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Manaus
SEGURANÇA PÚBLICA

Governo define equipe para executar plano de consultoria dos EUA no Amazonas

A partir de 2019, forças de segurança do Amazonas passarão a seguir orientações da consultoria Giuliani Security & Safety, que custou R$ 5 milhões. Projeto vem com promessa de diminuir índices de violência 16/09/2018 às 12:36
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Orlando Amaral, Frederico Mendes, Anésio Paiva, Walter Cruz e Ivo Martins compõem equipe (Foto: Jander Robson/Freelancer)
Joana Queiroz Manaus (AM)

Janeiro de 2019, o mês em que o Amazonas poderá escrever uma nova história na área da segurança pública, que passará a seguir as orientações de um programa elaborado por uma consultoria americana Giuliani Security & Safety (GSS), do ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani. O programa, que foi batizado de GuardiAM 24h, vem com a promessa de diminuir os índices de violência por meio de recursos tecnológicos e de inteligência.

De acordo com o secretário extraordinário de governo que está cuidando do início da execução dos projetos indicados pela consultoria, Walter Cruz, neste momento já está sendo executada a segunda fase do GuardiAM 24h, que é o levantamento de dados para o diagnóstico do sistema penitenciário. Antes, na primeira fase, foi feito um diagnóstico geral do sistema.

No dia 15 de novembro, começa a terceira e última fase da consultoria para que o programa seja implantado na sua totalidade, quando serão buscadas informações nos municípios. Com base nessas informações será feito o diagnóstico das fronteiras do Amazonas com outros países, assim como das condições geográficas, principalmente da hidrovia, muito utilizada pelos traficantes para o escoamento dos carregamentos de drogas.

Há mais de duas semanas no comando da pasta, Walter Cruz disse que já tomou medidas, sempre seguindo a orientação do programa, para que GuardiAM 24h possa começar a funcionar, o que implicou na mudança de funções de chefia dentro da Polícia Civil e da Polícia Militar, com a troca de comando, inclusive.“Constituímos equipes multidisciplinares e elas vão fazer a prospecção de dados e vão coletar informações com os policiais e investigadores. Essas equipes vão identificar as prioridades desses setores.”, disse.

Na Polícia Militar será o coronel Gilberto Gouvêa quem vai trazer dados, para quando a equipe da consultoria retornar a Manaus, ter em mãos informações para identificar as prioridades. Na Polícia Civil será o delegado Ivo Martins, com uma equipe de delegados que está sendo formada. Na Polícia Técnica, a perita Sheila Ramos terá apoio de uma equipe. Segundo o Governo do Estado, com essa informações será possível verificar o que pode ser melhorado.

Walter Cruz disse que as mudanças de comando ocorridas no início da semana são necessárias. “Estamos buscando pessoas para atuar em áreas específicas que tenha o perfil adequado para aquela determinada função”, ressaltou ele.

Na Polícia Civil, saiu Mariolino Brito e deu lugar a Frederico Mendes, na função de delegado-geral. Ivo Martins foi escolhido para o delegado-geral adjunto. Na Polícia Militar, Davi Brandão passou o comando para o coronel José Cláudio. “O coronel Cláudio é um ‘caveira’ (apelido que os policiais do Comando de Operações Especiais - COE), é um policial de ação e tem o perfil para comandar a Polícia Militar neste momento”, disse Cruz.

Algumas delegacias especializadas também tiveram os titulares trocados por outros, entre elas a Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), que está sob o comando do delegado Orlando Amaral.

Na Secretaria Executiva Adjunta de Operações Especiais (Seaope), Klinger Paiva foi substituído pelo delegado Guilherme Torres e agora vai comandar o pelotão da Força Tática. “O subtenente Klinger é sensacional, ele é fantástico é um policial experiente para a função de comandar a Força Tática”, disse.

Estratégias essenciais

Além das mudanças de comando, Walter Cruz disse que elegeu quatro palavras-chave para trabalhar na execução do GuardiAM 24h, que são tecnologia, inteligência, treinamento e integração. De acordo com ele, uma depende da outra e todas se completam.

Na primeira fase, quando os consultores visitaram delegacias e companhias, eles conversaram com servidores e fizeram todo o mapeamento das atividades deles depois do diagnóstico e no fim fizeram recomendações.

Para a Polícia Militar mais treinamento de como fazer a preservação do local de crime e de abordagem policial. À Polícia Civil, melhoria no atendimento ao público e no compartilhamento de dados com os demais órgãos da segurança. Aos Bombeiros a recomendação foi a criação um melhor banco de dados e um melhor sistema de informação que possa interagir com o outras instituições. A recomendação para a Polícia Técnica foi um laboratório de DNA mais completo, com um banco que possa guardar o perfil de criminosos.

Polícia mais ‘tecnológica’

De acordo com o secretário, o consultor americano Rudolph Giulini e sua equipe têm um olhar muito aprofundado para a perícia técnica e científica. Para eles se a prova ou vestígio não forem bem recolhidos, averiguados e analisado ficará difícil fazer a elucidação dos crimes.

Walter Cruz ressaltou que, dos crimes que acontecem atualmente em todo Brasil, somente 8% tem elucidação porque o trabalho no local do crime não foi bem feito. “De uma coisa eu tenho a certeza, que o olho do projeto está voltado para a implementação da Polícia Técnica e Científica que pode acabar coma fragilidade das provas criminais”.

“Se o local do crime for bem preservado e aprova bem recolhida, vestígio bem coletado, e feito uma analise com tecnologia bem adequada você tem de 60 a 70% de desvendar um crime. O que temos hoje são 90% de provas testemunhais.”, afirmou.

A falta do uso de tecnologia avançada nas investigações resulta na fragilidade das provas. “Não temos um laboratório de DNA, temos um laboratório na criminalística, mas nos falta um para a preservação de todas as provas”, exemplificou.

Prontuários civis são considerados uma das piores situações da segurança pública, disse. Em 2016, reportagem de A CRÍTICA denunciou que havia mais de 3,2 milhões de prontuários civis corriam o risco de desaparecer porque em plena era da informática o Instituto de Identificação Anderson Conceição de Mello, na avenida Pedro Teixeira, D. Pedro, Zona Centro-Oeste, ainda guardava os seus registros em fichas de papel em armários, da mesma forma quando tudo começou, em 1918, data do primeiro prontuário do instituto.

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