Sexta-feira, 22 de Novembro de 2019
CHACINA

Mistura de desespero e alívio marca divulgação dos nomes de mortos na UPP

Familiares dos presos aguardavam informações em frente à Unidade Prisional do Puraquequara (UPP). Seis detentos morreram no presídio; na capital número de internos mortos passa de 50 em dois dias



WhatsApp_Image_2019-05-27_at_17.30.45_34BEEB42-B93D-4D55-9FF3-BF7A342C4C09.jpeg Foto: Sandro Pereira
27/05/2019 às 18:07

Anderson Barros de Oliveira, Jhon Vagner Souza da Silva, Olarnilso Souza Alves, Robson Rodrigues do Reino, Paulo Roberto Nascimento Ferreira da Silva e Emerson Matos Pontes da Silva foram os detentos mortos na confusão ocorrida na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP) nesta segunda-feira. Entre ontem e esta segunda-feira (27), os presídios de Manaus tiveram 57 presos mortos.

Os nomes dos presos mortos na UPP foram divulgados aos familiares, que aguardavam por notícias do lado de fora da prisão, na Zona Leste de Manaus. A divulgação da lista, feita por funcionários do presídio, deixou muita gente em desespero e outras pessoas aliviadas.



Mesmo com a relação dos nomes, o diretor adjunto da UPP, Francisco Kennedy, disse que somente após a entrada do Choque algo concreto poderia ser divulgado.

"Ninguém vai fazer nada que não seja o procedimento correto. A gente precisa do Choque para fazer a contagem", disse ele, alegando não saber se a confusão nos demais presídios da capital tem ligações.

Do lado de fora, os familiares continuavam no aguardo e faziam orações pelos presos executados. Uma jovem de 25 anos que preferiu não ter o nome divulgado disse que sempre tem confusão no local.

"Às vezes, isso acontece. Hoje a gente soube antes da polícia, que demorou muito a chegar. Ainda bem que meu marido não está na lista de mortos”, contou.

57 mortes em presídios

Em coletiva realizada no começo da noite desse domingo (26), no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), o secretário de Administração Penitenciária, coronel Marcos Vinicius Almeida, descartou a classificação de “rebelião” no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), onde 15 haviam sido mortos. Segundo ele, o ato não foi motivado por disputas entre grupos criminosos que atuam nas penitenciárias.

No começo da tarde desta segunda-feira (27), a Seap havia confirmado que novos detentos foram encontrados sem vida em três unidades prisionais do Amazonas. Os corpos foram achados em celas, mas o número de vítimas não tinha sido divulgado. Mais tarde o Governo confirmou 42 mortes apenas hoje, totalizando 57 em dois dias. 

Segundo o titular da Seap, a briga interna no Compaj ontem começou por volta das 11h. O diretor da unidade acionou o recém-criado Grupo de Intervenção Penitenciária (GIP) que, com o apoio da Polícia Militar, controlou a movimentação em cerca de quarenta minutos.

Os detentos utilizaram estoques produzidos com escovas de dentes como armas. Outros detentos morreram por asfixia. No total, 10 presos do pavilhão 5 e 5 no pavilhão 3.

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Repórter de Cidades
Formada em 2010 pela Uninorte, é pós-graduada em Assessoria de Imprensa e Mídias Digitais pela Faculdade Boas Novas. Repórter de Cidades em A Crítica desde 2018.

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