Quarta-feira, 30 de Setembro de 2020
CRÍTICAS

'Os governos abandonaram a indústria', diz Sindicato dos Metalúrgicos do AM

Para o presidente do sindicato, Valdemir Santana, fechamento da fábrica da Sony em Manaus já era esperado: “Elegeram nas urnas essa política de abandono do setor industrial, o resultado está aí”, disse



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15/09/2020 às 10:50

O comunicado oficial da Sony que anunciou o fechamento da fábrica em Manaus para março de 2021 não pegou de surpresa o Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas. Em conversa com A Crítica, o presidente da categoria, Valdemir Santana, fez duras críticas aos governos que, segundo ele, abandonam há tempos o setor industrial e ficam inertes vendo grandes empresas fecharem as portas no Amazonas e no Brasil durante as duas últimas décadas.

“O Brasil não tem política industrial. O governo federal, por exemplo, acabou com a política industrial no nosso país”, afirmou o presidente ao destacar o problema do fechamento de uma grande empresa como a fábrica da Sony. “É diferente de desemprego, que é algo cíclico. É muito pior, já que são postos de trabalho que serão fechados de forma permanente, não há volta nem perspectiva de melhora”.



Conforme Valdemir Santana, o desmonte do setor industrial pode ser analisado com base na própria decadência da fábrica da Sony em Manaus. Segundo ele, em meados de 2010, época do último bom momento da indústria no Amazonas, a fábrica chegou a comportar quase 3 mil funcionários, número que veio caindo com o tempo, chegando a 1,3 mil há quatro anos. A fábrica anuncia o fim do funcionamento com, agora, apenas cerca 300 empregados.

“A política que foi escolhida nas urnas é essa que está aí. Nem o governo federal nem o estadual fazem algo para evitar esse problema. As empresas vão fechando e ninguém faz nada para tentar mudar essa realidade. Mesmo fechando a fábrica, a Sony vai continuar vendendo os seus produtos no país normalmente, mas serão 300 famílias a menos no estado sem ter renda para por comida na mesa”, destacou.

Fechamentos

Nos últimos 20 anos o Polo Industrial de Manaus viu diversas empresas consideradas grandes fecharem as portas a exemplo da Sony, entre elas Sharp, Philips, Gradiente e, mais recentemente, da Nokia, evidenciando as dificuldades das empresas em conseguir manter operações com os custos do Brasil, problema que pode ser acentuado com as recentes ameaças que o modelo Zona Franca de Manaus vem sofrendo.

“Já estamos no segundo superintendente da Suframa em pouco tempo, o que ele vai fazer? Só ficar sentado em uma cadeira, já que não temos política nenhuma no nosso estado? Só ressaltando que se não tiver atividade industrial no Amazonas, serão 4 milhões de pessoas sem saber como ter renda, aí vamos fazer o que? Cortar madeira?”, questionou Valdemir.

A reportagem de A Crítica entrou em contato com a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) para saber quais impactos o fechamento da fábrica da Sony em Manaus trará para a economia local e aguarda retorno. Assim que um posicionamento oficial for recebido, será adicionado nesta matéria.

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