Segunda-feira, 20 de Maio de 2019
CONFUSÃO

PM ‘desafia’ mulher a provar que tenha recebido propina após blitz

Corregedoria Auxiliar da Polícia Militar do Amazonas vai analisar vídeo de abordagem que viralizou nas redes sociais. Mulher identificada como Carla insinuou conhecer membro da cúpula de Segurança Pública para ser liberada



WhatsApp_Image_2019-01-15_at_20.22.15_71A03AF1-8DD6-4C45-985F-28FCEF5413E5.jpeg
Foto: Reprodução/Internet
15/01/2019 às 20:23

Após o vídeo de uma abordagem policial em um carro ocupado por duas mulheres viralizar nas redes sociais, o sargento da Policia Militar do Amazonas Ramenson Mendonça, envolvido na ocorrência, desafiou uma delas, identificada apenas como “Carla”, a provar que teria pago propina para ser liberada. Ramenson e Carla publicaram novos vídeos depois da confusão que teria ocorrido na noite do último domingo (13).

O policial e a mulher filmaram diferentes momentos da revista ao automóvel. Em um dos vídeos é possível ver as mulheres fazendo menção a uma "pessoa importante" que seria conhecida delas, para tentarem ser liberadas da abordagem policial. A Corregedoria Auxiliar da Polícia Militar vai analisar o vídeo difundido nas redes sociais para analisar a conduta dos policiais.

Depois das imagens circularem pelas redes sociais, Carla publicou um vídeo onde afirma que, na abordagem ocorrida após ela e uma amiga terem saído de uma festa, os policias a teriam obrigado a mencionar uma possível proximidade das mulheres com alguém da cúpula de segurança do Amazonas.

“Estava tudo bem. Os policiais chegaram, conversaram. Mas não foi só os doze minutos de vídeo. A gente passou mais ou menos uma hora com eles de constrangimento. Jamais eu usaria o nome de qualquer pessoa. Eu fui coagida a isso. Eu não conheço ninguém. Eu vou pedir desculpas aos policiais. Assim como eu pedi no mesmo momento”, afirma Carla.

“Eu sei que eu agi de má fé, de uma certa forma. Eu me deixei levar pela bebida, eu estava sim sob o efeito de álcool. Isso não justifica também o que eles fizeram com a gente. Depois que eu falei que estava gravando, eles surtaram, começaram a gravar também e agir de bom mocinho, bom policial. Coisas que não foram com a gente. Eu tive que pedir perdão, eu pedi desculpas aos policiais e ao mesmo tempo a gente teve que pagar para eles para poder sair daquele local. Porque eles não queriam deixar a gente ir se não fizesse alguma coisa”, continua.

Sargento responde

Em um vídeo de quase nove minutos postado no Facebook na tarde desta terça-feira (15), o sargento Ramenson Mendonça respondeu Carla. Na publicação, o sargento também colocou um trecho do vídeo em que ela acusa os militares.

Na resposta, o policial afirma que a abordagem em que Carla e a amiga foram filmadas era de rotina, conforme uma determinação da Polícia Militar para revista de 20 veículos por turno de trabalho para cada viatura policial.

“Sinto muito pelo fato de o vídeo ter sido exposto. Não fui eu que expus. Eu, somente, tentei colocar como uma forma de mostrar o que a profissão da Polícia Militar em seus serviços variados ocorre”, diz o sargento, que continua dando sua versão sobre o ocorrido.

“A senhora completamente exaltada. Tentando usar nomes de pessoas que eu, pessoalmente, nunca tinha ouvido falar e nem saberia quem são. No momento que a senhora usou do cargo Segurança Pública, eu sou conhecedor de quem é o secretário de Segurança. No momento que a senhora usou o nome do cidadão, eu não sabia quem era. Por isso, eu tentei mostrar no vídeo, como são as nossas ocorrências policiais. Em nenhum momento foi pedido nada ou insinuado”, afirma.

No vídeo, em que finaliza pedindo que Carla prove a denúncia de pagamento de propina, Ramenson conta ainda que quase prendeu a mulher.

“Se naquele momento a senhora tivesse conseguido falar com esse cidadão que dizia conhecer, eu teria lhe dado voz de prisão por tráfico de influência. Só que a senhora não conseguiu e não falou, somente expôs. Não aconteceu nenhum tipo de propina, não se pegou nenhum tipo de dinheiro. A senhora vai ter que provar agora o que disse, que pagou propina para ser liberada. E não aconteceu”, argumenta o sargento.

 

 

Vídeo será investigado pela Corregedoria da PM

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), afirmou que até o momento não houve registro de denúncia sobre o caso envolvendo Carla e o sargento Ramenson na Corregedoria Geral do Sistema de Segurança.

“O órgão, através da corregedoria auxiliar da Polícia Militar, vai analisar o vídeo difundido nas redes sociais para verificar a conduta dos policiais militares na ocorrência. Com relação ao B.O, sem a identificação do real nome das envolvidas não é possível localizar no sistema”, finaliza a nota.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.