INVESTIGAÇÃO

MP-AM pede prisão de esposa de líder da FDN por participação em massacre do Compaj

Órgão acredita que Luciane Albuquerque, esposa de “Zé Roberto da Compensa”, foi a pessoa responsável por entregar um bilhete com a ordem de início da rebelião

Fábio Oliveira
01/12/2017 às 23:40.
Atualizado em 12/03/2022 às 18:46

(Como está preso, esposa de Zé Roberto levou bilhete com ordem até o Compaj. Foto: Arquivo AC)

O promotor de Justiça Edinaldo Medeiros pediu a prisão de Luciane Albuquerque de Lima, esposa do narcotraficante José Roberto Fernandes, o “Zé Roberto da Compensa”, por conta dela ser apontada nas investigações do Ministério Público do Amazonas como peça fundamental para a execução do massacre ocorrido no dia 1° de janeiro deste ano no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj).

O MP-AM acredita que Luciane Albuquerque foi a pessoa responsável por entregar um bilhete com a ordem de início da rebelião, que resultou na morte de 56 detentos e foi considerada a segunda maior chacina depois do episódio do Carandiru, em São Paulo. Segundo a denúncia do Ministério Público, antes do término do horário de visitação, no dia do massacre, os presos expulsaram familiares.

“Ela entrou na cadeia com o bilhete, reuniu as principais lideranças da facção, leu a ordem e saiu do presídio”, relatou o promotor Edinaldo Medeiros. De acordo com a denúncia, a ideia do massacre surgiu após troca de informações entre a liderança da facção criminosa Família do Norte: “Zé Roberto da Compensa”, Gelson Carnaúba, o “Mano G” ou “Cabeção”, e João Pinto Carioca, o “João Branco.

Luciane Albuquerque de Lima e Zé Roberto da Compensa são considerados pelo Ministério Público como os autores intelectuais do massacre, que foi considerado um dos mais violentos do Brasil. Os detentos rivais foram mortos a tiros, estocadas, facadas e pauladas. Muitos tentaram escapar pela muralha ou se escondendo nos forros do presídio, mas foram perseguidos, capturados, mortos e muitos deles esquartejados.

Outros sobreviventes são os chamados “irmãos da benção”, que são os evangélicos e tiveram as vidas poupadas. “Eles começavam a matar cortando a ponta dos membros inferiores, depois os órgãos sexuais até decepar a cabeça”, disse o promotor.

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