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Manaus
DENÚNCIA

Grávida e bebê morrem durante parto em Manaus e família denuncia maternidade

Segundo parentes, houve negligência médica. Ila Arantes, 35, foi levada à Balbina Mestrinho na quinta (14) sangrando e sentindo dores, mas só no dia seguinte recebeu medicamento e foi atendida 17/02/2019 às 20:34 - Atualizado em 17/02/2019 às 20:46
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Foto: Jander Robson
Isabel Guedes Manaus (AM)

A família da gestante Ila Arantes Fernandes, de 35 anos, registrou um boletim de ocorrência para registrar o falecimento da jovem na madrugada de ontem, domingo (17), em Manaus, na maternidade Balbina Mestrinho. Segundo familiares, a grávida e o bebê, que ainda ainda na barriga e era do sexo feminino, morreram em consequência de negligência médica, após não terem sido atendidos com urgência no local.

De acordo com os familiares, Ila estava grávida de 8 meses e foi levada até a maternidade na ultima quinta (14),  sangrando e sentindo dores. “Ela estava passando mal, mas somente na sexta a tarde recebeu um medicamento e foi atendida. Disseram que não tinha leito, mas como uma grávida, nessa situação, vai ser medicada quase 24 horas depois de entrar em um hospital. Isso não existe. Demoram muito e ainda queriam que ela tivesse o bebê normal. Só ontem ela foi para a sala de cesárea e aí não teve mais jeito. Deu complicação e ela e a criança morreram”, contou o cunhado da vítima, o taxista Valdimiro Viana, 45.

Ainda segundo eles e outros familiares que estiveram no Instituto Médico Legal (IML) na manhã ontem, a maternidade ainda emitiu os documentos de forma errada e, por isso, o IML demorou a liberar o corpo. “Os documentos estavam errados, os médicos não tinham assinado e ainda por cima disseram que a criança estava dentro da barriga dela, mas quando os médicos legistas foram olhar não tinha bebê. Foi outra confusão porque tivemos que voltar na maternidade e ninguém sabia da criança. A gente foi na polícia e só com a presença deles no local, depois de uma busca, encontramos o corpo da minha sobrinha. Isso está errado e alguém vai ter que ser responsabilizado”, disse o cunhado indignado.

A mulher tinha mais três filhos e era casada. O marido, abalado, não quis conversar com a imprensa, mas os familiares dele afirmaram que o mesmo ainda foi agredido na maternidade quando foi reclamar do ocorrido. O corpo de Ila e da criança serão velados no bairro Parque São Pedro e depois, na terça, seguem para o município de Fonte Boa, a 678 quilômetros de Manaus, onde moram outros familiares.

Resposta da Susam

Sobre o ocorrido, a Secretaria Estadual de Saúde (Susam) informou, por meio de nota, que a paciente entrou na maternidade Balbina Mestrinho aos 00h12 de sexta-feira (15) queixando-se de dor no baixo ventre e febre de seis dias e que foi imediatamente internada para acompanhamento clínico em enfermaria de alto risco.

A Susam afirmou que em nenhum momento houve falta de leito ou de assistência à gestante, uma vez que o exame apontou gravidez de 34 semanas e frequência de 127 batimentos cardíacos fetais, sem sinais de gravidade presentes, preservando-se o bebê e aguardando a maturidade fetal. Segundo a secretaria, o tratamento inicial à paciente seguiu protocolo, focando na infecção do trato urinário e no monitoramento por ameaça de parto prematuro. No dia seguinte, conforme a secretaria, o quadro evoluiu com descolamento prematuro de placenta e, durante a cesariana, por volta das 15h, foi constatada a morte do bebê. A mãe, de acordo com a Susam, sofreu forte hemorragia, tendo sido submetida a transfusão de sangue e, em seguida, encaminha à UTI, onde não resistiu, indo a óbito após três paradas cardíacas.

Sobre a agressão ao marido da grávida, a assessoria da Susam disse que no momento em que recebeu a notícia das perdas da mãe e do bebê, o pai da criança ficou transtornado e tentou quebrar a máquina de lanche e outros objetos da recepção da maternidade. Por isso os seguranças foram chamados para conter o pai.

Já sobre a confusão envolvendo o corpo da criança, o órgão não deu detalhes e disse apenas que o serviço social prestou assistência à família, incluindo locomoção para a resolutividade dos trâmites póstumos e que abrirá sindicância para apurar as circunstâncias do atendimento e as responsabilidades, caso seja constata falhas nos procedimentos.

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