Domingo, 21 de Abril de 2019
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ESTUPRO

Médico é denunciado por estuprar pacientes dentro de consultório em Manaus

Três mulheres acusam o clínico geral Júlio Adriano Carvalho. A Justiça ordenou que ele fosse afastado e usasse tornozeleira eletrônica. “Ele abaixou minha calça, tocou na minha vagina, colocando a mão por dentro da minha calcinha. Eu fiquei em estado de choque e não consegui gritar”, disse uma vítima


05/04/2019 às 09:01

O médico Júlio Adriano da Rocha Carvalho, 33, foi denunciado à Justiça pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM) por estuprar pacientes. Até ontem, pelo menos três mulheres haviam registrado Boletim de Ocorrência (B.O) na polícia denunciando o clínico geral. Elas afirmam que ele aproveitou da condição delas de paciente para estuprá-las dentro de consultórios durante atendimentos médicos. As vítimas são uma professora, uma cobradora de ônibus e uma estudante.

Os casos foram apurados pelo delegado titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), Marcelo Martins. A denúncia foi assinada pelo promotor de Justiça da 7ª Vara Criminal, Ednaldo Medeiros, e recebida pela juíza Careen Aguiar, que determinou que o médico fosse afastado das suas funções e monitorado por meio de tornozeleira eletrônica.

Há suspeitas de que o número de vítimas do médico seja muito maior. As que acionaram a polícia relataram que ele trancava a porta do consultório e as atacava, passando as mãos nos seus seios, tentando beijá-las à força e em uma delas tentou fazer penetração.

A estudande Fernanda* disse que no dia 7 de julho de 2018 foi ao pronto-socorro de uma clínica particular no Centro, pois estava resfriada, com dores no peito e falta de ar. Para A CRÍTICA, Fernanda contou que foi atendida por Júlio Adriano, que começou o atendimento dizendo “estás crescidinha, estás malhando?”. A paciente disse que achou o comentário estranho. De acordo com ela, o médico a examinou, sempre passando o estetoscópio em direção aos seios dela.

Júlio Adriano solicitou que ela fizesse alguns exames e, quando retornou levando os resultados, trancou a porta do consultório, mandou ela deitar na maca e tirar a blusa. O médico, disse Fernanda, voltou então a passar o estetoscópio nos seios dela e desceu o aparelho pelo abdome da paciente.

A estudante relatou que o médico ficou com a cabeça quase encostada em seus seios e que, devido a sua proximidade com ele, sentiu que ele estava com o pênis ereto. Fernanda relatou que Júlio Adriano mandou que ela levantasse para continuar o exame, quando abriu o sutiã dela, que o empurrou. Ele então, relatou Fernanda, disse que “já estava terminando”.

“Ele abaixou minha calça, tocou na minha vagina, colocando a mão por dentro da minha calcinha. Eu fiquei em estado de choque e não consegui gritar. Ele colocou o pênis para fora, pegou uma camisinha em uma bolsa e tentou me penetrar. Ele me segurava com força, me fez sentar e tentou fazer sexo oral”, contou a estudante.

Dias depois, o médico chegou a mandar mensagens pelo WhatsApp de Fernanda, que conseguiu em seu prontuário, questionando “você vai me deixar a me redimir e terminar o que começamos num local onde você fique mais confortável?”. A estudante disse que denunciou o médico na clínica e no Conselho Regional de Medicina (CRM).

*Nome fictício para preservar a identidade da  denunciante

Mesmo modus operandi abusivo

Em entrevista para A CRÍTICA, o delegado Marcelo Martins disse  que os casos passaram a ser investigados depois que a estudante Fernanda* foi ao  24º DIP e registrou B.O contra o médico.

A primeira mulher que registrou B.O  foi a professora Dayana*, há três anos. Em depoimento prestado no 24º DIP, ela contou que em 2016 foi se consultar na Unidade de Pronto Atendimento  (UPA) Campos Sales, na Zona Oeste, onde foi atendida por  Júlio Adriano, que perguntou sua profissão. Ela falou que era professora de educação infantil e o médico teria respondido “os seus alunos nem vão aproveitar”.

A professora disse que achou estranho o comentário do médico. Que durante o exame ele passou o estetoscópio por dentro do sutiã, nos seus seios, em seguida mandou que ela tirasse a blusa e comentou “que corpão, hein!”. A vítima disse que assim que saiu da unidade de saúde foi ao 20º DIP registrar o B.O, mas não teve tempo de levar o caso adiante.

Outra vítima do médico Júlio Adriano foi a cobradora de ônibus Rosana*. Ela declarou que, no dia 19 de agosto de 2018, também foi à UPA do Campos Sales, sentindo dores na coluna e na cabeça. Ao examiná-la, o médico disse que ela estava com a coluna torta e perguntou em que ela trabalhava. Ela respondeu que era cobradora de ônibus.

“Ele me disse que era a fim de ficar com uma cobradora”, relatou a denunciante. Júlio Adriano elogiou os lábios da paciente dizendo que ela tinha uma boca bonita que era uma boca que servia para “chupar”, dizendo ainda que ela deveria “chupar bem” se referindo ao sexo oral.

“Eu achei muito estranho o comportamento dele, pedi o receituário, mas quando eu ia saindo ele trancou a porta e começou a me agarrar a força”, contou a mulher. Rosana declarou que o médico passou as mãos sobre os seus seios, coxas, virilhas e nos seus órgãos sexuais enquanto tentava beijar a declarante na boca. “Ele só parou quando eu ameacei chamar o meu marido que estava me esperando lá fora”, contou Rosana, em depoimento ao 24º DIP.

PC procura outras vítimas

O delegado Marcelo Martins contou que, após o depoimento da Fernanda, passou a investigar e chegou às vítimas Rosana e Dayana. A partir de então, ele não teve mais dúvidas que o médico Júlio Adriano é acostumado na prática do crime de estupro contra pacientes. O delegado disse que as investigações vão continuar e solicitou que outras possíveis vítimas do acusado procurem o 24º DIP para fazer a denúncia.

Marcelo Martins disse que conseguiu localizar Júlio, que foi à delegacia acompanhado de advogado, mas preferiu ficar em silêncio, ou seja, não respondeu nenhuma das perguntas que lhe foram feitas dentro do inquérito, usando do direito de só falar em juízo.  A reportagem tentou falar por telefone com a advogada de Júlio Adriano, Valéria do Canto, de São Paulo, mas as ligações não foram atendidas.

Ontem, o promotor Ednaldo Medeiros e a juíza Careen Aguiar preferiram não falar sobre o caso. A CRÍTICA teve acesso às peças do processo e verificou que ele ainda não foi ouvido em juízo. O delegado chegou a representar pela prisão preventiva, mas não foi deferida pela Justiça.

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