RETIDOS

Motoristas de alternativo cobram R$ 1,7 mi após decreto da prefeitura

Empresários dos 'amarelinhos' afirmam quem foram atingidos por bloqueios de recursos das empresas de ônibus. Decreto direciona recursos de bilhetagem eletrônica para conta da prefeitura

Rebeca Beatriz
15/08/2019 às 10:37.
Atualizado em 11/03/2022 às 07:55

(Foto: Junio Matos/A Crítica)

Representantes do transporte alternativo cobraram, na  Câmara Municipal de Manaus (CMM) a liberação de R$ 1,7 milhão que, segundo eles, foram bloqueados indevidamente por meio do decreto assinado pelo prefeito Artur Neto (PSDB) no último dia 6.

O decreto direciona os recursos do vale-transporte, passe estudantil e outros cartões usados no Sistema de Bilhetagem Eletrônica, do transporte coletivo da cidade, para uma conta bancária da prefeitura. A medida, segundo a administração, visa o pagamento do salário dos operadores do sistema e foi tomada às vésperas da greve dos rodoviários e após a intervenção nas empresas.

Segundo os motoristas dos alternativos, a arrecadação desse modal é separada da do transporte convencional. O presidente da Cooperativa dos Permissionários em Transporte Alternativo do Amazonas (Cooptram), Venício José, afirma que houve confusão após a intervenção da prefeitura no transporte coletivo.

“Nossa média é R$ 850 mil. O Sinetram fica com 6% disso, uma média de R$ 55 mil por semana. Mas com a intervenção da prefeitura a conta do Sinetram foi bloqueada e não conseguimos tirar a nossa fatia, pois o banco segurou o dinheiro para quitar essa dívida”, disse.

O vereador Cláudio Proença (PR), membro da Comissão de Transporte, disse que ainda hoje a categoria teria uma resposta. “A prefeitura decidiu  intervir no sistema de bilhetagem para ter um controle e conseguir pagar todos. No entanto, a linha 900, correspondente aos ônibus alternativos, acabou sendo  misturada com o sistema convencional”, explicou.

Ainda segundo ele, os rodoviários foram pagos, primeiramente, e agora a meta é pagar os trabalhadores do transporte alternativo. Ao ser questionado pelos trabalhadores, o presidente da Comissão de Transporte, vereador Rosivaldo Cordovil (Pode), disse que reuniões já foram organizadas para alinhar a data de pagamento.

“Vamos nos reunir com o prefeito Artur Neto para passar essa situação tecnicamente e  fazer um levantamento do valor do repasse. Os trabalhadores precisam receber”, afirmou.

A reportagem tentou contato com o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana de Manaus (IMMU), mas não teve resposta até a publicação desta reportagem.

Operacional

Ao todo, 258 veículos compõem a frota do transporte alternativo, os chamados amarelinhos, que circulam nas Zonas Norte e Leste da capital. Atualmente, cerca de 1.032 colaboradores, entre cobradores e motoristas operam no sistema.

Atualmente, 70% das passagens são pagas por meio de cartão vale-transporte ou carteira estudantil, e 30% em dinheiro, segundo o presidente da Cooperativa de Transportes Alternativos, Cleibe Terceiro da Silva, que destacou as consequênias do atraso no pagamento. “Nós não estamos recebendo e sem dinheiro não há como comprar diesel, por exemplo, pra continuarmos funcionando. Também não temos como pagar os funcionários, motoristas e cobradores”, disse.

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