mesmo sacolas plásticas com água podem ocasionar pequenos focos de incêndio em vegetação, em sua maior parte, seca por causa do calor.  No domingo pela manhã, a cidade amanheceu coberta por uma nuvem de fumaça proveniente desses incêndios.

Até mesmo a natureza colabora para que isso aconteça. Um raio pode ocasionar um foco de incêndio em área de vegetação. Ou o mato, já seco, entra em combustão espontânea. A temperatura alta, comum a essa época do ano, é um dos principais fatores que desencadeiam esses focos. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as temperaturas em Manaus devem ficar entre 27°C e 37°C  com umidade relativa entre 30% a 35%.

De acordo com o sargento do Corpo de Bombeiros Denis Ferreira, o calor intenso com o oxigênio disponível na atmosfera e o combustível causam uma reação química que ocasionam as chamas.

Somente no último final de semana, os bombeiros registraram cinco focos de incêndio em vegetação em Manaus.  Um foi na rua Paulo Pinto Nery, no bairro Colônia Antônio Aleixo, na Zona Leste. Moradores relataram ao A Crítica que a região está sendo afetada desde a última quinta-feira e que esse não é o único foco de incêndio da região.

Ontem, um foco de incêndio em uma área de lixo e vegetação, ao lado do Hospital João-Lúcio  na Zona Leste, foi combatido. 

Foram dois focos combatidos durante o final de semana na rodovia Manoel Urbano (AM-070), que liga Manaus a Manacapuru. Por lá, a paisagem possui uma mistura de vegetação seca com marcas do incêndio. Ainda é possível ver fumaça no local.   Fumaça essa que diminui a visibilidade em rodovias, por isso, o motorista deve redobrar a atenção ao transitar por esses locais para evitar acidentes. Além disso, ela pode agravar o estado clínico de pessoas que tem problemas respiratórios, como asma e rinite alérgica, principalmente crianças e idosos.

*Colaborou: Priscila Rosas

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